O longa-metragem Mapas, dirigido por Rafael Lobo, foi um dos grandes destaques da 30ª edição do Cine PE. A produção do Distrito Federal encerrou sua participação no festival com cinco troféus Calunga, incluindo o Prêmio Especial do Público, consolidando-se entre os principais vencedores da edição comemorativa do evento pernambucano.
Além da preferência do público, o filme conquistou os prêmios de Melhor Fotografia para Emília Silberstein, Melhor Montagem para Rafael Lobo e Tainá Menezes, Melhor Edição de Som para Olivia Hernandez e Melhor Ator para Caíque Copque.
“Estamos felizes com o reconhecimento ao filme nesta edição histórica dos 30 anos do Cine PE e por representar Brasília em um festival que reúne um retrato tão diverso do país. Mapas é uma travessia pelos fantasmas, pelas memórias ocultas e pelas histórias submersas da nossa cidade”, celebrou o diretor Rafael Lobo.
Horror, memória e os fantasmas de Brasília
Produzido pela Machado Filmes em parceria com a Tao Luz e Movimento e a Levante Filmes, Mapas mistura mistério, drama e elementos do horror para explorar capítulos pouco lembrados da história da capital federal.
A trama acompanha a professora Júlia e o estudante de mestrado Sérgio na busca por pistas sobre o desaparecimento de uma cicloativista chamada Rebeca. A investigação conduz os personagens até as ruínas da Vila Amaury, antigo povoado que foi inundado durante a construção do Lago Paranoá, revelando traumas, memórias esquecidas e segredos ligados à fundação de Brasília.
Ao longo da narrativa, o filme transita entre o real e o fantástico, utilizando figuras fantasmagóricas como metáforas para conflitos pessoais e para as cicatrizes históricas deixadas pela construção da cidade.
Primeiro longa de Rafael Lobo
Conhecido por trabalhos anteriores no curta-metragem e por pesquisas acadêmicas voltadas ao cinema de horror, Rafael Lobo faz em Mapas sua estreia em longas-metragens.
Graduado em Audiovisual e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília, o cineasta desenvolveu uma carreira marcada pela exploração de temas ligados ao fantástico, à memória e às tensões políticas presentes no cotidiano da capital federal.
Segundo o diretor, o projeto surgiu da vontade de construir uma reflexão crítica sobre Brasília a partir dos códigos do horror.
“Os fantasmas que assombram os personagens refletem traumas individuais, mas também dialogam com as cicatrizes da própria cidade. A ideia era utilizar o fantástico para questionar a história oficial de Brasília e dar voz aos esquecidos”, explica.
Com roteiro assinado por Rafael Lobo e Lucas Gehre, Mapas tem 115 minutos de duração e integra uma nova geração de produções brasileiras que utilizam o gênero fantástico para revisitar episódios históricos e questões sociais.
O reconhecimento no Cine PE reforça o destaque do filme no circuito nacional e amplia a visibilidade de uma obra que transforma o passado submerso de Brasília em uma investigação sobre memória, identidade e pertencimento.


