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Indústria de brinquedos amadurece e público adulto vira motor de crescimento na Abrin 2026

Durante muito tempo, brinquedo foi tratado como território exclusivo da infância. Em 2025, esse limite caiu de vez. O crescimento consistente do consumo adulto, hoje identificado pelo mercado como segmento kidult, transformou jogos e atividades lúdicas em ferramentas de bem-estar, socialização e até autocuidado. Os números ajudam a explicar a virada: jogos de tabuleiro e cartas cresceram 16% no Brasil, enquanto blocos de construção avançaram 17%, em um mercado que movimentou R$ 10,3 bilhões no varejo.

Mais do que tendência, o comportamento indica maturidade. O lúdico deixa de ser fuga momentânea e passa a ocupar espaço legítimo na rotina de jovens e adultos que buscam experiências fora das telas, momentos de concentração e interação real.

Quando nostalgia vira estratégia de negócio

Na Abrin 2026, o público adulto não aparece mais como curiosidade lateral. Ele está no centro da feira. Marcas deixaram de tratar o kidult como nicho para integrá-lo ao core do negócio, apostando em produtos com design autoral, licenças da cultura pop e propostas que dialogam com memória afetiva e estilo de vida.

Esse movimento tem impacto direto no valor percebido. Produtos mais elaborados elevam o ticket médio e ampliam o ciclo de uso, transformando jogos e brinquedos em objetos que permanecem no cotidiano, seja como experiência coletiva, seja como item decorativo.

Brincar como pausa, foco e presença

Entre os lançamentos apresentados na Abrin 2026, chama atenção a recorrência de propostas que estimulam desaceleração. Quebra-cabeças de grande formato, jogos cooperativos e construções manuais aparecem como resposta direta ao cansaço digital. A lógica é simples: menos estímulo, mais presença.

Jogos de mímica, puzzles tridimensionais e kits de montagem não vendem apenas entretenimento. Vendem tempo de qualidade. A experiência importa mais do que a vitória, e o processo passa a ser tão relevante quanto o resultado final.

Do lúdico à casa, da brincadeira ao cotidiano

Outro ponto que se consolida é a expansão do brinquedo para além do momento da brincadeira. Montagens que viram objetos de decoração, jogos que permanecem à vista na estante e produtos pensados para integrar o ambiente doméstico reforçam uma mudança simbólica importante: brincar deixa de ser algo que se guarda depois de usar.

Há também uma aproximação clara com temas contemporâneos como sustentabilidade, criatividade manual e aprendizagem contínua. Kits movidos a energia solar, jogos de construção e experiências baseadas em experimentação reforçam a ideia de que o brinquedo adulto conversa com curiosidade e propósito.

Um mercado que cresce junto com quem consome

O crescimento de 1,86% no faturamento do setor em 2025 não veio apenas do volume, mas da diversificação do público. O consumidor adulto passou a buscar no lúdico algo que vai além do passatempo: pausa mental, conexão social e resgate de sensações que ficaram esquecidas na vida acelerada.

A Abrin 2026 surge, assim, menos como vitrine de lançamentos infantis e mais como termômetro de um setor que aprendeu a envelhecer junto com seu público, sem perder a capacidade de brincar.

Serviço

ABRIN 2026 – 42ª Feira Internacional de Brinquedos
Data: de 1º a 3 de março, das 10h às 20h
4 de março, das 10h às 18h
Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333, São Paulo, SP

Evento voltado para lojistas e profissionais do setor.
Entrada não permitida para menores de 16 anos, exceto lactentes até 24 meses e influenciadores credenciados pelas marcas expositoras.

Site oficial: https://www.abrin.com.br

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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