Grande estreia da Darkside Books no mundo dos mangás, Fragmentos do Horror marca o retorno de Junji Ito às histórias de terror. Trata-se de uma coletânea de contos onde o fantástico e o grotesco andam de mãos dadas, ilustrados num traço único, cheio de detalhes.
Claro que o JWave não poderia deixar de dar uma conferida neste lançamento e mostrar tudo para vocês, neste JMangá.
O Futon
A primeira história da coletânea conta como a falta de higiene pode causar muito mais problemas do que apenas doenças.
Monstro de Madeira
Pai e filha moram em uma grande casa, recentemente tombada como patrimônio cultural e considerada o orgulho da família.
Um dia, uma estudante de arquitetura visita o local e, com insistência, inicia uma estadia na casa e mostra aos seus habitantes o quão excitante pode ser morar em uma casa antiga.
Tomio – Gola Rulê Vermelha
Não satisfeito em escapar quase ileso na primeira história, Tomio se envolve com uma cartomante estranha que o faz perder a cabeça… de forma praticamente literal.
Suave adeus
Riko é uma jovem que perdeu a mãe cedo e, desde então, vive atormentada com pesadelos onde vê seu pai morrer.
Ao se casar com Makoto, filho de uma família tradicional, Riko depara-se com um estranho costume que muda totalmente seu conceito sobre vida e morte de uma forma suave, porém definitiva.
Dissecação-chan
Tatsuro Kamata é um jovem estudante de medicina. Em uma aula prática de dissecação, acaba encontrando um cadáver que ainda não morreu, mas que quer ter o prazer de ser dissecada.
O problema é que esse “cadáver” é alguém que ele conhece bem, e de quem será difícil se livrar enquanto não realizar seu bizarro desejo.
Pássaro Negro
Um observador de pássaros ajuda um jovem acidentado a ser socorrido e atende ao seu pedido desesperado para lhe fazer companhia no hospital.
Durante a noite, uma visita bizarra acontece e explica não só o desespero do socorrido, como também sua inexplicável sobrevivência sem provisões suficientes…
Magami Nanakuse
Kaoru Koketsu é uma jovem comum, fã da famosa escritora Magami Nanakuse. Ela a admira e deseja ser como ela.
Um dia, recebe a resposta de uma carta enviada à sua ídola e um convite para visitá-la em sua propriedade. Ao conhecer a verdadeira personalidade da escritora e seu modus operandi para escrever obras de sucesso, Kaoru desejará nunca tê-la conhecido…
A mulher que sussurra
A filha de um magnata tem um distúrbio peculiar: não consegue tomar nenhuma decisão sozinha, necessitando de acompanhamento o tempo todo.
Mitsu Uchida torna-se a nova acompanhante da garota e, ao contrário de suas antecessoras, é muito bem sucedida no trabalho. O problema é que tudo que dá muito certo nem sempre permanece assim, como o pai da garota logo irá perceber.
A edição brasileira
Fragmentos do Horror tem um projeto gráfico fantástico, que enche os olhos até de quem não é fã de mangás.
A edição tem capa dura com ilustrações transparentes em relevo sobre as ilustrações principais, dando um efeito impressionante.
O papel utilizado foi o off-set e, mesmo não tendo páginas coloridas, o traço do autor ficou bem destacado na impressão, que não tem borrões nem manchas, e a tradução foi feita por Akemi Ono.
O exemplar que recebemos veio “selado” com um jûfû, um artefato muito conhecido dos fãs de mangás e animes e que geralmente é empregado para selar algo em algum lugar. Este em específico lembra o utilizado pela personagem Hinoto, do mangá X/1999, do estúdio CLAMP (publicado no Brasil pela JBC até o volume 18, último que saiu no Japão, infelizmente).
Lembram dos Jûfûs de X/1999? #Saudade
Além disso, tinham cabelos grudados no selo, dando a impressão que o mangá era realmente amaldiçoado e fazendo com que eu entrasse ainda mais no clima e hesitasse bastante em libertá-lo. Mas como tenho bastante coragem (sqn), abri o danado e não me arrependi, pois a experiência foi incrível.
Opinião
Quando li Uzumaki há alguns anos, percebi que o mestre Junji Ito é um autor que sabe como mexer com nosso psicológico de maneira ímpar. Estava ansiosa pelo lançamento de Fragmentos do Horror não só por ser uma obra dele, mas também para conferir como a Darkside lidaria com o material e fiquei muito impressionada.
Se tivesse que mudar algo, mudaria apenas a fonte, com a qual não estou muito familiarizada, mas acabou funcionando no sentido do “incômodo” ao ler uma obra desse tipo.
