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1975 transforma memória em cena e ocupa a Arena B3 por apenas um fim de semana

O espetáculo 1975 chega à Arena B3 nos dias 24 e 25 de janeiro, com sessões no sábado e domingo às 14h30 e 17h, em curtíssima temporada de apenas quatro apresentações. Protagonizada por Angela Figueiredo e escrita pela dramaturga uruguaia Sandra Massera, a peça revisita o período da ditadura militar no Uruguai a partir de uma perspectiva íntima, sensível e profundamente humana.

Um caderno, cartas e o peso do tempo

Em cena, acompanhamos Teresa, uma mulher que esvazia a antiga casa dos pais e reencontra cadernos e cartas escritas desde o desaparecimento do irmão durante a ditadura uruguaia. A partir desses fragmentos, o espetáculo constrói um relato sobre memória, ausência e o impacto silencioso da violência de Estado na vida cotidiana. O texto não aposta em grandiloquência. Ele cresce no detalhe, no silêncio e naquilo que nunca foi dito.

Ficção inspirada em fatos reais

Embora seja uma obra de ficção, 1975 nasce de experiências reais vividas por Sandra Massera durante a adolescência, quando corpos anônimos começaram a aparecer na costa uruguaia, vítimas dos chamados voos da morte, prática usada pelas ditaduras do Cone Sul. O texto dialoga diretamente com o tema dos desaparecimentos forçados e surgiu originalmente a partir de uma convocatória do Teatro de la Identidad, projeto ligado às Abuelas de Plaza de Mayo, na Argentina.

Reconhecimento internacional e trajetória sólida

Estreado em Montevidéu em 2015, o espetáculo recebeu o Prêmio Florencio de Melhor Texto de Autor Nacional e acumulou reconhecimento crítico, incluindo três estrelas da Revista Veja SP. Desde então, passou por turnês na França, montagens na Argentina e agora ganha sua versão brasileira, dirigida a quatro mãos por Sandra Massera e Angela Figueiredo, em um diálogo artístico entre São Paulo e Montevidéu.

Teatro de atriz, palavra e presença

Sozinha em cena, Angela Figueiredo sustenta o espetáculo com uma atuação que aposta na escuta, na precisão corporal e na força do texto. A encenação é econômica e potente, permitindo que a narrativa e a memória ocupem o centro do palco. A trilha sonora, assinada por Branco Mello e pela própria autora, contribui para criar a atmosfera melancólica e reflexiva que atravessa toda a montagem.

Um encontro raro com a história latino-americana

A temporada curta na Arena B3 transforma 1975 em daqueles eventos que pedem atenção imediata. Com ingressos acessíveis, duração de 60 minutos e classificação indicativa de 12 anos, o espetáculo se conecta tanto com quem acompanha teatro político e de memória quanto com novas gerações interessadas em compreender as marcas deixadas pelas ditaduras no continente.

Serviço

1975
Datas: 24 e 25 de janeiro
Horários: sábado e domingo às 14h30 e 17h
Local: Arena B3, Praça Antônio Prado, 48, São Paulo
Ingressos: R$ 10 inteira e R$ 5 meia, com parcelamento https://bileto.sympla.com.br/event/114362/d/355042/s/2395274
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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