De 20 a 24 de novembro, a Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso (RN), volta a se transformar em uma das salas de cinema mais singulares do país. Com uma tela de 12m x 6,5m, projeção em 4K, som 7.1 e 700 espreguiçadeiras dispostas sob o céu potiguar, a 12ª Mostra de Cinema de Gostoso celebra o cinema brasileiro contemporâneo em exibições ao ar livre que misturam a experiência cinematográfica com o cenário natural do litoral.
O evento apresenta uma seleção de longas e curtas-metragens nacionais na Mostra Competitiva e nas Sessões Especiais, reunindo realizadores, público e crítica em uma experiência que combina cinema, encontro e celebração. Os filmes concorrem ao Prêmio do Público, definido por votação popular, e ao Prêmio da Crítica, concedido por jornalistas convidados. Há ainda um prêmio de pós-produção oferecido pelas empresas DOT e Místika para um dos filmes em competição.
A curadoria desta edição é formada por Carine Fiúza, Eugenio Puppo, Janaína Oliveira, Mariana Souza e Matheus Sundfeld.
Sessões Especiais
Entre os destaques das Sessões Especiais está “O Agente Secreto”, novo longa de Kleber Mendonça Filho, que se passa no Brasil de 1977 e acompanha um professor que tenta fugir do passado em Recife durante o carnaval — e encontra algo bem diferente da paz que procurava.
Na tradicional sessão Clássicos Restaurados do Cinema Brasileiro, será exibido “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), de Marcelo Gomes, road movie ambientado em 1942 que celebra a amizade e o poder transformador do cinema em meio ao sertão nordestino.
O encerramento da Mostra será com o documentário “Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui”, dirigido por Mini Kerti. O filme percorre rios e matas do Pará para revisitar a trajetória da cantora e compositora paraense, que se tornou uma das vozes mais carismáticas da música brasileira.
Mostra Competitiva
A seleção de longas da Mostra Competitiva destaca produções que transitam entre a ficção e o documentário, explorando temas como infância, memória, identidade e luto.
Entre os títulos, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo, acompanha duas meninas que criam laços de amizade e escapismo dentro de um hospital durante o verão. “Buenosaires”, de Tuca Siqueira, revela o cotidiano de uma pequena cidade brasileira que compartilha o nome com a capital argentina.
“Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente, traz uma produtora de cinema que enfrenta o caos pessoal e profissional ao mesmo tempo. Já “Cais”, de Safira Moreira, é uma jornada fluvial e sensorial sobre memória e ancestralidade, enquanto “Aqui Não Entra Luz”, de Karol Maia, revisita o passado escravocrata brasileiro a partir da arquitetura e de histórias de mulheres.
Curtas-metragens
A Mostra Competitiva de curtas apresenta produções de diferentes regiões do país e destaca a força de novos realizadores. Entre os selecionados estão “Dia dos Pais” (AM), ficção de Bernardo Ale Abinader ambientada em uma Manaus sufocada pela fumaça das queimadas, e “Pupá” (RN), documentário de Osani que acompanha o cotidiano e a liberdade de uma mulher originária do interior potiguar.
Outros destaques incluem “Presépio”, de Felipe Bibian, sobre um Natal às voltas com o absurdo; “Queimando por Dentro”, de Enock Carvalho e Matheus Farias, que aborda a vivência queer em meio à fé neopentecostal; e “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, de Milena Manfredini, homenagem à pioneira na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas.
Completam a seleção “A Nave que Nunca Pousa”, de Ellen Morais, ficção científica documental em um quilombo paraibano, e “Ressonância”, de Anna Zêpa, sobre o desejo de liberdade em meio à rotina.
Um palco à beira-mar para o cinema brasileiro
A Mostra de Cinema de Gostoso se consolidou como um espaço de encontro entre realizadores, público e crítica, onde o cinema brasileiro encontra seu lugar sob as estrelas. Mais do que um festival, é uma celebração da potência audiovisual do país — e de sua capacidade de emocionar, refletir e resistir.
A 12ª Mostra de Cinema de Gostoso é apresentada pelo Ministério da Cultura, Petrobras e Governo do Estado do Rio Grande do Norte, com patrocínio da Salinor, Banco do Nordeste e apoio de diversas instituições culturais e turísticas. A realização é da Heco Produções e CDHEC, com produção assinada por uma equipe que mantém viva a tradição de transformar a praia em sala de cinema.