Considero 59,90 um preço justo, não só pelo acabamento da obra, mas pela abertura que ela dá para que mais publicações do tipo continuem vindo. Acredito que, apesar da crise, o mercado está maduro o suficiente para receber mangás assim e que há espaço para todos, basta aproveitar da melhor maneira.
Agradecemos muito ao pessoal da Darkside Books por acreditar na gente e nos mandar o exemplar para análise.
Mais uma vez as viagens de Inio Asano chegam às bancas brasileiras, porém agora pela editora Panini.
A Cidade da Luz (Hikari no Machi) é um mangá de volume único, no qual histórias cotidianas nos fazem pensar no que a vida reserva para cada um de nós. Confira neste JMangá.
A história
Construída em um lugar onde antes só havia uma colina, esta cidade é chamada pelos moradores de Cidade da Luz. Nela, todos os dias, histórias se entrelaçam em algum momento, enquanto é sobrevoada por um ônibus no qual espíritos sobem para chegar ao seu destino final.
Enquanto isso, na Cidade da Luz, um garoto atua como acompanhante de suicidas, sem saber que o pai de sua melhor amiga é um de seus clientes. A garota, por sua vez, persegue um homem que a esfaqueou sob alegação de ser um stalker, mas a verdade é bem diferente.
Um mangaká que nunca cumpre os prazos anda pela cidade com sua namorada buscando referências, enquanto pensa em como a vida pode ser diferente de acordo com as escolhas que fazemos.
Uma professora primária vai parar de dar aulas para se casar, sem saber que um de seus alunos, na verdade, é parte de alguém que ela conhece há muito tempo e foi obrigada a se afastar pelas circunstâncias da vida.
O pretenso stalker luta para comprar novamente a Cidade da Luz e fazê-la voltar ao que era antes, ao mesmo tempo em que tenta viver em paz com sua nova família.
Em todas as histórias, percebe-se um tom de melancolia. Quando elas se entrelaçam, os personagens entendem seu papel em suas vidas e tomam suas próprias decisões, baseadas no que esperam delas daí em diante.
A edição brasileira
Imaginei que, por ser um volume único, que a Cidade da Luz viria em papel off-set, mas o pisa brite foi a estrela da vez.
A capa com laminação opaca deu destaque à ilustração e o projeto gráfico simples contrastou com o visual da obra, resultando em uma edição interessante.
A tradução ficou a cargo de Lídia Ivasa e a edição dividida entre Beth Kodama e Beatriz Bevilacqua.
Opinião
Acho as obras de Inio Asano interessantes e, ao mesmo tempo, instigadoras. Nem sempre o que parece certo é o certo, e aquilo que, para nós certamente é errado, pode não ser tão errado assim.
Seus personagens são pessoas comuns, que passam por situações comuns, mas permeadas por um véu sobrenatural que tornam as histórias mais humanas do que deveriam ser. A melancolia já mencionada pode ser considerada como um dos personagens e dá o tom de toda a obra, uma das mais intrigantes lançadas neste ano.
Para aqueles que, como eu, gostam de histórias que fazem pensar no sentido da vida, A Cidade da Luz é uma ótima opção.
Agradecemos à Editora Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.
A estratégia para atrair Scar e os homúnculos deu certo até demais e os irmãos Elric precisarão contar com mais do que suas habilidades para escapar dessa. Confiram neste JMangá.
Nesta edição
Durante a luta, Scar diz muitas verdades aos irmãos Elric, que não têm como discordar de tudo. Dentre tantas coisas despejadas enquanto se enfrentam, Ed questiona o porquê dele ter matado o casal de médicos que o salvou na guerra de Ishval e Winry escuta, causando um momento de grande tensão emocional.
Lin e Ranfun estão com problemas para enfrentar Bradley, mas a garota sacrifica seu próprio braço para servir de isca enquanto Lin consegue prender Gula, com a ajuda de Ed e Al.
Ajudado por May Chang, Scar consegue fugir. Os irmãos Elric e Mustang levam Gula para fazer perguntas enquanto Ranfun recebe cuidados médicos. Lin aproveita para revelar a eles que King Bradley é um homúnculo, o que deixa Mustang ainda mais motivado a prosseguir com seu plano.
Eles só não contavam que Gula conseguisse se soltar, movido pelo ódio contra aquele que matou Luxúria e, com isso, provocar a destruição do local onde estavam e atrair Inveja para a “festa”…
Conclusão
King Bradley é realmente um homúnculo. Como essa informação poderá ajudar os irmãos Elric e Mustang a entender o exército? Será que Gula e Inveja permitirão que eles saiam vivos desse confronto?
