Primeiro longa-metragem do cineasta brasileiro Thales Banzai, Antônio Odisseia terá sua première mundial no Slamdance Film Festival, um dos principais festivais dedicados a primeiros longas, curtas e produções independentes sem distribuição comercial. O evento acontece entre 19 e 25 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Coprodução entre Brasil e Estados Unidos, o filme foi selecionado entre mais de 10 mil títulos inscritos, integrando uma programação historicamente associada a obras autorais, radicais e fora do circuito tradicional.
Uma odisseia urbana entre o cotidiano e o delírio

Na trama, Antônio e sua melhor amiga, Ivone, decidem assaltar o boteco onde ele trabalha para roubar uma nova droga traficada pelo dono do local. O plano, que deveria ser uma saída imediata, se transforma em uma viagem delirante por uma metrópole surreal, marcada por encontros improváveis — incluindo um embate direto com Deus.
O filme nasce de um argumento desenvolvido por Thales Banzai em parceria com Kelson Succi, que também assina o roteiro e interpreta o protagonista. A narrativa acompanha o deslocamento físico e mental dos personagens, misturando crítica social, humor ácido e espiritualidade em uma jornada que recusa respostas fáceis.
Segundo Banzai, Antônio Odisseia é um filme que evita caminhos óbvios e aposta na dúvida como motor dramático. O projeto reflete inquietações compartilhadas por seus criadores, vindos de contextos sociais distintos, mas atravessados por questões comuns sobre pertencimento, desigualdade e identidade.
Ecos do cinema brasileiro marginal

Ambientado em uma cidade que se parece com São Paulo, mas nunca se afirma como tal, o longa constrói um espaço simbólico onde o real e o delírio coexistem. Banzai dialoga diretamente com o cinema brasileiro provocativo das décadas de 1960 e 1970, evocando o espírito underground de Rogério Sganzerla e o pensamento político de Glauber Rocha.
Essa herança aparece não como citação direta, mas como atitude: uma recusa à linearidade, ao conforto narrativo e às convenções clássicas de gênero.
Elenco e participações especiais
O filme é estrelado por Kelson Succi, Iraci Estrela e Sandro Guerra, e conta com participações especiais de nomes centrais da cultura brasileira, como Leci Brandão, que também integra a trilha sonora, e Antônio Pitanga. O elenco inclui ainda Luiz Bertazzo e a saudosa Teuda Bara, em um de seus últimos papéis no cinema.
A trilha original é assinada por Kiko Dinucci, com arranjos de Arthur Verocai, reforçando o caráter ritualístico e sensorial da experiência.
Um filme sobre missão, fé e ruptura
Em Antônio Odisseia, a fuga não é apenas geográfica. Para o protagonista, mudar de vida se torna uma missão existencial, atravessada por memórias traumáticas, armadilhas simbólicas e um confronto direto com a ideia de divindade e destino.
O resultado é um filme que transforma a jornada em estado mental, convidando o espectador a acompanhar uma travessia instável, política e profundamente brasileira, mesmo quando filmada entre fronteiras.
Antônio Odisseia (Tony Odyssey)


Brasil / EUA | 2025 | 105 min
Direção: Thales Banzai
Roteiro: Kelson Succi
Produção: Thales Banzai, Camila Cornelsen, Mario Peixoto
Música original: Kiko Dinucci
Arranjos: Arthur Verocai
Première mundial no Slamdance Film Festival em fevereiro de 2026.


