O Grupo Teatro Diadokai iniciou a segunda etapa da circulação do espetáculo “O amor possível” em Belo Horizonte, desta vez direcionada exclusivamente a moradores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) da capital. Após apresentações em centros culturais municipais, a proposta agora é transformar a rotina das instituições em experiências cênicas únicas.
A primeira apresentação desta fase aconteceu no Lar de Idosos Recanto da Saudade, no Bairro Salgado Filho, e, segundo a atriz Priscilla Duarte, que conduz o solo, foi uma experiência intensa: “Foi um daqueles momentos inesquecíveis, que dão sentido à nossa existência como artistas”. Para Priscilla, apresentar a peça na casa de alguém altera a dinâmica do teatro: “No teatro, somos anfitriões. Em uma residência, somos recebidos nos lares e a obra atravessa a rotina e os corações dos moradores, transportando-os para outros mundos, outros tempos”.
A história de Cipriano e Isaura
Inspirado no romance “A caverna” (2000), de José Saramago, único autor de língua portuguesa a receber o Nobel de Literatura, “O amor possível” é um solo em que Priscilla Duarte encarna Cipriano Algor, oleiro viúvo, além de narradora e outros personagens. A trama acompanha Cipriano diante do desprestígio do barro, sua matéria-prima, substituída pela tecnicidade do plástico, e sua jornada de reinvenção pessoal.
No caminho, ele encontra o amor com a vizinha Isaura Madruga e desenvolve uma relação de amizade com o cachorro Achado, resgatando afetos e críticas sociais ainda atuais. Priscilla destaca o convite à reflexão que o espetáculo oferece: “Estamos presos a estímulos constantes, rolando imagens e ouvindo informações sem parar. O espetáculo permite desacelerar, conectar-se com personagens que poderiam ser qualquer um de nós, e refletir sobre a contemporaneidade, como na caverna de Platão de Saramago”.
Circulação e impacto social
Antes de chegar às ILPIs, “O amor possível” passou por três apresentações e duas oficinas de artes cênicas em centros culturais de Belo Horizonte, incluindo Jardim Guanabara, Urucuia e Bairro das Indústrias. O projeto começou em 2024, com oficinas e bate-papos em comunidades quilombolas e cidades do interior de Minas Gerais, destacando a cerâmica como arte milenar e aproximando o teatro de públicos com pouco contato cultural.
“Levar o espetáculo para o público periférico e idoso da cidade não é apenas apresentar uma peça, mas tocar vidas com histórias de amor, amizade e reinvenção aos 64 anos”, afirma Priscilla. O projeto é viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com patrocínio da CAPTAMED.
Próximas apresentações nas ILPIs (fechadas ao público externo)
- 18/8, 15h – Alma Senior (Av. Otacílio Negrão de Lima, 5450 – Bandeirantes)
- 25/8, 15h – Lar Dona Paula (R. Henrique Gorceix, 315 – Padre Eustáquio)
- 1/9, 15h – Instituto Geriátrico Santa Casa (R. Domingos Vieira, 586 – Santa Efigênia)