Estamos no volume 12, mas Fullmetal Alchemist ainda tem muita lenha pra queimar e muitas perguntas para responder. Os problemas de Ed, Al, Mustang e Lin estão apenas começando e nem todos poderão ser resolvidos apenas na base da troca equivalente.
Agradecemos à editora JBC por ter enviado o exemplar para análise.
Chegamos ao JMangá #150!!! Para comemorar, decidimos trazer de volta um dos mangás mais queridos já publicados no Brasil, mas também um dos mais injustiçados: Fushigi Yuugi.
Yuu Watase nos brindou com uma história cheia de reviravoltas, intrigas e algumas tristezas, porém a amizade e o amor triunfaram no final. Essa trama incrível é a estrela do JMangá edição 150!
Relembrando a história
Miaka Yuki é uma estudante ginasial como qualquer outra: não se destaca em particularmente nada que não seja comer tudo o que vê pela frente, frequenta cursinho para passar no vestibular por pressão da mãe e vive à sombra da melhor amiga, a atraente e super inteligente Yui Hongo.
Um dia, quando as duas amigas estão na sessão reservada na biblioteca, acabam se deparando com um livro interessante, o Shijin Tenchisho (em uma tradução ao pé da letra, seria algo como “Livro dos Quatro Deuses do Céu e da Terra”, ou ainda do “Universo”). Ao começar a ler o livro, acontece um terremoto e as duas amigas são transportadas para dentro do livro.
Quando aterrissam no mundo do livro, se envolvem em uma confusão e são salvas por um belo rapaz, que tem um kanji tatuado na testa (鬼 – oni, “demônio”). Antes mesmo que elas pudessem sacar o que estava acontecendo, ambas estão de volta à biblioteca, sem entender absolutamente nada.
Mais tarde, de volta à sua casa, Miaka briga com a mãe e resolve esquecer um pouco dos problemas da vida real, lendo o livro misterioso na biblioteca. Ao se concentrar, entra novamente no mundo do livro e, depois de muitas reviravoltas, aceita se tornar a Suzaku no Miko (algo como a Sacerdotisa de Suzaku). Agora, com a ajuda de sete guerreiros (Seishis) que têm nomes de estrelas tatuados em algum lugar de seus corpos, deverão chamar o deus Suzaku e proteger o povo do país de Konan para sempre.
Miaka aceita a missão e acaba se apaixonando por Tamahome, o rapaz que a salvou dos problemas que arranjou logo que caiu dentro do livro e que, por acaso, é um dos seishis. O problema é que, ao tentar trazer Miaka de volta ao mundo real, Yui é tragada novamente para o livro. Graças à um grande mal entendido, a garota é enganada e acaba aceitando tornar-se a Seiryu no Miko, protegida do deus padroeiro do país rival de Konan, Kuto.
Após muitas lutas, intrigas, lágrimas e mortes, Miaka finalmente consegue chamar Suzaku, limpar a bagunça feita por Yui e ficar com Tamahome… o que nos leva à segunda (e desnecessária) fase da trama.
O coração de Tamahome
Na história, é dito que a Miko não deve se apaixonar por um seishi, pois eles são de mundos diferentes e, teoricamente, os deuses não deveriam interferir no “mundo real”. Como o poder do protagonismo é forte em nossa espevitada heroína, Miaka e Tamahome superam esse obstáculo e o rapaz renasce na Terra como Taka Sukunami, um universitário que se recorda de sua vida passada e do amor que sentia por alguém, a quem reencontra com uma ajudinha do destino.
O problema é que Taka ainda é um ser humano incompleto, pois parte do seu coração ficou no livro, dividido em sete partes que estão em locais que remetem a cada um dos seishis.
Para que Taka não desapareça do mundo real, mais uma vez Miaka usará o poder de Suzaku para derrotar as trevas que querem tomar conta da Terra e, de quebra, recuperar os fragmentos de memória (teria Tsubasa do CLAMP bebido dessa água?!). A batalha é árdua, mas com a ajuda de todos e o amor profundo que une as almas de Miaka e Taka (Tamahome), eles vencem mais uma vez todas as dificuldades e conseguem ficar juntos para sempre.
A edição brasileira
No Brasil, Fushigi Yuugi teve 36 volumes (cada volume original foi dividido em dois, como prática comum na época). Os volumes 1 a 20 foram traduzidos por Dirce Miyamura e os demais por Ricardo Cruz.
Na primeira fase de tradução tudo correu praticamente às mil maravilhas, com alguns apontamentos:
– Quando os seishis e Miaka precisam viajar para um dos países vizinhos, Hokkan, o nome do país foi mantido como Hokkankoku. Esse “koku” quer dizer “país” e já tinha sido retirado de Konan e Kuto (o país protegido pela Seiryu no Miko) e acabei ficando sem entender porque foi mantido em Hokkan e Sairou (lar de Byakko).
