O documentário O Silêncio de Eva, dirigido por Elza Cataldo, estreia em São Paulo no dia 9 de abril, com exibição no Espaço Itaú de Cinema. A produção reconstrói a trajetória de Eva Nil, figura relevante do início do cinema nacional que acabou esquecida ao longo das décadas.
Entre memória e recriação
O longa combina material documental com encenações ficcionais para preencher lacunas da vida de Eva Nil, que atuou em produções do cinema mudo brasileiro nos anos 1920 antes de abandonar a carreira. A narrativa parte da investigação da atriz Inês Peixoto, que percorre vestígios da trajetória da artista e propõe uma reconstrução sensível de sua história.
A abordagem evita um formato tradicional, alternando depoimentos, reflexões e recriações que transportam o espectador para o universo criativo da época.
Uma figura apagada da história do cinema
Nascida no Cairo em 1909, Eva Nil construiu parte de sua carreira no Brasil, trabalhando com nomes como Humberto Mauro. Apesar da relevância, grande parte de sua filmografia se perdeu, contribuindo para o apagamento de sua trajetória.
O documentário também aborda sua transição para a fotografia ao lado do pai, Pietro Comello, e sua vida posterior em Minas Gerais, onde permaneceu até sua morte em 1990.
Filme dialoga com o presente do cinema brasileiro
Ao revisitar a história de Eva Nil, o filme propõe uma reflexão sobre os desafios persistentes do cinema nacional, especialmente no que diz respeito à preservação de memória, financiamento e circulação de obras.
A produção é assinada pela Persona Filmes e chega aos cinemas com distribuição da Encripta, reforçando o espaço de documentários autorais no circuito brasileiro.
Serviço
O Silêncio de Eva
Estreia: 9 de abril
Local: Espaço Itaú de Cinema
Com uma estrutura que mistura investigação e recriação, o documentário se posiciona como um resgate histórico e também como um comentário sobre as lacunas da memória cultural no Brasil.


