Início Site Página 1282

Review | Alive

Seguindo com os lançamentos de dezembro da Panini, o JMangá traz agora o volume único de Alive.

De autoria de Tsutomu Takahashi, Alive é uma obra muito conceituada no meio e já ganhou adaptação para um longa metragem nos cinemas.

A história

Tenshu Yashiro foi condenado à pena de morte por enforcamento. Seus crimes foram porte ilegal de arma de fogo, homicídio premeditado de cinco pessoas e ocultação de cadáver.

No dia de sua execução, ao invés de ser conduzido ao local de sua morte, Yashiro é levado para uma sala onde um casal o espera. O rapaz lhe informa que ele tem opção de continuar vivendo caso escolha trabalhar com eles, bastava assinar um documento.

Movido pelo medo de desaparecer e pela ponta de esperança de continuar vivendo, Yashiro concorda e é conduzido para fora do presídio. Junto com outro ex-condenado, parte rumo ao que ele chamaria de segunda condenação.

Eles são levados a uma sala sem relógio, janelas ou qualquer outro recurso que permita que ambos tenham a noção de tempo. Desde que as regras do local permitam, eles podem pedir qualquer coisa via interfone e têm bebida alcoólica à vontade.

Dias se passam e ambos começam a voltar a ser como eram antes da vida na prisão. Gondo, companheiro de sala de Yashiro, revela-se cada dia mais desagradável e assustador. Yashiro parece ser uma pessoa tranquila e revela ter matado apenas quatro pessoas.

Enquanto está imerso em seus pensamentos, Yashiro percebe uma espécie de janela e, do outro lado, uma linda mulher nua. Gondo se empolga e começa a mexer com ela, que diz estar de castigo por ser uma bruxa e o convida para vir até onde ela está, desde que mate Yashiro.

Além do casal que retirou Yashiro da cadeia, existe uma equipe observando tudo o que se passa na sala. Quando percebem a intenção de Gondo em passar para a sala da “bruxa”, eles iniciam um protocolo: uma fresta aparece dando a entender que existe uma saída, mas ao mesmo tempo as paredes começam a se movimentar dando a entender que, em algum momento, eles serão esmagados.

Na sala de controle, o conselheiro de segurança quer saber sobre a evolução da experiência, que tenciona transferir a bruxa para o corpo de um dos dois detentos, já que a mulher está possuída por uma entidade violenta, que não permite que seu hospedeiro envelheça. Ele deixa bem claro que não tem interesse em salvar a hospedeira e que não há tempo nem intenção de disponibilizar mais verbas para continuar com o projeto.

A essa altura, Yashiro já está deixando as lembranças do passado o consumirem, enquanto Gondo parece ter se saído bem no plano de adentrar a sala da bruxa. O único problema é que ela não estava brincando com relação aos seus poderes e que a experiência pode não ter o resultado aguardado por todos.

A edição brasileira

Assim como deveriam ser todos os volumes únicos, Alive foi publicado em papel off-set, tem orelhas e preservou as páginas coloridas.

A tradução é de Lídia Ivasa e a edição de Beth Kodama.

Opinião

O traço de Tsutomu Takahashi harmoniza bem com a história, tanto nas páginas coloridas (com imagens deslumbrantes) como no restante da obra.

 

Yashiro é um personagem bem fácil de entender; para proteger a honra da namorada comete um crime e depois não sabe como lidar com as consequências de seus atos. Matar os estupradores não cura o psicológico da garota e podemos dizer que ele mesmo não fez nada para tentar diminuir a dor que ela sentia.

Suas ações bem intencionadas, porém equivocadas lhe rendem mais um cadáver e uma condenação à pena de morte. Ao se arrepender e aceitar que irá morrer para se purificar dos pecados que cometeu, recebe uma segunda chance que se revela uma verdadeira roubada e que sela de vez seu destino.

A trama é bem amarrada e não consegui identificar o momento exato em que é definido o final de cada personagem; é uma história um pouco diferente do que estamos acostumados a ver por aqui e uma escolha feliz por parte da editora.

Agradecemos ao pessoal da Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

Review | Mob Psycho 100 #1

Continuando com os lançamentos da Panini na CCXP, desta vez o JMangá fala sobre Mob Psycho 100.

De autoria do roteirista de One Punch Man, Mob é uma história bem divertida que vai conquistar muitos leitores.

A história

Arataka Reigen é um rapaz que se intitula médium, mas não passa de um picareta. Ele é procurado todos os dias por pessoas que alegam ter problemas com espíritos e usa sua lábia para tentar resolver esses problemas.

