InícioCríticasCrítica | Com boas surpresas, “A Empregada” pode se tornar destaque do ano

Crítica | Com boas surpresas, “A Empregada” pode se tornar destaque do ano

Já conhecido entre aqueles que leram os livros, A Empregada chegou aos cinemas em janeiro sem fazer muito alarde. Ainda assim, não apenas se destacou, como foi crescendo na bilheteria brasileira semana após semana. Seu sucesso foi tanto que desbancou títulos como Avatar: Fogo e Cinzas, alcançando a cobiçada primeira posição.

Adaptado do livro de Freida McFadden, o sucesso foi mundial a ponto de a saga literária logo receber sinal verde, com sua continuação já confirmada pela Lionsgate lá fora. Aqui no Brasil, o filme chegou pela Paris Filmes, com direção de Paul Feig e elenco encabeçado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried.

Com um suspense psicológico clássico, A Empregada parte da premissa de que todo mundo tem segredos. Sua construção, ao apresentar camadas da história aos poucos, mostra que nem tudo é exatamente como enxergamos à primeira vista.

Mas, sendo um sucesso comercial como demonstrou ser… qual é o segredo de A Empregada?

Uma protagonista marcada pelo passado

Amanda Seyfried as Nina Winchester and Sydney Sweeney as Millie Calloway in The Housemaid. Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

Conhecemos Millie, interpretada por Sydney Sweeney, uma ex-presidiária em liberdade condicional que tenta reconstruir a própria vida em meio ao peso constante do julgamento social. Morando dentro do carro e conseguindo apenas empregos simples, a chance de trabalhar na casa dos Winchester surge como a grande oportunidade de dar um salto em sua vida.

É nesse momento que Millie acredita ter encontrado seu recomeço profissional, ao ser entrevistada por Nina Winchester, vivida por Amanda Seyfried. Nina é a típica “dondoca”, com uma vida aparentemente fútil, que não parece se preocupar com detalhes considerados sem importância, a ponto de não pesquisar o passado de Millie e descobrir que ela era uma ex-presidiária.

Após alguns dias sem resposta, Millie acredita que seu plano não deu certo. Porém, seu telefone toca: é Nina, pedindo que ela comece o trabalho com urgência. Ao chegar à casa dos Winchester, Millie percebe que o novo emprego exige também um novo papel social, incluindo a troca de telefone e o cumprimento de regras, mesmo que não estejam claramente escritas. Aos poucos, seu dia a dia vai se tornando um verdadeiro isolamento.

Morar no sótão é a cereja do bolo: um quarto onde não se ouve nada, a janela não abre e que, inicialmente, não tem chave. Millie percebe que terá de engolir muitos sapos para realmente recomeçar sua vida.

Paralelamente, conhecemos Andrew Winchester (Brandon Sklenar), que inicialmente não vai muito com a cara de Millie, mas acaba se acostumando com sua presença, protagonizando diversas cenas de pequenos encontros pela casa.

Além disso, há o misterioso jardineiro italiano Enzo Accardi (Michele Morrone), que monitora todos os passos de Millie. Mesmo trocando poucas palavras, Enzo se estabelece como uma figura claramente desconfiada de sua presença.

Por fim, temos Cecelia “Cece” Winchester (Indiana Elle), filha de Nina e Andrew, que apresenta um temperamento bastante parecido com o da mãe. Millie tenta a todo custo conquistar Cecelia, mas a tarefa não será nada fácil.

É nesse contexto que Millie se acostuma à rotina de arrumar a casa e até às loucuras de Nina, que dá ordens e, horas depois, esquece completamente do que pediu. Andrew, por sua vez, se mostra o elemento mais “normal” da casa, ao se oferecer para pagar os ingressos de um show da Broadway que Millie comprou a pedido de Nina, mas que depois foi alertada de que a compra havia sido feita para um dia em que Nina já tinha outro compromisso.

A traição

Sydney Sweeney as Millie Calloway and Amanda Seyfried as Nina Winchester in The Housemaid. Photo Credit: Daniel McFaddenThe Housemaid. Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

A Empregada passa a apresentar novas camadas de sua história a partir das conversas entre Andrew e Millie pela casa, até que ele se oferece para ir ao musical com ela, já que Nina teria um compromisso naquele dia.

Ambos se divertem e acabam dormindo em um hotel na região. As mensagens de Nina anunciando a demissão de Millie acabam aproximando ainda mais os dois, levando-os para a cama pela primeira vez.

De volta à casa, Nina finge não se lembrar de nada e revela que Millie é uma ex-presidiária. Deixando claro que sempre soube de seu passado, Nina começa a mostrar que não é a “dondoca” que Millie imaginou.

Enquanto isso, Andrew passa a se aproximar de Millie, situação que Nina não apenas percebe, como acaba sendo expulsa de casa. Mas será mesmo que isso não fazia parte de um plano ainda maior?

Opinião

Brandon Sklenar as Andrew Winchester in The Housemaid. Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

Com uma trama cheia de segredos que vão sendo revelados ao longo da história, A Empregada pode até lembrar os thrillers dos anos 1990, mas demonstra, em suas reviravoltas, que ainda há muito pano para manga.

O relacionamento entre Andrew e Millie, além de tóxico, ajuda a explicar por que Nina se tornou tão “doida”, deixando a sensação de que aquilo era apenas o pontapé inicial de uma série de novas viradas.

Com uma narrativa que apresenta segredos aos poucos, em um suspense recheado de reviravoltas, o filme, adaptado com roteiro de Rebecca Sonnenshine, mostra que nem sempre as “famílias de comercial de margarina” são exatamente como parecem. Se, inicialmente, Millie parecia ser a única com segredos a esconder, no fim todos os personagens carregam seus próprios passados, especialmente Andrew e a própria Millie.

Sydney Sweeney e Amanda Seyfried sustentam o filme com tensão constante, ajudadas até pela semelhança física entre suas personagens. E fica a pergunta: será que Millie ser parecida com Nina é apenas uma coincidência?

Transitanto por temas como desigualdade de classes, loucura e relações abusivas, A Empregada se firma como um thriller psicológico envolvente, que surpreende não apenas pela trama, mas por suas revelações, lembrando que todos nós temos segredos que preferiríamos manter escondidos.

Ficha técnica

Nota: 5 (de 5)

A Empregada

Título original: The Housemaid
Título no Brasil:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Baseado no livro: The Housemaid, de Freida McFadden
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone
Gênero: Suspense psicológico
Duração: 131 minutos
Ano: 2025
País: Estados Unidos

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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