Depois de estrear mundialmente no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Chicago, o longa Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, já tem data confirmada para o circuito nacional: 11 de setembro, com distribuição da Embaúba Filmes. Antes disso, o filme será exibido em São Paulo, no dia 26 de julho, às 20h, na Sala 3 do Reserva Cultural, como parte da programação da 3ª Mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente — evento que propõe reflexões sobre os impactos ecológicos e sociais da atividade mineradora no Brasil.
Com produção da Anavilhana, o filme combina o espírito errante do road movie com elementos de realismo mágico para narrar a busca de Dora, uma mulher solitária que percorre paisagens destruídas pela mineração em direção a Suçuarana, um lugar que talvez exista apenas na fotografia desbotada que carrega com ela. Ao longo dessa trajetória, marcada por encontros efêmeros e perigos imprevisíveis, Dora parece perseguir menos um destino geográfico e mais um sentimento de pertencimento — o desejo de um lar, de uma comunidade possível.
No roteiro, coescrito por Campolina e Rodrigo Oliveira, Dora encontra abrigo em uma antiga fábrica abandonada, onde trabalhadores sobrevivem em regime de coletividade. É nesse espaço de resistência que o filme muda de ritmo: da câmera inquieta e paisagens em movimento da primeira metade — que reflete a desorientação da personagem — para planos mais longos e imersivos, que capturam a convivência cotidiana da vila e a potência das relações humanas em meio ao colapso ambiental.
Inspirado livremente em A Fera na Selva, de Henry James, Suçuarana propõe uma adaptação radicalmente brasileira da ideia de espera e busca, mergulhando em um território devastado pelo extrativismo e onde os resquícios de cultura e ancestralidade ainda florescem como formas de resistência. O filme levanta questões contemporâneas urgentes: como habitar um mundo ferido? É possível criar novas formas de comunidade em meio à ruína?
Na tela, Sinara Teles interpreta Dora com sensibilidade e força contida, acompanhada por um elenco que mistura atores profissionais e personagens do cotidiano, incluindo Carlos Francisco, Tony Stark e a Guarda de Moçambique de Ouro Preto. A trilha original, composta por Ajítenà Marco Scarassati e Djalma Corrêa, pontua a atmosfera entre o onírico e o real, enquanto a fotografia de Ivo Lopes Araújo alterna o áspero e o poético.
A exibição do dia 26 de julho, com entrada gratuita, integra a mostra organizada pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, e marca um encontro entre cinema e ativismo ambiental. As vagas são limitadas e sujeitas à lotação da sala.
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