Médium picareta x Fantasma com errinho de digitação

Quando a coisa fica feia de verdade, ele chama seu discípulo Shigeo Kageyama (mais conhecido como Mob), que é um paranormal de verdade e com poderes impressionantes.

Mob é um rapaz de aparência calma e inexpressiva, que não aparenta se interessar por nada, exceto por uma colega da escola, Tsubomi, a quem acha linda. Sua vida se resume a ir para a escola, recusar convites para clubes bizarros e ajudar Reigen como assistente por 300 ienes a hora.

Essa inexpressividade toda serve a um nobre propósito: Mob se mantém sob controle ao deixar sua raiva represada. Quando libera 100% dela, seus poderes chegam em um nível que pode destruir tudo ao seu redor. Sua extrema falta de noção pode ser considerada sua trava, o que permite que o dia-a-dia dele seja praticamente normal.

Um dia, Mob acaba se envolvendo sem querer no encontro de uma seita liderada pelo esquisito “Covinhas-sama”, que acredita que toda pessoa deve sorrir para espantar os problemas. O único detalhe nisso é que essa técnica é uma espécie de hipnose, que sujeita os seguidores da seita a agir com seu líder deseja. Ao tentar hipnotizar Mob, acaba acontecendo um incidente: o garoto acaba libertando 100% de sua fúria e o resultado não é nada bonito… será que o mangá terá mais de um volume depois disso?

A edição brasileira

Mob Psycho 100 foi editado em pisa brite, como a maioria dos mangás da editora, o que deixou uma parcela de fãs chateada, já que esperavam uma edição nos mesmos moldes de One Punch Man.

O exemplar traz um marca páginas de brinde, com imagem do anime de Mob Psycho 100, aproveitando para fazer propaganda da plataforma Crunchyroll. A edição  é de Diógenes Diogo e a tradução de Felipe Monte.

Opinião

Mob Psycho 100 é uma leitura despretensiosa e divertida. A interação de Mob com os outros personagens funciona bem, fazendo com que a história tenha um ritmo legal.

Foi interessante ver Mob explodir já no primeiro volume, bem como as etapas para que isso acontecesse, a opinião de Reigen sobre os poderes dele e o modo como o garoto administra tudo isso em sua vida.

Não assisti ao anime nem tive contato com a obra além deste primeiro volume, mas sinto que ela tem potencial para virar uma trama até mais interessante que One Punch Man. Espero ansiosamente pelos próximos volumes para ter certeza.

Agradecemos à editora Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

Dragon Ball Z X Keepers | Novo jogo da série Dragon Ball Z

Anunciado o novo jogo da série Dragon Ball Z! Chamado de Dragon Ball Z: X Keepers, o jogo será pelo navegador e trará duelos insanos.

O Dragon Ball Z: X Keepers foi anunciado de supetão e será lançado em 2018.

Assim que tivermos mais dados sobre o Brasil, iremos atualizar a notícia.

Novo trailer de Pacific Rim: Uprinsing

Foi revelado um novo trailer para a continuação de “Círculo de Fogo”, que terá como astro principal o ator John Boyega, que também assumirá um papel na produção do longa.

No trailer vemos John, interpretando Jake Pentecost, filho do personagem de Idris Elba no primeiro filme. O mundo parece que se acalmou após a ameaça ter sido derrotada. Entretanto, novos Kaijus surgiram, ainda maiores que os de antes, fazendo os Jaegers parecerem pequenos.

O novo trailer do longa, que será lançado em breve, deixa bem claro essa nova ameaça, bem como o modo que isso deve afetar o combate entre os robozôes e os monstros!

O que acharam?

Crocodilo Dundee está de volta?

Quase isso, já que foi anunciado o quarto filme da série e é o “Dundee: The Son of a Legend Returns Home” (Dundee: O filho da lenda retorna para casa).

Interpretado por Danny McBride, Brian Dundee será o filho do famoso Crocodilo Dundee que rendeu uma trilogia nos cinemas. Símbolo da Austrália, o personagem está fazendo 32 anos em 2018.

Será que isso é real? Se for, estreia no verão australiano (nosso inverno).

Video Girl Ai 2018 | Dorama traz novas aventuras depois de 30 anos do mangá original

Estreou no Japão a série de Video Girl Ai 2018. Continuação do mangá criado lá nos anos de 1990, a série Video Girl Ai está de volta depois de 30 anos, agora com sobrinho do Youta Moteuchi.

Na história original, Youta Moteuchi havia alugado uma estranha fita (pornô?) e uma estranha garota havia saído da televisão. Desde então, Ai tinha 90 dias pra fazer Youta Moteuchi ficar com a garota que ele tanto amava.

