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‘Pele de Vidro’ estreia nos cinemas em março

Documentário de Denise Zmekhol revisita o edifício Wilton Paes de Almeida, projetado por seu pai, e cruza arquitetura, desigualdade social e luto em um dos relatos mais premiados do cinema recente

O cinema brasileiro ganha, a partir de 19 de março, um documentário que olha para São Paulo como quem olha para uma cicatriz aberta. Pele de Vidro, novo filme da cineasta Denise Zmekhol, estreia no circuito nacional propondo uma experiência íntima e política ao mesmo tempo, em torno de um dos episódios mais simbólicos da história recente da cidade.

O ponto de partida é o Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandú. Ícone modernista projetado por Roger Zmekhol, pai da diretora, o prédio ficou conhecido como “Pele de Vidro” por sua fachada transparente. Décadas depois de sua inauguração, passou a ser ocupado por centenas de famílias sem-teto — até o incêndio e desabamento parcial em maio de 2018, que marcou profundamente a memória urbana da capital paulista.

Quando o pessoal encontra o coletivo

Vivendo há anos nos Estados Unidos, Denise descobre à distância que a obra mais emblemática do pai havia se tornado moradia improvisada para centenas de pessoas. A notícia não apenas a reconecta com uma história familiar interrompida cedo, como a obriga a encarar o Brasil que se transformou diante — e apesar — da arquitetura modernista que prometia progresso.

O filme acompanha o retorno da cineasta ao país, sua tentativa inicial frustrada de entrar no prédio e, depois, o impacto da tragédia. A partir do incêndio, Denise passa semanas ouvindo sobreviventes, reconstruindo histórias e estabelecendo paralelos entre sua própria perda e a dos moradores que viam naquele edifício seu último refúgio.

“Meu pai era meu abrigo. O edifício era o deles”, sintetiza a diretora, em um dos eixos mais delicados do filme.

Arquitetura como memória viva

Mais do que um registro sobre o desastre, Pele de Vidro se constrói como uma meditação sobre o fracasso das promessas urbanas, o apagamento da memória arquitetônica e a desigualdade estrutural que molda as grandes cidades brasileiras. O prédio deixa de ser cenário e passa a funcionar como personagem: um corpo de vidro atravessado por histórias, silêncios e contradições.

Essa abordagem rendeu ao documentário uma trajetória internacional expressiva. O filme passou por mais de 60 festivais, conquistou 13 prêmios — incluindo Melhor Longa Documental em festivais de arquitetura na França, Itália, Espanha e Suécia —, além do Prêmio do Público no Mill Valley Film Festival, nos Estados Unidos.

Circulação e estreia no Brasil

Coprodução entre Brasil e Estados Unidos, Pele de Vidro chega aos cinemas brasileiros com distribuição da Autoral Filmes, selo recém-criado com foco em cinema de autor e documentários de forte relevância cultural.

Com 90 minutos de duração, o filme se soma a uma linhagem de documentários brasileiros que pensam o país a partir de suas ruínas, sem cair na exploração da tragédia, mas insistindo na escuta, no tempo e na complexidade.

SERVIÇO

Pele de Vidro
Direção: Denise Zmekhol
Documentário | 90 min
Estreia nos cinemas: 19 de março de 2026
Distribuição: Autoral Filmes
Instagram: @peledevidrofilme | @autoral_filmes

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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