Quando o assunto é cinema sobre artistas, é comum encontrar retratos grandiosos e carregados de dramatização. Em “Van Gogh” (1991), porém, Maurice Pialat escolhe outro caminho. O cineasta francês transforma os últimos meses de vida do pintor neerlandês em uma obra silenciosa, humana e profundamente observadora. A partir desta sexta-feira (19), o filme passa a integrar o catálogo da FILMICCA.
Estrelado por Jacques Dutronc, vencedor do César de Melhor Ator, o longa acompanha Vincent van Gogh após deixar o asilo psiquiátrico e se instalar na casa do Dr. Gachet. Entre sessões de pintura, encontros familiares e uma aproximação com Marguerite, filha do médico, o artista segue consumido pela necessidade de criar.
Muito além do mito do artista atormentado
Em vez de reforçar a imagem romantizada do gênio incompreendido, Pialat apresenta um Van Gogh mais próximo do homem do que da lenda. O diretor se interessa pelos pequenos momentos: conversas interrompidas, refeições compartilhadas e a dificuldade do pintor em se conectar com aqueles ao seu redor.
Essa abordagem fez do filme uma das obras mais celebradas da carreira de Maurice Pialat. Exibido no Festival de Cannes de 1991, o longa também foi o representante francês na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Entre seus admiradores estava Jean-Luc Godard, que definiu a produção como uma obra “totalmente surpreendente”, indo além dos limites do olhar cinematográfico convencional.
Um dos grandes filmes sobre Van Gogh
Ao longo das décadas, o pintor inspirou diferentes produções para o cinema. Poucas, no entanto, conseguiram o equilíbrio encontrado por Pialat entre sensibilidade, realismo e contemplação.
Sem recorrer a grandes discursos ou reconstituições espetaculares, “Van Gogh” se destaca justamente pela simplicidade com que observa um dos nomes mais importantes da história da arte em seus momentos mais vulneráveis.
Além de Jacques Dutronc, o elenco reúne Bernard Le Coq, Gérard Séty, Alexandra London e Elsa Zylberstein.
Ciclo dedicado a Maurice Pialat continua na FILMICCA
A estreia faz parte de uma programação especial dedicada à filmografia do diretor francês ao longo do mês de junho.
O catálogo já recebeu “Aos Nossos Amores” (1983), drama que ajudou a consolidar o prestígio internacional de Pialat. Já no dia 26 de junho, será a vez de “O Amor Existe” (1960), curta de estreia do cineasta e um retrato crítico da expansão urbana francesa no pós-guerra.
Para quem busca descobrir — ou revisitar — um dos grandes nomes do cinema francês, o ciclo se apresenta como uma oportunidade rara.
“Van Gogh” estreia na FILMICCA nesta sexta-feira, 19 de junho.