– Quando Amiboshi (ainda disfarçado de Chiriko) se oferece para tocar qualquer música que Miaka deseja a pretexto de animá-la, as várias bandas que a garota sugere são adaptadas para Backstreet Boys e Dreams Come True. Dessas duas, a segunda é japonesa e, já que foi feita uma adaptação, poderiam ter adaptado todas para algo mais familiar aos brasileiros, mas ainda assim nada que atrapalhasse o bom andamento da obra até então.
Bandas para todos os gostos
Já na segunda fase de tradução, os honoríficos foram meio esquecidos: Yui-sama virou senhorita Yui ou só Yui em algumas falas de Nakago, que sempre se dirigia à ela com respeito, assim como os demais seishis de Seiryuu. A maioria das onomatopeias não foram adaptadas para algo mais próximo da realidade brasileira e muitos nomes tiveram várias grafias, como os de Byakko, Chiriko e do próprio Shijin Tenchisho, que na segunda fase virou Shijin Tenchinosho (não tenho os volumes que correspondem à segunda fase do mangá em japonês para ver se é justificado, mas é algo para se pensar) e a Montanha Reikaku, lar de Tasuki e seus companheiros de bando, que virou Reikakuzan (este “zan” aí seria de “montanha”. Além disso, os errinhos de revisão tornaram-se constantes, alguns bem explícitos.
Errinho de revisãoMais um errinho de revisão
Mesmo isso é possível relevar, afinal, ninguém é perfeito… Até que no volume 24 brasileiro, algo me chamou muito a atenção: nesta parte da história, Tamahome está no mundo real, pensando em tudo o que descobriu sobre sua condição como personagem de um livro. A briga de um casal chama sua atenção e, na versão brasileira, dá a entender que ele só prestou atenção porque o rapaz chama a companheira de Miaka… mas isso não acontece na versão japonesa.
Tem uma Miaka a mais aí…
Na verdade, o casal está brigando por banalidades e Tamahome presta atenção porque um dos dois grita algo como “Já chega!”; logo depois, o diálogo dos dois fazendo as pazes meio que remete à situação dele com Miaka e é aí que ele decide lutar sem se importar com o que irá acontecer.
Além disso, na segunda fase, ao recuperar um fragmento de memória, Hotohori comenta com Taka que se lembra de quando Tamahome curou Miaka de um grave veneno apenas com seu amor. Na verdade, Tamahome estava enfeitiçado por um veneno ministrado por Yui quando ele esteve em Kuto como refém e acabou se esquecendo de Miaka. Ele luta com Hotohori e fica à beira da morte, e então o efeito é revertido quando a garota o força a se lembrar de tudo o que passaram juntos.
Quem curou quem, Hotohori sama?
Com relação aos volumes, a partir do volume 22 a Conrad passa a utilizar o pisa brite, o que deixou muita gente aborrecida. Além disso, creio que por conta da quantidade de páginas para fechar cada volume, muitos capítulos foram interrompidos na metade ou quase no término, o que prejudicava o clímax de cada volume. No volume 15, a última página da história foi impressa na contra-capa!
Final do volume 15 brasileiro
Já as capas, bem diferentes da versão original, eram um espetáculo à parte… mas a do volume 7 ilustrava um senhor spoiler para quem estava apenas começando a ler a obra, pois trazia Tamahome vestindo armadura de guerra e Miaka toda estropiada, com o símbolo de Suzaku na testa, o que acontece apenas no final da primeira fase.
Alguém pediu um spoiler?
As capas dos volumes 8 e 21 também eram idênticas, o que obrigou a editora na época a usar o recurso da “luva”, para que os leitores tivessem certeza que estavam adquirindo um volume novo.
Encontre os sete erros
Mesmo com todos esses detalhes, a sessão de cartas era algo muito bacana de se ler e que esperávamos com fervor. Cassius Medauar (atual editor JBC) e Sidney Gusman (atual editor da MSP) respondiam as cartas de forma muito divertida e criativa, nos fazendo sentir mais próximos do mangá. Depois deles, outros editores assumiram a função sem perder o bom humor e a paciência que beirava o infinito.
Continuações
Muitos anos depois, Watase-sensei escolheu contar a história da primeira garota que entrou no Shijin Tenchisho, a vibrante e intrépida Takiko Osugi. Ela tinha problemas com o pai por ele ter abandonado a esposa tuberculosa e não dar atenção à família.
Ao entrar no mundo do livro após uma briga feia com o pai, Takiko vai parar no congelante país de Hokkan, onde conhece Rimudo (ou Limudo, em algumas romanizações), um bandido temido por ter matado mil pessoas e conhecido por todos como Fuuzanki Rimudo (Demônio do Vento Rimudo).
