A CES 2026 marcou um ponto de virada para a HP. Em vez de tratar inteligência artificial como conceito distante, a empresa apresentou um portfólio que coloca a IA no centro da rotina profissional, integrada ao hardware, ao software e até a dispositivos que tradicionalmente ficavam fora dessa conversa, como impressoras. A ideia é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: se o trabalho mudou, os PCs também precisam mudar.
Esse movimento faz sentido quando se olha para os números. O HP Work Relationship Index 2025 aponta que apenas 20% dos profissionais do conhecimento mantêm uma relação saudável com o trabalho. Esse índice cresce quando entram em cena ferramentas adequadas e um investimento consistente das empresas em tecnologia. A leitura da HP é clara: produtividade e bem-estar não são opostos, e a IA pode ser o elo entre os dois.
PCs de IA ganham forma e potência
Entre os anúncios que mais chamaram atenção está o HP EliteBoard G1a, um PC de IA que concentra todos os componentes dentro de um teclado. O formato soa curioso, quase experimental, mas carrega uma mensagem importante: a computação pessoal está ficando mais compacta e mais flexível. É um desktop que cabe na mochila e roda IA localmente, sem depender o tempo todo da nuvem.
Nos notebooks, a HP subiu a régua. As linhas EliteBook X G2 e OmniBook Ultra 14 chegam com NPUs capazes de atingir até 85 TOPS, um número que coloca esses modelos entre os mais poderosos da nova geração de PCs de IA. Na prática, isso significa rodar múltiplas tarefas de inteligência artificial ao mesmo tempo, desde recursos de produtividade até aplicações criativas e corporativas mais pesadas.
A família OmniBook também foi atualizada com processadores Snapdragon X2 e telas OLED. Um dos destaques curiosos é o OmniBook 3 16, que promete até 45 horas de reprodução de vídeo local. É aquele tipo de dado que chama atenção não só pelo número, mas pelo que representa: notebooks finalmente começando a entregar autonomia compatível com jornadas híbridas e longos períodos longe da tomada.
Copilot sai da tela e chega às impressoras
Um dos anúncios mais inusitados da HP na CES 2026 foi a integração do Microsoft Copilot às impressoras HP Office. Pela primeira vez, recursos de IA generativa chegam diretamente a esses dispositivos, permitindo resumir, traduzir e organizar documentos sem precisar passar pelo PC. É um detalhe que parece pequeno, mas aponta para um futuro em que a IA se espalha por todo o ecossistema de trabalho, não apenas pela tela do notebook.
TI mais resiliente em um mundo híbrido
Para quem olha o lado corporativo, a Workforce Experience Platform ganhou reforços importantes. Os novos recursos de recuperação em nível de firmware permitem que equipes de TI resolvam falhas críticas mesmo quando o sistema não inicializa. Em um cenário de trabalho distribuído, isso reduz tempo de inatividade e evita aquela dependência clássica de suporte presencial.
Games, potência e a nova fase da HyperX
A HP também aproveitou a CES para reorganizar sua estratégia gamer. HyperX passa a ser a marca-mãe do segmento, unificando OMEN e HyperX sob o mesmo guarda-chuva. O lançamento do HyperX OMEN MAX 16 reforça essa mudança, com um notebook focado em desempenho extremo, refrigeração interna robusta e suporte de IA via OMEN AI. É a HP deixando claro que PCs de IA não são apenas ferramentas de escritório.
Ergonomia, sustentabilidade e pequenos detalhes que importam
Nem só de grandes anúncios vive a CES. A HP apresentou periféricos ergonômicos como o Tilt Ergonomic Mouse 720M, novos carregadores USB-C GaN mais compactos e capas leves para notebooks. Também houve expansão do HP Digital Passport, plataforma que centraliza informações sobre suporte, recursos e sustentabilidade dos dispositivos, iniciativa que rendeu à empresa um CES 2026 Innovation Award.
Tecnologia como impacto social
Fechando o pacote, a HP confirmou o retorno do Future of Work Accelerator em 2026. O programa, que já impactou milhões de pessoas desde 2022, amplia o acesso à tecnologia e à capacitação profissional. A novidade é a abertura, pela primeira vez, para empresas com fins lucrativos, com foco em IA e futuro do trabalho. Além de financiamento e hardware, as selecionadas recebem mentoria e treinamento, reforçando a visão da HP de que inovação também passa por inclusão.
No balanço geral, a HP sai da CES 2026 com um discurso mais pé no chão e, ao mesmo tempo, mais ambicioso. A IA deixa de ser um diferencial isolado e passa a ser parte estrutural do trabalho moderno. Para quem acompanha a evolução dos PCs, fica a sensação de que a próxima geração não é apenas mais rápida, mas mais consciente de como e por que a gente trabalha.


