Na interface entre o drama humano e a paixão pela música, “A Fanfarra” (En Fanfare) chega aos cinemas brasileiros no dia 7 de agosto. Dirigido por Emmanuel Courcol, o longa francês mistura comédia dramática com crítica social e coloca a música como elo entre dois personagens que vivem em mundos completamente distintos – e que nem sabiam da existência um do outro.
O filme ganhou visibilidade em Cannes, integrou o Festival Varilux de Cinema Francês e levou o Prêmio de Público no Festival de San Sebastián. Na França, ultrapassou a marca de 2,6 milhões de espectadores, mostrando que seu impacto vai além dos palcos e festivais.
Dois irmãos, dois mundos, uma conexão musical
Na história, o maestro Thibaut Desormeaux (Benjamin Lavernhe) é reconhecido internacionalmente por reger orquestras mundo afora. A vida muda quando ele descobre que foi adotado e precisa de um transplante devido a um diagnóstico de leucemia. A partir daí, o filme vira um novo jogo: em busca de um doador compatível, Thibaut encontra Jimmy Lecocq (Pierre Lottin), seu irmão biológico, que leva uma rotina simples trabalhando numa cantina de escola e tocando em uma fanfarra.
Enquanto um vive da elegância dos teatros clássicos, o outro encara o dia a dia barulhento e espontâneo das bandas de rua. É aí que a música começa a fazer sentido como ponto de partida para um reencontro nada óbvio – e cheio de altos e baixos emocionais.
Crítica social embalada a sopro e percussão
O contraste entre os irmãos serve como base para algo maior: uma reflexão sobre desigualdade e determinismo social. Courcol, que já explorou dramas sociais em obras anteriores, deixa claro que não se trata apenas de um reencontro familiar, mas de um confronto de realidades culturais, econômicas e artísticas.
Apesar do tom leve e do humor pontual, o roteiro expõe as barreiras invisíveis que o tempo, a origem social e as oportunidades impõem sobre as pessoas. E faz isso sem soar moralista, confiando nos personagens e em seus conflitos internos para dar o tom.
Direção que valoriza a experiência sensorial
Courcol não economiza na hora de encaixar música e câmera. O diretor investe em uma estética que aproxima o espectador da ação musical, com tomadas intimistas que acompanham os movimentos do maestro Thibaut dentro da orquestra – mãos, expressões, tensões. Em contraste, a fanfarra de Jimmy é filmada com liberdade visual e sonoridade mais crua, captando a energia caótica e vibrante das ruas.
Esse contraste técnico reforça as diferenças entre os dois mundos, mas também mostra o ponto em comum: a música como forma de expressão legítima, seja em palácios ou calçadas.
Quem é Emmanuel Courcol?
Com background no teatro e no cinema, Emmanuel Courcol transita bem entre palco e tela. Formado pela ENSATT, atuou sob direção de nomes como Roger Planchon e Marion Bierry antes de começar a escrever roteiros. Sua estreia como diretor aconteceu em 2012, e desde então vem entregando histórias com forte apelo humano. Seu longa anterior, “Um Triunfo” (Un triomphe), também teve destaque em Cannes e venceu prêmios europeus.
Em “A Fanfarra”, Courcol dá mais um passo em direção a um cinema que valoriza a humanidade em suas formas mais banais, sem abrir mão de uma pegada pop e acessível.
Elenco com talento (musical) de verdade
Os protagonistas Benjamin Lavernhe e Pierre Lottin não apenas entregam atuações sólidas, como também dominam seus instrumentos musicais em cena – o que adiciona camadas de autenticidade à relação dos personagens com a música. O elenco de apoio da fanfarra também segura bem a onda e oferece os momentos mais cômicos e despretensiosos do filme.
Ficha técnica
- Título original: En Fanfare
- Direção: Emmanuel Courcol
- Elenco: Benjamin Lavernhe, Pierre Lottin, Sarah Suco
- Duração: 1h43
- Gênero: Comédia dramática musical
- Distribuição no Brasil: Bonfilm e O2 Play
- Classificação: Livre
- Estreia: 7 de agosto
Distribuidoras de peso por trás do projeto
Bonfilm, responsável pelo tradicional Festival Varilux de Cinema Francês e pelo evento Ópera na Tela, atua há mais de uma década na promoção do cinema europeu no Brasil. Já a O2 Play, da O2 Filmes (de Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro), acumula um catálogo respeitável que vai de Chorão – Marginal Alado a sucessos internacionais como Dois Papas e Aftersun.
Ambas assinam a distribuição do filme no país, garantindo que A Fanfarra chegue aos públicos que valorizam tanto o cinema de conteúdo quanto experiências sensoriais e emocionais no audiovisual.
Vale o ingresso?
Se você curte histórias sobre família fora dos padrões, dramas com toques de humor, e trilhas sonoras que ditam o ritmo da narrativa, A Fanfarra merece seu tempo. É um filme que pode até começar como uma comédia de contrastes, mas logo te leva para discussões bem mais profundas sobre quem somos, de onde viemos e o que nos conecta no fim das contas. E tudo isso com muita música.

