O Brasil chegou ao Marché du Film 2026 com um discurso bem diferente do que costumava apresentar há alguns anos. Em vez de pedir atenção internacional para o audiovisual brasileiro, a ideia agora é convencer investidores e estúdios de que o país virou um parceiro estratégico para negócios de longo prazo.
Durante a conferência “Brazil Beyond: The Next Decade of the Brazilian Audiovisual Industry”, realizada nesta sexta feira (15) em Cannes, a ApexBrasil apresentou o novo plano de metas do audiovisual brasileiro para o período entre 2026 e 2035.
A proposta aposta em ampliar coproduções internacionais, atrair investimentos estrangeiros e transformar o Brasil em uma plataforma global de produção audiovisual.
Em outras palavras: o cinema brasileiro quer deixar de ser apenas “o filme premiado do festival” e virar também um mercado relevante para negócios.
Brasil tenta vender estabilidade ao mercado internacional
Durante o painel, Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil, afirmou que o foco da nova estratégia é criar previsibilidade e segurança institucional para parceiros internacionais.
Segundo ela, a agência quer funcionar como ponte entre produtores estrangeiros e empresas brasileiras preparadas para coproduções e negócios sustentáveis.
A conferência também contou com participação de Joelma Gonzaga e da produtora Tatiana Leite.
De acordo com o Ministério da Cultura, o setor audiovisual brasileiro movimentou R$ 70,2 bilhões recentemente e gerou mais de 608 mil empregos diretos e indiretos.
Cinema brasileiro amplia presença internacional
Outro ponto destacado em Cannes foi o crescimento do projeto Cinema do Brasil, parceria entre ApexBrasil e o SIAESP.
Segundo os dados divulgados, o programa ultrapassou US$ 73 milhões em exportações no ciclo 2024–2025 e ampliou significativamente a presença de empresas brasileiras no mercado internacional.
A delegação brasileira em Cannes reúne cerca de 80 empresas e quatro distribuidoras nacionais em uma agenda de encontros com representantes de países como França, Alemanha, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul.
Diversidade virou ativo internacional
A ApexBrasil também destacou a expansão de polos audiovisuais fora do eixo Rio São Paulo, com iniciativas voltadas para Norte, Nordeste e Centro Oeste.
O discurso reforça uma percepção cada vez mais forte no mercado internacional: além de custos competitivos, o Brasil oferece diversidade cultural e narrativa difícil de encontrar em outros mercados.
Filmes como Que Horas Ela Volta? seguem sendo citados como exemplos da capacidade brasileira de unir reconhecimento artístico e circulação internacional.
IA e mercado asiático entram na pauta
A agenda brasileira em Cannes continua nos próximos dias com debates sobre inteligência artificial, diversidade e expansão internacional.
Entre os próximos encontros estão painéis sobre coproduções com a França, relações audiovisuais entre Brasil e Japão e discussões sobre os impactos da IA na indústria criativa.
O Marché du Film acontece durante o Festival de Cannes e segue até maio de 2026.


