Durante a FITUR 2026, em Madri, a Embratur apresentou um panorama otimista sobre o impacto do audiovisual na promoção internacional do Brasil. Em painel realizado no estande da CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, o presidente da entidade, Marcelo Freixo, afirmou que o país vive um momento estratégico ao transformar visibilidade cultural em atração turística concreta.
Audiovisual como política pública e desenvolvimento local
Segundo Freixo, filmes e séries têm se consolidado como ferramentas reais de desenvolvimento econômico e social. Ele citou exemplos como Cabaceiras, na Paraíba, que se tornou polo de produções audiovisuais e passou a gerar emprego, renda e fluxo turístico a partir dessa nova vocação. Para o presidente da Embratur, o vínculo emocional criado pelas narrativas é um diferencial que nenhuma campanha tradicional consegue reproduzir com a mesma força.
Conteúdo influencia diretamente decisões de viagem
O painel contou com a participação de representantes do setor audiovisual internacional, entre eles Netflix, OSAI e FIPCA. Durante o debate, foi apresentado um dado que chamou atenção: segundo pesquisa da Netflix, pessoas que assistem a produções brasileiras na plataforma têm três vezes mais chances de escolher o Brasil como destino turístico.
Para Sergio Vilar, diretor global de Policy da empresa, histórias bem contadas ampliam não apenas a presença cultural do país, mas despertam um desejo real de conhecer os cenários exibidos na tela.
Parceria inédita com a Netflix amplia alcance internacional
Freixo também destacou a parceria inédita entre a Embratur e a Netflix, a primeira da plataforma com um país da América Latina. A colaboração resultou no portal Come To Brasil With Netflix, que reúne informações sobre destinos brasileiros associados a produções audiovisuais, conectando entretenimento e turismo de forma direta e acessível.
Integração entre cultura, economia e território
Para Ángel Cárdenas, da CAF, o turismo audiovisual se tornou uma agenda estratégica por unir cultura, economia e visibilidade internacional. Já Lucrecia Cardoso, da OSAI, ressaltou que políticas públicas consistentes no audiovisual geram resultados estruturais e fortalecem a identidade dos países no cenário global. Ignacio Rey, presidente da FIPCA, reforçou que a cadeia produtiva do setor cria ecossistemas criativos duradouros, com impactos ampliados quando conectados ao turismo.
Reconhecimento internacional impulsiona interesse pelo Brasil
Encerrando o painel, Freixo lembrou o excelente momento do audiovisual brasileiro, com cinco indicações ao Oscar 2026, quatro delas para O Agente Secreto. Para ele, o reconhecimento internacional do cinema nacional contribui diretamente para a imagem do país no exterior. Ao associar o Brasil a valores como democracia, memória e diálogo, cresce também a confiança e o interesse em visitar o país.
O recado deixado na FITUR é claro: quando o Brasil aparece na tela com força narrativa e identidade própria, o turismo vem junto.


