Quem acompanha a trajetória de Stephen King sabe que suas histórias raramente poupam o leitor: o terror, o suspense e o sobrenatural marcam presença em boa parte de sua obra. Mas há momentos em que King opta por caminhos mais humanos, quase poéticos. “A Vida de Chuck” (The Life of Chuck), com estreia marcada para 4 de setembro nos cinemas brasileiros, é um desses casos.
Baseado em um conto publicado na coletânea If It Bleeds, o longa é uma adaptação que foge do lugar-comum das adaptações do autor. Nada de palhaços assassinos ou hotéis mal-assombrados. O que temos aqui é a jornada de um homem comum, contada de forma sensível, quase lírica, e com reflexões sobre o tempo, a memória e o afeto.
Direção de quem entende King por dentro
A direção fica a cargo de Mike Flanagan, nome já conhecido por transpor Stephen King para as telas. Foi ele quem comandou Jogo Perigoso e Doutor Sono, este último dando continuidade a O Iluminado. Mas aqui o tom é outro. Flanagan descobriu o conto durante a pandemia e relata o impacto da leitura em meio ao isolamento: “Uma das grandes surpresas para mim ao ler a história foi o quão incrivelmente esperançosa ela era. De muitas maneiras, ela saltava das páginas como uma verdadeira celebração da alegria e da arte.”
O diretor ainda completa: “Não consigo pensar em nenhuma outra história que King tenha escrito em que essa alegria, esse coração, essa sinceridade e esse humanismo estejam tão em destaque quanto nesta.”
Flanagan vê o conto como uma raridade dentro do universo do autor, e não está errado. A vida de Chuck — interpretado por Tom Hiddleston — é narrada de trás para frente, como uma despedida contada em capítulos que redescobrem os detalhes mais sutis de uma existência: a infância, o amor, a morte, a herança emocional.
Elenco para emocionar
Além de Hiddleston, o filme traz um elenco de peso que ajuda a dar corpo à melancolia e ternura da trama. Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker), Karen Gillan, Chiwetel Ejiofor, Carl Lumbly, Mia Sara, Benjamin Pajak, Matthew Lillard e Jacob Tremblay compõem esse mosaico de personagens que orbitam a vida de Chuck, dando a cada cena uma camada de afeto ou mistério.
O longa teve estreia mundial no Festival de Toronto, onde foi bem recebido por abordar uma faceta inesperada de King. Para os fãs do autor, a obra é quase um achado: uma carta de amor à humanidade escondida em meio ao caos do mundo.
Trailer
King também sabe abraçar
“A Vida de Chuck” não é sobre o medo, mas sobre tudo o que o antecede e o sucede: memórias, conexões, escolhas. Em vez de assustar, o filme convida à introspecção — sem jamais abandonar o senso de estranheza que marca a escrita de King.
Para quem viu Conta Comigo, Um Sonho de Liberdade ou À Espera de um Milagre, essa nova adaptação ecoa aquele mesmo sentimento agridoce: histórias que nos lembram que, apesar de todas as perdas, viver ainda vale a pena.
Distribuído pela Diamond Films, o filme chega aos cinemas brasileiros em 4 de setembro. Não é um filme para sair tremendo da sala, mas talvez seja um dos que mais ficam com você depois.
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