Publicado no Brasil lá no começo de 2000 pela Editora JBC, o mangá é do Katzura, criador do Zetman e DNA2, fazendo muito sucesso por aqui.

Agora a história continua na forma de série em que o sobrinho do Youta Moteuchi terá a ajuda da Video Girl Ai.

Review | Street Fighter V – Arcade Edition

Depois de 2 anos e mais 20 gigas, Street Fighter V até que enfim recebe atualização que muitos fãs esperavam.

O modo arcade está entre nós, além de muitas outras novidades e o melhor de tudo, é grátis ou você pode comprar tudo num pacotão, por 40 dólares, com toda as temporadas de DLC anteriores.

História

 No meio do primeiro ano deStreet Fighter V , tivemos o grande update para adicionar o modo Cinematográfico. E agora no Arcade Ed.

Tivemos o que o nome do update diz, um modo arcade, mas não foi apenas um modo arcade mas um legado de todo os Street Fighters até o momento com um pouco de história para cada personagem. O modo Arcade possuem vários finais diferentes.

Gameplay

O update também vem com mudanças no gameplay como um segundo  V-Trigger, e balanço para todo os personagens mas para a maioria dos jogadores casuais a mudança pode acabar despercebidas mas para os hardcore faz toda diferença.

Foram adicionadas também novos modos como Batalha Extra, o qual terá desafios semanais/mensais com recompensa especiais que incluem até mesmo novas skins exclusivos para serem obtidas neste modo.

Houve a reformulação do modo treino o qual agora há uma amostra dos Framedatas, inclusive podendo colocar o modo visual para quem tem vantagem de frame, o que auxilia os jogadores ao entendimento do Meta-game.

 

Gráficos/Som

Não tivemos nenhuma mudança da versão básica para esta, que aliás é apenas a terceira temporada repaginada. Mas não posso deixar de falar sobre o novo layout dourado e outros detalhes como a amostra do fundo(cenário) na escolha do personagem.

Considerações finais

Arcade Edition é sem dúvida um update que os fãs casuais e hardcore queriam, com conteúdo offline e online e com mudanças em quase tudo de ganho de Fight Money, a meta-game das lutas. Além de ser um ótimo pacote para quem não tem ainda e deseja adquirir tudo de uma vez.

Nota

4/5

 

Dragon Ball Super entrará em hiato

Dragon Ball Super entrará em hiato no Japão. A série dará uma parada e entrará no lugar a série Gegege no Kitaro.

Então começa a contagem regressiva pros últimos episódios de Dragon Ball Super antes do hiato.

Lembrando que em dezembro tem novo filme do Dragon Ball nos cinemas japoneses!

Review | Capitão Feio – Identidade

Os gêmeos Magno Costa e Marcelo Costa foram os responsáveis pela Graphic MSP estrelada pelo vilão mais sujo de todos os tempos.

Capitão Feio – Identidade foi lançada em setembro de 2017, na Bienal do Rio de Janeiro, e trouxe uma releitura da origem do vilão. Confira neste JQuadrinhos.

A história

Um homem solitário passeia pelo lixão. Encontra um par de botas que parece servir bem e um par de luvas de boxe, sabe-se lá para que. Ele não destoa de toda a sujeira do lugar e, quando termina sua busca, voa para seu esconderijo.

Ele não se lembra do próprio nome ou como se tornou um andarilho. Chegando em sua “casa”, presenteia alguém com as luvas recém encontradas. Seu companheiro de morada nada mais é do que um boneco feito de sucata, ao qual nosso protagonista está tentando dar vida, mas ainda sem sucesso. Falta alguma coisa, mas o que poderia ser?

O andarilho sai para mais uma busca no lixão e encontra um gibi antigo, que lhe é familiar. Quando é enxotado pelo lixeiro, se esquece das precauções, sai voando na frente dele e acaba sendo visto por uma emissora de televisão, que fazia a cobertura aérea do trânsito. A partir daí, seu sossego acaba.

A chuva cai e lava não apenas sua sujeira como aparentemente seus poderes. Não é mais capaz de voar, precisa correr para se esconder, pois a essa altura seu rosto já é conhecido por todos. A audiência o presenteia com a alcunha de “Feio”, e por mais que ele se esforce para ser discreto e tentar entender quem é, não adianta, é tudo em vão. Ao praticar uma boa ação no melhor estilo Yusuke Urameshi, Feio ainda assim é julgado pela sua aparência e, mais uma vez, humilhado e expulso de onde estava.

