O curta-metragem Não São Águas Passadas, dirigido pela cineasta paraense Viviane Rodrigues, chega a um novo marco em sua trajetória com exibição no Amazônia FIDOC, no dia 1º de maio de 2026. Produzido pela BR153 Filmes, o filme foi rodado em Portugal e investiga o apagamento histórico da escravidão no país europeu.
Um olhar sobre o silêncio histórico
A narrativa percorre espaços urbanos e arquitetônicos em Portugal ligados à presença africana, revelando como muitos desses locais foram construídos a partir do trabalho de pessoas escravizadas. Ao mesmo tempo, evidencia a ausência de reconhecimento dessa história em museus, materiais educacionais e no próprio espaço público.
O filme questiona a falta de responsabilização histórica e como esse silêncio ainda impacta o presente, contribuindo para desigualdades, racismo e xenofobia.
Pesquisa, arte e posicionamento
Mais do que um registro documental, o curta articula pesquisa histórica com linguagem sensível. A diretora propõe discutir como sociedades contemporâneas lidam com heranças coloniais e quais caminhos podem ser construídos a partir do reconhecimento desse passado.
A obra conta com a participação de Naky Gaglo, que contribui com contexto histórico sobre a presença africana em Lisboa, e da artista Bia Ferreira, cuja obra reforça o debate sobre questões raciais e sociais.
Produção independente e proposta coletiva
Realizado sem apoio institucional, o projeto foi financiado pelos próprios realizadores, incluindo o produtor Brunno Constante. A equipe, majoritariamente brasileira, foi formada a partir de uma proposta colaborativa que envolveu profissionais alinhados à discussão antirracista.
A trilha sonora traz a participação do grupo Metá Metá, cuja sonoridade conecta influências africanas e brasileiras, ampliando o discurso do filme.
Circulação e reconhecimento
Desde sua estreia, o curta acumulou circulação em festivais e espaços culturais no Brasil e na Europa. Entre os destaques:
- Prêmio do Júri Popular no Revoluções Curtas (2025)
- Exibição no evento Além Mar, em Niterói
- Sessões em espaços culturais de Lisboa
- Participação em circuitos acadêmicos no Brasil e em Portugal
- Seleção para o Atlàntida Mallorca Film Fest (2026)
Síntese da proposta
“Não São Águas Passadas” parte da ideia de que a escravidão não pode ser tratada como um capítulo encerrado. Ao abordar memória, responsabilidade e permanência das desigualdades, o curta propõe uma reflexão direta: como lembrar o passado influencia o presente.
Com essa abordagem, o filme se posiciona como uma obra que une cinema, pesquisa e debate social, ampliando sua relevância tanto no circuito cultural quanto no acadêmico.


