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Unlock CCXP discute como games e cinema estão se fundindo em novas franquias da cultura pop (CCXP25)

O Unlock CCXP abriu espaço para um dos debates mais estratégicos do evento ao reunir profissionais de diferentes áreas no painel Powered by gamescom latam | Cutscene: Quando o Cinema Entra no Jogo (e o Jogo Invade as Telas). A conversa girou em torno da convergência cada vez mais evidente entre jogos e produções audiovisuais, um movimento que já deixou de ser tendência para se tornar parte do modelo de negócios da indústria do entretenimento.

Participaram do painel Denise Novais, diretora de marketing sênior da Warner Bros. Pictures, Carlos Estigarribia, VP da OV Entertainment, Pablo Miyazawa, jornalista especializado em cultura pop e games e editor chefe da futura revista Players, Claudio Lima, fundador e CEO da WOW Gaming Ventures, e Rodrigo Terra, cofundador e chief technology evangelist da ARVORE Immersive Experiences. A pluralidade de olhares ajudou a desenhar um panorama mais realista sobre como cinema e videogame estão aprendendo a operar juntos.

Games no centro da estratégia e não mais como vitrine

Um dos pontos centrais da discussão foi a mudança de postura de Hollywood em relação aos jogos. Antes tratados como apoio promocional ou apostas pontuais, os games agora ocupam papel estratégico no desenvolvimento de franquias. Segundo os participantes, o crescimento do mercado gamer e a força das marcas consolidadas fizeram com que estúdios passassem a pensar o audiovisual a partir do jogo, e não o contrário.

Denise Novais citou o filme de Minecraft como um exemplo claro dessa virada de chave. O sucesso do longa mostrou que compreender a lógica, o público e a cultura dos games é fundamental para transformar uma adaptação em um produto relevante. O impacto foi tão significativo que o segundo filme da franquia já tem estreia prevista para julho de 2027, reforçando a confiança nesse tipo de propriedade intelectual.

Comunidades como motor da cultura pop

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Outro tema recorrente no painel foi o papel das comunidades formadas em torno dos jogos. Para os debatedores, esses grupos já funcionam como ecossistemas próprios, com alto nível de engajamento, produção de conteúdo e identidade cultural. O cinema, ao se aproximar desse universo, encontra uma base ativa que vai além do consumo passivo e passa a participar da construção das narrativas.

Essa relação também responde ao esgotamento de fórmulas clássicas em Hollywood. A busca por novas histórias, mundos e personagens encontra nos games um terreno fértil, especialmente por já nascerem conectados com públicos que consomem entretenimento de forma multiplataforma.

O futuro é transmídia desde o primeiro frame

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O consenso entre os convidados é que as produções do futuro já devem nascer pensadas para múltiplos formatos. Filmes, séries, jogos e experiências imersivas tendem a ser desenvolvidos de forma integrada, criando universos que se expandem em diferentes mídias sem perder coerência narrativa.

O painel do Unlock CCXP deixou claro que a fronteira entre jogar e assistir está cada vez mais borrada. Para a indústria, entender essa fusão não é apenas uma questão criativa, mas de sobrevivência em um cenário onde a cultura pop se constrói em rede, com fãs, jogadores e espectadores ocupando o mesmo espaço.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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