Liderada pelo doutor Olimpo, a Polícia Militar passa a persegui-lo, enfrentando-o bem armados. Neste momento, Feio desperta seu maior poder; resta saber se ele será capaz de dominá-lo antes que seja derrotado.

Opinião

Capitão Feio – Identidade é uma história sombria e emocionante. Mesmo sendo uma releitura, a trama respeita a origem adotada para o Capitão Feio nas revistas de linha da Turma e chega até a dar uma esperança de que possa haver um segundo volume, onde se explore o motivo pelo qual ele se tornou quem é.

Em uma das capas internas, uma homenagem à alguns clássicos dos quadrinhos: Akira, Watchmen, Homem-Aranha e Maus, reforçando logo de cara a origem do Capitão Feio, um rapaz amável que amava suas coleções de gibis antigos.
Cascão e sua família também deram as caras na escola, sendo que o Sujinho tem a carinha que os irmãos Cafaggi adotaram para ele em sua trilogia, bem como o Astronauta já imortalizado de Danilo Beyruth. Acredito ser uma bela homenagem e uma afirmação de que o universo das Graphics tem algo de próprio.

Todos esses elementos foram responsáveis por uma história incrível, que nos ensina a nos reencontrar quando estivermos perdidos. Quem sabe um dia o Feio de Magno e Marcelo ou até mesmo o “Feio Clássico” encontrará sua verdadeira essência sob tantas camadas de sujeira? Só o tempo dirá se ele será capaz de aceitar sua identidade.

Review | Chico Bento – Arvorada

Chico Bento volta à coleção Graphic MSP, mas dessa vez em uma história cheia de emoção, pelas mãos de Orlandeli.

Arvorada foi lançada na CCXP tour Nordeste (abril/2017) e traz uma versão do Chico Bento mais próxima de suas histórias clássicas, publicadas nos anos 80 e é a estrela do primeiro JQuadrinhos de 2018.

A história

Como toda criança saudável, Chico Bento sempre acha que pode deixar as coisas para depois. Quando a vó Dita o chama para ver a floração de um certo ipê-amarelo, o garoto parece estar mais interessado em comer um bolo de fubá quentinho do que ver uma árvore florida.

Quando finalmente resolve dar atenção ao convite de sua avó, todas as flores já caíram, deixando a árvore nua. Neste momento, recebe uma importante lição da avó: tudo na vida é feito de momentos efêmeros, que devem ser aproveitados tão logo aconteçam. Assim, Chico promete ver a próxima floração ao lado da avó.

O tempo passa e, finalmente, o ipê parece estar prestes a desabrochar novamente. Chico, empolgado, vai atrás da avó para cumprir sua promessa, mas ela cai doente e parece ser grave.

O garoto fica perdido. Ao mesmo tempo em que deseja do fundo do coração que sua avó melhore o mais depressa possível, sente que há algo errado. Esses momentos sem informações precisas nas quais possa se agarrar o deixam melancólico e apreensivo, descontando às vezes nas pessoas que estão próximas e só querem ajudar. Mas a promessa que fizeram é forte e vó Dita com certeza não deixará de cumpri-la com o neto… Nem que precise de uma ajudinha para tal.

Opinião

Arvorada é uma poesia. Não apenas pelo título ambíguo ou pelas cores vibrantes que combinam perfeitamente com o traço fluído de Orlandeli; mas também porque Chico representa cada um de nós.

Quantas vezes nossos avós, pais, pessoas próximas (parte da família ou não) ou até mesmo nossos animais de estimação quiseram compartilhar momentos conosco e alegamos falta de tempo? Enquanto crianças, queremos brincar ou assistir aos nossos programas favoritos. Quando nos tornamos adultos, as desculpas são o trabalho, o cansaço do dia a dia, entre outras coisas que pensamos na hora só para não ter que passar por aqueles momentos.

Um dia, a vida toma da gente esses seres especiais e só então pensamos que poderíamos ter feito aquela visita, ajudado a limpar aquele jardim, feito aquela comprinha na vendinha da esquina ou até jogado aquela bolinha e gritado “vai pegar!”. Só o que restam são lembranças salpicadas com o gosto amargo da culpa e a saudade que até ameniza, mas nunca some.

Por sorte, em Arvorada, Chico conseguiu se redimir a tempo de criar lembranças das quais se orgulha. Eu também tive oportunidades de criar as minhas com alguém que se foi muito cedo em minha opinião, mas que ainda hoje me inspira nos momentos difíceis. E vocês? Conseguiram se redimir a tempo de não precisar se arrepender? Espero de coração que sim, pois como a vó Dita bem disse, “é um presente embrulhado num pedaço de tempo”. E o tempo não para.

