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Crítica | Maschile Plurale troca liberdade por amadurecimento ao revisitar o passado

Continuação do sucesso italiano abandona parte da ousadia do original para discutir luto, crescimento e novos significados para antigas relações

3 anos depois de Maschile singolare, a continuação chega com intenção de mostrar uma nova etapa da vida do Antonio. Agora dirigido apenas por Alessandro Guida, o filme olha menos para liberdade do protagonista e mais para tudo aquilo que ficou mal resolvido no passado.

Com um estilo bem diferente do original, Maschile Plurale apresenta novos personagens e assume um tom mais contido. Antonio já não parece alguém tentando se jogar no mundo como antes. Agora ele entende melhor seu lugar e tenta lidar com consequências emocionais que ficaram guardadas por anos.

Confeiteiro famoso e influencer nas redes sociais, Antonio vive uma nova fase focado na carreira. Mantendo uma relação sem compromisso com Dario, personagem de Giulio Corso, ele acredita finalmente estar feliz com a própria vida.

Só que o passado bate à porta quando reencontra Luca, vivido novamente por Gianmarco Saurino. O reencontro traz de volta não apenas lembranças de Denis, mas também sentimentos que claramente nunca desapareceram completamente.

Hoje Luca administra um abrigo para jovens LGBTQIA+ ao lado do namorado Tancredi, interpretado por Andrea Fuorto. E é justamente nesse ambiente que o filme começa a mostrar uma nova faceta do Antonio, muito mais madura e cuidadosa do que no longa anterior.

Diferente de Maschile singolare, que usava sexo e liberdade como parte do amadurecimento do protagonista, Maschile Plurale segue um caminho mais emocional. Até existem momentos mais quentes, mas o foco aqui está muito mais nas relações humanas e em como cada personagem tenta lidar com o próprio passado.

Entre os novos personagens, Ricky acaba sendo quem mais chama atenção. Jovem, perdido e acostumado a sobreviver recebendo migalhas de afeto, ele acaba despertando algo no Antonio. Existe uma sensação clara de que Antonio enxerga nele o mesmo potencial que Luca enxergou nele anos atrás.

Tentando ajudar Ricky através da confeitaria, Antonio percebe que talvez amadurecer também signifique devolver ao mundo aquilo que um dia fizeram por ele.

Já Dario e Tancredi funcionam mais como obstáculos emocionais dentro da trama. Eles ajudam a criar conflitos e inseguranças envolvendo Antonio e Luca, mas sem ganhar tanto desenvolvimento próprio.

Vale a pena?

Maschile Plurale é muito diferente do primeiro filme, a ponto de parecer quase outra proposta. E curiosamente o próprio longa parece saber disso.

Cristina, personagem de Michela Giraud, praticamente quebra a quarta parede em alguns momentos ao comentar que continuações dificilmente conseguem repetir o impacto do original. Parece até um aviso da própria equipe do filme para quem espera exatamente a mesma experiência de Maschile singolare.

Mas isso não torna a continuação ruim. Apenas diferente.

Enquanto o primeiro filme falava sobre liberdade emocional, sexo e redescoberta, Maschile Plurale prefere discutir luto, amadurecimento e a dificuldade de entender o que realmente vale a pena revisitar.

E talvez seja justamente isso que torna o filme interessante. Ele não tenta repetir a mesma fórmula e entende que Antonio já não é mais aquele homem perdido do primeiro longa.

Ao transformar restos de doces antigos em algo novo, Maschile Plurale deixa clara sua principal mensagem. Relações do passado podem ganhar novos significados sem precisarem ser revividas da mesma forma.

Lançado em 2024, Maschile Plurale funciona menos como uma continuação explosiva e mais como uma reflexão sobre o que sobra depois que aprendemos finalmente a seguir em frente.

Ficha técnica

Nota: 3,5 (de 5)

Maschile Plurale

Direção: Alessandro Guida
Roteiro: Alessandro Guida, Gaia Marianna Musacchio e Giuseppe Paternò Raddusa
Elenco: Giancarlo Commare, Gianmarco Saurino, Michela Giraud, Andrea Fuorto, Giulio Corso e Francesco Gheghi
Fotografia: Giuseppe Chessa
Trilha sonora: Marta Venturini
Produção: Fabula Pictures, Rufus Film e Prime Video
Duração: 105 minutos
País: Itália
Lançamento: 2024, na Itália

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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