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Apolo | Documentário premiado no Festival do Rio que desafia o conceito de família

Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio 2025, Melhor Longa Documentário e Melhor Trilha Sonora Original, o filme “Apolo” acaba de ganhar seu trailer oficial e já desperta expectativas para sua estreia nos cinemas, marcada para 27 de novembro.

Com direção da atriz Tainá Müller e da artista Isis Broken, o longa mergulha em uma narrativa profundamente pessoal, acompanhando a gestação de Apolo, filho de um casal transgênero. Mais do que um retrato familiar, o documentário questiona padrões sociais e amplia o olhar sobre o que é e pode ser uma família.

Trailer

Um retrato íntimo de amor e resistência

“Apolo” nasce da vivência real de Isis Broken e Lourenzo Gabriel, um casal trans que enfrenta o preconceito e o olhar social diante da experiência de um homem que gesta um filho. O longa acompanha essa trajetória com sensibilidade e força, revelando os desafios e as alegrias de um amor que se reinventa.

Para Isis, o filme é tanto uma exposição quanto um ato político:

“Estávamos mostrando nossa família num momento em que ainda havia muito preconceito, mas sabíamos que não estávamos sozinhes. Tínhamos amor, coragem e o apoio de muita gente que acredita na luta por respeito e dignidade”, comenta a diretora.

Ela também destaca a importância de visibilizar temas que raramente ganham espaço no debate público:

“As pautas sobre famílias transcentradas, maternidade e paternidade trans precisam existir. É difícil, mas é também resistência e construção de um futuro mais justo.”

A volta de Tainá Müller à criação autoral

Mais conhecida por seu trabalho como atriz, Tainá Müller faz em “Apolo” sua estreia na direção de longas. Depois de duas décadas dedicadas à atuação, em filmes como Tropa de Elite 2 e na série Bom Dia, Verônica, ela revisita suas origens no audiovisual, marcadas pelo período em que foi repórter da MTV.

“Durante a pandemia, essa inquietação de contar histórias de forma mais autoral voltou a bater na minha porta”, revela Tainá.

Para ela, o documentário também é uma reflexão sobre a política em torno da ideia de “família”:

“A entidade família foi capturada pela política no mundo todo. Há uma tentativa de restringi-la a um modelo único, mas Apolo mostra que outros formatos familiares não só são possíveis, como merecem igual respeito.”

Trilha premiada e bastidores

Com trilha sonora original de Plínio Profeta, premiada no Festival do Rio, o longa reforça sua carga emocional também através da música. A fotografia de Nico Mascarenhas e a montagem de Tatiana Lohmann complementam a narrativa com um olhar delicado e imersivo.

Produzido pela Capuri, Biônica Filmes e Puro Corazón, o projeto também marca a estreia da produtora fundada por Tainá Müller e Henrique Sauer, com foco em obras de impacto social e ambiental.

Pôster

Um novo olhar sobre o amor e a identidade

Mais do que um documentário, Apolo é um convite à empatia. Através de uma história real e potente, o filme amplia o imaginário sobre o que significa ser família em um mundo que ainda insiste em moldes fixos.

Com uma linguagem poética e uma abordagem intimista, Tainá Müller e Isis Broken constroem um retrato de coragem, tanto diante das câmeras quanto atrás delas.

“Apolo” chega aos cinemas em 27 de novembro, distribuído pela Biônica Filmes, com 82 minutos de duração e uma mensagem que promete ressoar muito além das salas de exibição.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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