A princípio, Takiko acha que Rimudo é uma garota, mas quando seu poder está desativado ela volta à sua forma original, um belo rapaz. Seu nome seishi é Uruki, representado pelo kanji 女 (onna – mulher), que aparece em seu peito. Mais tarde, descobre-se que ele é o príncipe herdeiro de Hokkan, além dele se apaixonar por Takiko, que retribui seus sentimentos apesar das circunstâncias.
Devo dizer que a história é muito superior à primeira, com uma protagonista que não hesita nem estando descalça no meio de uma nevasca e um mocinho que vira mocinha em uma clara homenagem ao clássico Ranma 1/2. Os seishis são apaixonantes e obstinados e é claro que Watase-sensei vai partir seu coração matando os personagens mais populares… Mas devo dizer que, mesmo sabendo o final por conta do primeiro Fushigi Yuugi, você não vai se arrepender de ler a obra e vai se emocionar, afinal, a verdade nem sempre é o que parece.
Há rumores de que, a partir de agosto, será serializado mais um prequel de Fushigi Yuugi, intitulado “Byakko Hen” e continuação direta do one shot “Fushigi Yuugi – Byakko Ibun”, publicado em 2015 e ainda não transformado em tanko.
Opinião
Apesar dos pesares, a editora Conrad teve seu mérito não apenas de ser a primeira a lançar mangás no Brasil com leitura no sentido oriental, como também dar a cara a tapa ao lançar um título sem o apoio do anime passando na televisão ao mesmo tempo, ou seja, praticamente desconhecido da grande maioria dos brasileiros.
Fushigi Yuugi é uma história fantástica e envolvente, que merecia uma republicação em um formato durável, com direito a uma revisão apurada em muitos aspectos. Isso possibilitaria não só uma versão mais fiel ao original que agradaria aos fãs, como também traria leitores novos e, quem sabe, a versão em português do prequel de Genbu?
Em uma época na qual vários mangás consagrados estão ganhando republicações dignas de respeito, nada impede que, um dia, esta obra tão incrível de Watase-sensei ganhe as bancas novamente. Além de Fushigi, ela tem obras incríveis como o polêmico Sakuragari, o triste Ayashi no Ceres e mesmo o injustiçado Arata Kangatari, um dos títulos da Panini que está atualmente na geladeira da editora. Não sei qual o problema do Brasil com a obra desta autora, mas tenho esperança que um dia isso mude.
Agradecimentos especiais ao Giuliano Peccilli, que me emprestou sua coleção brasileira de Fushigi Yuugi e à Karen Kazumi, que me esclareceu uma duvidazinha na adaptação do termo “Shijin Tenchisho”.
Para aqueles que acham que Akira Toriyama só sabe desenhar brucutus lutando entre si contra adversários cada vez mais fortes que acham isso o máximo, fiquem sabendo que não é bem assim.
Nos anos 80, Dr. Slump figurava nas páginas da Jump e fez muito sucesso como uma comédia nonsense (põe nonsense nisso). Alguns anos depois de ter sido lançado no Brasil pela editora Conrad e cancelado na 14a edição (correspondente à 7a edição japonesa), o mangá volta às bancas brasileiras, desta vez em um tanko completo e pela editora Panini. Venha conhecer essa obra divertida neste JMangá!
A história
Senbe Norimaki é um cientista, mas não tem nada de genial, tanto é que seu apelido é Dr. Slump (Dr. Fracasso). Um dia, ele resolve criar uma androide que, em teoria, pode passar por uma humana perfeita e assim nasce Arale Norimaki, uma simpática garotinha com aparência de 13 anos de idade.
O problema é que Arale é qualquer coisa, menos normal. E, como ela não tem experiência alguma em agir como um ser humano, as mais improváveis confusões vão acontecer a partir daí.
Apesar de ser míope (sim, Senbe criou um androide míope), Arale tem todas as outras habilidades humanas super ampliadas, como a força, inteligência (apesar dela não usar muito), velocidade e jovialidade, mas a que ela mais usa é a capacidade de ser sem noção e de se meter em encrencas. Após fazer amizade com os delinquentes do ginásio Akane Kimidori, Taro Soramame e P-Suke Soramame, Arale vive dias divertidos na Vila Pinguim, enquanto se adapta à vida de humana.
Cada capítulo é praticamente uma historinha à parte, não havendo muita linearidade. Praticamente no final de cada um deles, tem uma atividade para crianças, como jogos para encontrar os erros ou ilustrações para colorir, tudo com o humor a la Toriyama, já conhecido de todos.
