A Warner Bros. Discovery anunciou os participantes da terceira edição do programa Narrativas Negras Não Contadas – Black Brazil Unspoken, iniciativa voltada à formação e aceleração de documentaristas negros no Brasil. Ao todo, foram escolhidos 10 profissionais entre 596 projetos inscritos.
Programa mira desenvolvimento e produção
A iniciativa integra o selo WBD Access e aposta em um modelo que combina formação e mercado. Durante dois meses, os selecionados participam de mentorias, workshops e acompanhamento com executivos da indústria.
Ao final do processo, três projetos serão escolhidos para produção e exibição na HBO Max e no canal HBO, criando uma ponte direta entre desenvolvimento e distribuição.
Critérios e posicionamento
A curadoria priorizou projetos documentais com potencial criativo e relevância temática, além de perfis profissionais em desenvolvimento, ou seja, talentos com experiência prévia, mas ainda fora de grandes produções.
O programa atua diretamente em um dos gargalos do setor: acesso. A proposta é ampliar espaço para narrativas ainda pouco representadas dentro do audiovisual brasileiro.
Quem são os selecionados
Os 10 participantes vêm de diferentes regiões e trajetórias, com atuação que mistura cinema, artes visuais, jornalismo e produção cultural:
- Dominic Tomi (Teixeira de Freitas, BA)
Artista plástico, cineasta, professor e produtor cultural do extremo sul da Bahia, Dominic Tomi constrói sua trajetória na intersecção entre audiovisual, artes visuais, memória e território. Pessoa transmasculina, de origem tupinambá e afrodescendente, desenvolve trabalhos voltados à afirmação de dissidências de gênero, raça e pertencimento. Formado em Artes pela UFSB, é idealizador do PotransBA, iniciativa dedicada à visibilidade de pessoas trans e não bináries na Bahia. Dirigiu obras como Eumã’txẽ (2019), Lugar Nenhum: O Manifesto do Transnascimento (2022) e Masculinidade Plástica (2023/24), além da série documental Conta um Itan. Sua atuação articula arte, educação e política cultural, com foco em memória e transformação social. - Emanuelle Lima (São Paulo, SP)
Manu Lima é roteirista e profissional de comunicação, formada em Cinema e Audiovisual pela ESPM. Atua em produção, escrita criativa e estratégia de conteúdo, desenvolvendo projetos que exploram temas como identidade, pertencimento e relações afetivas. Teve o curta O Ilu e Eu selecionado para o Festival de Cultura Inglesa (2025) e integrou a equipe de produção do documentário Vou Tirar Você Desse Lugar (2025). É cofundadora do Clube de Escrita da ESPM e tem Salvador como uma de suas principais referências criativas. - Gabriele Roza (Rio de Janeiro, RJ)
Comunicadora e mestranda em Cultura e Territorialidades pela UFF, Gabriele Roza pesquisa cultura visual e representações negras no projeto Arquivo da Alegria Negra. Codirigiu o curta-documentário Enraizadas (2019) e o podcast narrativo Filhos da Diáspora (2020–2023). Como jornalista, atuou em veículos como Agência Pública, data_labe e TV Globo, além de colaborações com UOL e Cultne TV. É cofundadora e conselheira do movimento Mulheres Negras Decidem. - Juliana Bispo (Salvador, BA)
Artista multidisciplinar, produtora cultural e audiovisual, Juliana Bispo é licenciada em Teatro pela UFBA e idealizadora da Dourada Produções. Atua como arte-educadora, fotógrafa e artesã, com foco em narrativas afro-brasileiras. Seu trabalho investiga temas como memória, ancestralidade, subjetividade e as experiências de mulheres negras. - Luana Avelar (Salvador, BA)
Realizadora audiovisual, roteirista e diretora, Luana Avelar é bacharelanda em Cinema e Audiovisual pela UFRB. Seu trabalho transita entre ficção e documentário, explorando relações entre corpo, memória e cotidiano a partir de uma abordagem autoral. Dirigiu e roteirizou os curtas 369 (2020) e Um Dia de Negão (2024), além de atuar em produções independentes. Integrou o SONatório e o GEPDOC, experiências que marcam sua formação no cinema. - Luccas Araujo (São Carlos, SP)
Ator, diretor e tradutor-intérprete de Libras, Luccas Araújo desenvolve pesquisas e criações a partir do corpo, da visualidade e da translinguagem. Atua com teatro e cinema, com foco em acessibilidade, protagonismo surdo e práticas anticapacitistas. Seu trabalho integra processos artísticos, pedagógicos e de produção cultural, articulando criação contemporânea e engajamento social. - Luiz Fellipe Paixão (Aracajú, SE)
Cineasta sergipano, natural do povoado Tabocas, Luiz Fellipe Paixão é formado em Cinema e Audiovisual pela UFS. Atua como diretor, roteirista e diretor de arte, com foco no cinema negro, periférico e de base comunitária. É integrante da APAN e membro fundador do coletivo Agora Seremos, onde desenvolve projetos voltados a território, memória e identidade. Codirigiu o curta Alive (2024), selecionado para a Mostra de Tiradentes e o Festival de Gramado. Em 2024, participou do Nordeste Lab, onde foi premiado com apoio do YouTube Brasil para a realização de Pretinha (2025). - Matheus Lopes (Rio de Janeiro, RJ)
Carioca, Matheus Lopes tem 20 anos e é estudante de Estudos de Mídia, com ênfase em cinema e audiovisual, pela PUC-Rio. Já realizou filmes universitários e cursos de formação na área, além de ter sido selecionado para um laboratório audiovisual voltado a estudantes bolsistas e cotistas. Desenvolve projetos alinhados à sua formação acadêmica e interesse pelo cinema contemporâneo. - Tulani Nascimento (São Paulo, SP)
Publicitária, realizadora audiovisual e produtora cultural, Tulani Nascimento atua na intersecção entre imagem, palavra e memória. Pós-graduada em Administração em Indústrias Culturais pela Universidade de Valladolid (Espanha), construiu trajetória no cinema com foco em criação e impacto social. Assina a produção executiva do filme A Escuta e já atuou como professora na SALCINE. Fundadora da Favelacult e idealizadora da SET: Rede Criativa Audiovisual, também integrou a direção da Mostra Lugar de Mulher é no Cinema e participou de iniciativas no Brasil e no exterior voltadas à pluralidade no audiovisual. - Victória Sales (São Paulo, SP)
Fotógrafa e assistente de câmera, Victória Sales atua no audiovisual desde 2016. Formada em Biblioteconomia pela UNESP e em Comunicação Visual pela ETEC, participou da curadoria e do still da exposição Diafragma: luz, expressão, em parceria com o Instituto Moreira Salles. É integrante da APAN e do coletivo DFIB, voltado a mulheres e dissidências de gênero no departamento de fotografia audiovisual. Seu trabalho explora imagem, narrativa e representatividade.
Estratégia de longo prazo
Desenvolvido em parceria com a WIP Narrative Design Studio, o programa reforça uma estratégia mais ampla da Warner Bros. Discovery: investir em formação de base para renovar o pipeline criativo.
Não é só sobre um projeto específico, mas sobre criar novos nomes com potencial de longo prazo dentro da indústria.


