O cineasta gaúcho Davi Pretto conquistou o principal prêmio do Festival de Brasília com “Futuro Futuro”, produção da Vulcana Cinema rodada em Porto Alegre que une ficção científica, experimentação estética e reflexão política. O filme recebeu os Candangos de Melhor Longa, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e uma Menção Especial do Júri para o ator Zé Maria Pescador, protagonista da obra.
O longa teve estreia mundial no Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, e seguirá para a Mostra Midnights do Festival do Rio, reforçando seu percurso em festivais de prestígio.
Em declaração ao público, Davi Pretto reforçou a natureza experimental de seu trabalho:
“’Futuro Futuro’ é assumidamente uma obra de experimentação, onde a forma e a estética são fundamentais para as reflexões políticas que o filme propõe. Essa foi apenas a terceira vez que um longa gaúcho vence o prêmio principal de Brasília em todas as 58 edições. Espero que esse prêmio incentive editais voltados para inovação artística no Brasil e no Rio Grande do Sul. Filmes como o nosso geram empregos, renda e representam o país em grandes festivais internacionais.”
Apesar de financiado por arranjos regionais, o filme dialoga com a dificuldade histórica de obras de experimentação no Rio Grande do Sul, abrindo discussão sobre a necessidade de apoio a projetos inovadores no cinema independente.

Uma cidade natal futurista e elenco de destaque
“Futuro Futuro” é o quarto longa de Pretto e transforma Porto Alegre em uma metrópole futurista. O protagonista K é interpretado por Zé Maria Pescador, ator potiguar conhecido por “O Clube dos Canibais” e a série “Maria e o Cangaço”. Ele contracena com nomes como João Carlos Castanha, Carlota Joaquina, Clara Choveaux, Higor Campagnaro e a voz de Olivia Torres, estrela de “Continente” e vencedora do Oscar de Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”.
Sinopse
No enredo, um homem de 40 anos sem memória, chamado K, é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos em uma cidade brasileira chuvosa e empobrecida. Ao experimentar um dispositivo de IA viciante em um curso para pessoas afetadas por uma nova síndrome neurológica, K embarca em uma jornada trágica e absurda, tentando entender seu lugar no mundo.
A narrativa combina ficção científica e crítica social, explorando os perigos cognitivos e políticos da inteligência artificial e as mudanças nas relações humanas e no trabalho.
Produção: desafios e inovação tecnológica
Rodado em apenas 16 dias, o filme enfrentou uma enchente histórica em Porto Alegre, que interrompeu filmagens e destruiu locações. Para contornar os obstáculos, Pretto incorporou imagens de inteligência artificial, tanto como elemento narrativo quanto solução de produção.
A estética de baixo orçamento reforça o caráter experimental, transformando adversidades em poesia visual e debate sobre o futuro do cinema.
Sobre Davi Pretto
Nascido em Porto Alegre em 1988, Davi Pretto é responsável por filmes como:
- “Castanha” (2014) – Mostra Fórum, Festival de Berlim; Melhor Filme Novos Rumos, Festival do Rio
- “Rifle” (2016) – Fórum, Berlim; prêmios de Crítica e Roteiro, Festival de Brasília
- “Continente” (2024) – Competição, Festival de Sitges; Melhor Direção Novos Rumos, Festival do Rio
- “Futuro Futuro” (2025) – Estreia mundial, Karlovy Vary; vencedor do Festival de Brasília
Ficha técnica resumida
- Direção e Roteiro: Davi Pretto
- Produção: Paola Wink e Jessica Luz
- Fotografia: Leonardo Feliciano
- Montagem: Bruno Carboni
- Direção de Arte: Dayane Paz
- Figurino: Gabriela Güez
- Música Original: Rita Zart e Carlos Ferreira
- Som: Tiago Bello e Tomaz Borges
Elenco principal: Zé Maria Pescador, João Carlos Castanha, Carlota Joaquina, Clara Choveaux, Higor Campagnaro, Olivia Torres (voz IA).
Gênero: Drama, Sci-Fi, Lo-fi | Duração: 86 minutos | Produção: Vulcana Cinema | Locações: Porto Alegre, RS | Ano: 2025