A reedição brasileira
Diferente da sua primeira publicação pela Conrad, esta versão de Dr. Slump da Panini veio como tanko completo, mas com papel pisa brite, como a maioria dos shonen da editora.
A tradução ficou por conta de Drik Sada e a edição, sob responsabilidade de Bruno Zago.
Opinião
Dr. Slump é um mangá da década de 80, portanto, com o humor peculiar da época.
As situações pelas quais Arale passa são engraçadas, mas na maioria das vezes irritantes, pois ninguém consegue ser tão sem noção assim, mesmo considerando que ela é uma androide que acabou de “nascer”. Talvez por esse fato, ela seja capaz de fazer de cabeça uma conta matemática de nível universitário, mas não tenha a sutileza de se comportar como um ser humano.
Em defesa da protagonista, o exemplo que ela tem em casa não é dos melhores e suas companhias na escola também não são as mais adequadas para sua suposta idade (Akane, sua melhor amiga, falta à escola porque tem ressaca, e ela só tem 13 anos).
Neste primeiro volume ainda existem poucas piadas escatológicas, mas o duplo sentido reina soberano, algo que também era observado no comecinho de Dragon Ball.
Posto isso, Dr. Slump é aquele mangá que a gente deve ler de forma descompromissada, sem esperar nada que transforme sua vida. Mesmo que você revire os olhos em alguns momentos, abra a mente e dê umas boas gargalhadas, afinal, temos uma boa dose de realidade todos os dias e não tem necessidade de ficar problematizando tudo. Divirtam-se!
Agradecemos à Editora Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.
Na edição anterior, Mustang derrotou Luxúria à custa de uma baixa em sua equipe, enquanto Ed tem dois reencontros: um deles foi um alento à sua alma culpada e o outro, uma afronta ao seu atual modo de vida. Vamos acompanhar o desenrolar desses acontecimentos neste JMangá.
Nesta edição
Ed encontra seu pai e o confronta, mas Hohenheim não deixa por menos e faz com que o filho escute algumas verdades. Conversando com Pinako, o pai dos garotos levanta algumas dúvidas: a criatura era realmente Trisha Elric, levando em consideração suas características?
Com a ajuda de Pinako, Ed enfrenta seu trauma e exuma os restos mortais da criatura, descobrindo a verdade: aquilo que eles transmutaram não era sua mãe. Posto isso, o Alquimista de Aço entende que é possível trazer seu irmão de volta.
Por conta da lesão grave sofrida na luta contra Luxúria, Havoc se aposenta do exército, mas Mustang deixa claro que ainda tem planos para ele.
Com a ajuda de Lin e Mustang, Ed planeja atrai Scar e, por conseguinte, os homúnculos, que não deixarão que nada lhe aconteça por ser um dos “preciosos sacrifícios”. Este plano revela-se acertado, mas Lin não contava com o reforço trazido por Gula…
Conclusão
As coisas finalmente estão se encaixando para os irmãos Elric e Mustang parece estar no caminho certo para entender em que situação o exército se encontra. Até onde King Bradley deixará que avancem?
Agradecemos à editora JBC por ter enviado o exemplar para análise.
Gosta de shoujo com um toque de sobrenatural? Então este título da Panini foi feito para você.
Last Notes tem apenas três volumes, uma história graciosa e envolvente e é da mesma autora de um dos shoujo mais legais que a Panini já publicou por aqui, Kanoko Sakurakouji (Black Bird). Confira nossas impressões neste JMangá.
A história
Emiru Goshima é uma garota simples, que vive com o avô em uma casinha no interior. Um dia, ela recebe uma notícia que a tira de sua zona de conforto, algo impensável para ela.
Aki e Haru Nitou são dois belos rapazes que cuidam de uma loja de incensos caindo aos pedaços. Além das mercadorias convencionais, na loja também pode ser encontrada uma madeira misteriosa chamada “Hangonkou”, que dizem mostrar no meio da fumaça a imagem do falecido que desejamos rever.
Lindo encontro proporcionado pelo Hangonkou
Emiru acaba indo parar na loja dos rapazes, já que seu avô fornecia as madeiras aromáticas que são a matéria prima para os incensos vendidos por eles, inclusive o Hangonkou. O que eles não sabem é que esse encontro mudará suas vidas para sempre, pois agora Aki e Haru serão responsáveis por Emiru e a garota irá aprender que, no meio da adversidade, pode acontecer algo bom.
A edição brasileira
Last Notes foi publicado no mesmo modelo de outros shoujo publicados pela editora: papel jornal, sem páginas coloridas ou orelhas. Curiosamente, esta edição não traz o tradicional glossário de termos.
