Em fase de filmagens no sul do Brasil, o longa-metragem Uma Canção constrói um melodrama atravessado por temas como abuso de poder, maternidade, silêncios familiares e desigualdade em cidades pequenas. Dirigido por Paulo Nascimento e produzido pela Accorde Filmes, o filme acompanha a trajetória de Flora, uma mulher cuja vida é drasticamente alterada após ser expulsa de casa ao engravidar do filho de um vereador influente.
Anos depois, o desaparecimento de seu filho Tomás desencadeia uma busca dolorosa, que expõe segredos antigos, intrigas políticas e o peso das estruturas de poder locais. A narrativa avança como um retrato íntimo e tenso das consequências de decisões tomadas no passado e das marcas que elas deixam ao longo do tempo.
Música como memória, ausência e identidade

A música tem papel central em Uma Canção, não apenas como trilha, mas como elemento narrativo. Tomás, já adulto, torna-se um cantor reconhecido internacionalmente, e essa dimensão artística funciona como elo entre passado e presente, ausência e lembrança. É nesse ponto que entra Sam Sabbá, que interpreta o personagem em sua fase adulta.
A presença do ator reforça essa camada musical do filme, inclusive com a gravação ao vivo da canção “You’re Here Right Now”, tema do longa, captada diretamente no set, com som e imagem simultâneos. A escolha reforça o tom sensorial da obra e aproxima o espectador da experiência emocional dos personagens.
Um drama sobre laços, poder e silêncio
Escrito por Fernanda Vilella e Anderson Vianna, Uma Canção amplia o olhar sobre relações familiares atravessadas por política, culpa e ausência. O filme evita soluções fáceis e aposta em um percurso emocional marcado por perdas, confrontos internos e pela tentativa de reconstrução.
As filmagens acontecem em Porto Alegre, Muitos Capões e Mendonza, explorando paisagens que dialogam com o isolamento e a dureza da história.
Atualmente em filmagens, Uma Canção segue em produção no sul do Brasil, com lançamento previsto para os próximos meses, consolidando-se como um projeto que usa o melodrama e a música para discutir feridas sociais profundas e ainda muito presentes.