Capa brasileira de Last Notes
A tradução ficou por conta de Karen Kazumi Hayashida, edição de Camila Cysneiros e letras por Diógenes “Dih” Diogo.
Opinião
Emiru me lembra muito Tohru Honda, heroína de Fruits Basket: uma garota simples, apegada na família e que, por circunstâncias alheias à sua vontade, passa a morar com jovens belos e ricos em troca de favores domésticos.
Apesar de não ser nada original, Last Notes traz personagens carismáticos, uma trama simpática que provavelmente vai desembocar num romance. Eu particularmente torço por Aki, que desde o princípio reconheceu os talentos (?!) de Emiru e insistiu para que ela morasse com eles.
Mesmo sendo ficção, acho importante levar em consideração de uma mensagem que o mangá traz: diga as coisas importantes para aqueles que ama antes que seja tarde demais. Isso vale tanto para os que já se foram, quanto para os que ficam, afinal, enquanto estamos vivos as coisas podem acontecer e se transformar.
Agradecemos à editora Panini por ter enviado o exemplar para análise.
Enquanto Ed é sequestrado pelo Major Armstrong, os subordinados de Mustang e Lin Yao estão enfrentando inimigos complicados. Fique agora com a edição 10 de Fullmetal Alchemist neste JMangá.
Nesta edição
A batalha com os homúnculos Inveja e Gula está deixando todos os envolvidos perplexos: por que eles não morrem, mesmo atingindo pontos vitais e o que eles realmente são?
Contrariando o combinado com seus subordinados, Mustang aparece para dar cobertura e, enquanto deixa Lin e Ran lutando, resolve seguir o corpo verdadeiro de Barry, que foge em disparada em direção ao Terceiro Laboratório.
Luxúria já está esperando por todos no local e o que ela revela à Mustang e seus companheiros é algo inacreditável. Por um momento, ela leva a melhor sobre o Alquimista das Chamas, mas ainda precisa dar um jeito nos outros invasores.
Próximo às ruínas de Xerxes, Ed finalmente descobre o verdadeiro destino de Maria Ross e encontra-se com sobreviventes da guerra de Ishval, que revelam como os pais de Winry morreram. Ao voltar para Resembool, resolve visitar o túmulo do casal de médicos e vê uma silhueta conhecida diante do túmulo de sua mãe, pertencente a uma pessoa de quem ele tem ódio.
Conclusão
A cada edição, a trama de Fullmetal Alchemist evolui de forma espetacular. Segredos são revelados e novos personagens apresentados, mas sem nunca perder o foco da história.
Qual o destino terrível que os homúnculos parecem tecer para Amestris? As próximas edições serão decisivas para responder essa pergunta.
Agradecemos à editora JBC, que nos enviou o exemplar para análise.
Uma das obras mais aguardadas e ovacionadas pelos fãs quando anunciada pela Panini, Nisekoi chega às bancas brasileiras para conquistar os fãs de comédias românticas exageradas. Contamos nossas impressões neste JMangá.
A história
Raku Ichijou é um colegial normal como tantos outros, exceto pelo fato de que é herdeiro de uma família yakuza, o que lhe traz um enorme leque de inconvenientes no seu dia a dia.
Além disso, ele fez uma promessa há dez anos com uma garotinha: ele ficaria com o cadeado, e ela com a chave. Quando eles crescessem e se reencontrassem, o cadeado seria aberto e eles se casariam. Tudo muito lindo e romântico, exceto pelo fato de que Raku não se lembra mais do rosto da garota.
Capa brasileira de Nisekoi
Ele tem uma queda por uma colega da escola, Kosaki Onodera. Ela é uma garota educada, esforçada e querida por toda a classe, e é claro que Raku nunca expressou seus sentimentos.
Ao chegar na escola, distraído e pensando na vida, ele é atingido por uma garota aleatória, que pulou o muro e aterrissou bem em cima dele. A garota é Chitoge Kirisaki, sua nova colega de classe e atual fonte dos seus problemas.
Eles nunca mais foram os mesmos depois desse “encontro”…
Como se não bastasse tudo isso, Raku descobre que, para apaziguar a briga entre duas famílias yakuza rivais, terá que namorar com a filha do outro chefe yakuza da região que é ninguém menos que Chitoge.
Ambos terão que fingir muito bem estarem apaixonados, ao mesmo tempo em que Raku tenta descobrir se a garota com quem fez a promessa está por perto… quem sabe?
A edição brasileira
Nisekoi foi publicado no mesmo formato da maioria dos mangás da editora: papel pisa brite, sem orelhas, sem páginas coloridas.
Capa interna da edição brasileira de Nisekoi
A tradução ficou por conta de Fernando Mucioli.
Palavra do autor
Opinião
Apesar do mangá ser bem engraçado, achei esse lance da promessa bem parecido com Love Hina e a Chitoge uma espécie de Asuka: mestiça, bonita, faz pose de educada para fazer amizades mas no fundo é bem grosseira, com alguns momentos fofos (poucos, até o momento).
O lance da família yakuza não é novidade, mas os personagens são um dos alívios cômicos da obra e estão bem nesse papel. Raku é um protagonista interessante e Kosaki pode surpreender se deixar a personalidade “Shinobu” de lado em algum momento e lutar pelo que quer com todas as suas forças.
Divertido, mas não preza pela originalidade. Não estou torcendo para nenhuma das duas no momento, mas a história só está começando.
Agradecemos à editora Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.
Meses depois de relançar Lobo Solitário em versão definitiva, a Panini traz Novo Lobo Solitário, a continuação direta do clássico da dupla Koike & Kojima.
Se você ainda não leu Lobo Solitário na íntegra, esteja preparado para spoilers e venha dar uma olhada neste JMangá.
A história
Itto Ogami e Retsudo Yagyu jazem mortos no chão. No local do fatídico duelo, sobrou apenas Daigoro Ogami, agora órfão e sem lugar para ir.
Deitado ao lado do corpo sem vida do pai, Daigoro chora lágrimas silenciosas e acaba dormindo por exaustão. Um homem se aproxima, recolhe a criança e lhe dá de beber. Quando Daigoro acorda, demonstra não querer sair de perto do pai, mas o forasteiro demonstra ser de confiança. Ele se apresenta como Shigekata Togo, do estilo Jigen-Ryu de Satsuma, e promete à alma de Itto que cuidará do garoto.
O desfecho sangrento de uma luta que durava há tempos
Assim sendo, Shigekata crema os corpos e parte com Daigoro, que está triste por ter perdido o pai, porém consciente que está sob os cuidados de um grande homem. Enquanto isso, a terceira família que serve ao governo, o clã Hattori de espiões, recebe uma importante visita que os deixa a par da atual situação e lhes dá uma tarefa mortal.
Para cumprir a missão com sucesso, eles precisarão de um guerreiro nativo de Satsuma e, com isso, passam a perseguir Shigekata e Daigoro. A criança, ainda em luto por seu pai, aos poucos passa a confiar no espadachim. Já Shigekata se esforça para ensinar tudo o que sabe à Daigoro e assim, ambos seguem novamente no Meifumado, embora talvez com um novo fio de esperança em suas vidas.
Qual o intuito de revisitar um clássico?
No posfácio de Kazuo Koike, ele diz que Goseki Kojima, responsável pela arte de Lobo Solitário, partiu sem que ele terminasse de contar tudo o que queria, especialmente sobre Daigoro.
Segundo ele, as pessoas ainda queriam saber o destino do menino, mas ele não podia ir adiante já que a outra pessoa que deu alma à história já não estava mais entre nós… Mas Hideki Mori provou com suas atitudes e seu desenho que poderia assumir a tarefa, mas sem deixarem de creditar a arte original à Kojima.
Com permissão da viúva de Kojima, Koike e Mori retornam àquela triste cena onde a batalha entre Ogami e Yagyu tem fim, deixando Daigoro sob os cuidados de um guerreiro tão valoroso como fora seu pai.
A edição também traz uma espécie de estudo sobre alguns pontos da obra original, que é bem interessante e agrega bastante à visão que cada um tem de Lobo Solitário.
A edição brasileira
Novo Lobo Solitário segue o mesmo estilo de edição da republicação de seu antecessor: papel off-set e orelhas. As primeiras páginas do primeiro capítulo são coloridas.
Página colorida da versão brasileira de Novo Lobo Solitário
A tradução ficou com Drik Sada, edição de Beth Kodama e letras de Ricardo Santana.
Opinião
Li a primeira edição de Lobo Solitário publicada pela Panini na íntegra, e ao chegar no final tinha certeza de que não haveria conclusão melhor. Não fiquei incomodada com o destino do menino, já que ele deu diversas mostras de que se viraria muito bem sem pai, afinal, filho de Lobo, Lobo é.
Apesar de entender a posição de Kazuo Koike, achei desnecessário revisitar o clássico. Shigekata é um bom protagonista, mas não me convence de que é alguém de que Daigoro aceitaria facilmente no lugar de seu pai, mesmo sendo pequeno.
Daigoro jogando as cinzas do pai no mar
Claro que ainda estamos no começo da trama, mas não sei se ela vai se tornar relevante a ponto de colocarmos ao lado da grandiosidade que foi toda a trama de Lobo Solitário.
Agradecemos à editora Panini, que nos cedeu o exemplar para análise.