Review | Pluto #1

A Panini passou 2017 dando tiros nos fãs de mangá e na CCXP não poderia ser diferente; Pluto finalmente chega ao Brasil e foi um dos lançamentos disponibilizados no evento. Neste JMangá, trago um pouco dessa obra, resultado de uma parceria entre Naoki Urasawa (Monster) e Osamu Tezuka (dispensa apresentações).

A história

Amado por todos, sem inimigos conhecidos e de forma inexplicável, o robô patrulheiro suíço Mont Blanc é encontrado totalmente destruído após um incêndio ocorrido em uma área de reflorestamento. Dias depois, um membro da diretoria da sociedade protetora dos direitos dos robôs, Bernard Lanke, também é encontrado morto em seu apartamento.

O inspetor da Europol Gesicht é designado para investigar os casos e, de imediato, já identifica uma coincidência em ambos os assassinatos: ao lado das cabeças das vítimas, algo fincado de modo a parecer um par de chifres.

Gesicht consegue prender um suspeito, mas tratava-se apenas de um viciado que agrediu um policial e destruiu um robô patrulheiro para evitar prisão por drogas. Ao levar o cartão de memória do robô destruído para sua viúva, o inspetor descobre algo que pode ajudá-lo a encontrar o verdadeiro responsável pelas mortes de Mont Blanc e Bernard Lanke.

Decide então seguir nessa linha de investigação e interroga o criminoso BRAU 1589, um robô que assassinou seres humanos oito anos antes, contrariando as leis da robótica. Após provocar bastante Gesicht, BRAU vê as fotos das cenas dos crimes e, ao reparar nos chifres, faz alusão ao Deus da Morte de várias mitologias, que possui chifres e que é chamado de Pluto dentre os romanos.

Longe dali, um músico cego contrata um robô para realizar as atividades domésticas, North no. 2, que serviu o exército na guerra. Após um começo difícil, o músico aceita a presença de North no. 2, até que este se afasta para proteger seu amo e também acaba morto.

Gesicht então percebe que alguém está assassinando os robôs mais poderosos no mundo; restam mais cinco, incluindo ele mesmo. Resta saber se ele conseguirá deter o assassino antes que este concretize seus planos.

O Maior Robô da Terra

Pluto é uma releitura do arco de mesmo nome do mangá/anime Tetsuwan Atomu (Astro Boy), obra do Deus dos mangás Osamu Tezuka e na qual Gesicht é um coadjuvante.

Esta história impressionou tanto Naoki Urasawa que este procurou o presidente da Tezuka Productions com seu produtor para expor a intenção de criar um mangá baseado neste arco.

Aproveitando o aniversário de 50 anos da criação de Astro Boy e devidamente autorizado por Macoto Tezka, filho mais velho do Mestre, que também se prontificou a supervisionar a obra. Assim, Pluto nasceu e, além de aclamado pelos leitores, ganhou vários prêmios no Japão e ao redor do mundo, conquistando fãs novos e antigos.

A edição brasileira

Atendendo a pedidos, a Panini publicou Pluto em um formato melhor do que as obras do autor publicadas anteriormente (a obra prima Monster e o confuso 20th Century Boys): a edição é semelhante às de Vagabond, Slam Dunk e One Punch Man, com papel off-set e orelhas.

As primeiras páginas são coloridas e a edição ficou com um preço condizente para o público alvo (R$ 18,90, bimestral).

A tradução ficou por conta de Dirce Miyamura e a edição é de Beth Kodama.

Opinião

Apesar de ser muito fã de Monster, Pluto sempre foi minha obra favorita de Urasawa.

Além de respeitar o espírito dos personagens criados por Tezuka, Pluto tem um clima sombrio mas que ao mesmo tempo é salpicado com uma tímida esperança.

Gesicht e seus companheiros são robôs, mas assim como Atom (Astro Boy) têm sentimentos mais complexos e verdadeiros do que os seres humanos. Desde o começo, o protagonista tem que lidar com humanos que menosprezam as máquinas, ao mesmo tempo que os protege, preso às leis da robótica que são a cruz que todo robô carrega; ele não entende como BRAU 1589 pôde fazer mal aos humanos, mas ao mesmo tempo pode ter a resposta dentro de si.

Li Pluto há mais de cinco anos em inglês, me apaixonei pela história e estou feliz que finalmente ela tenha vindo para o Brasil, em uma edição bonita e durável. Espero que vocês aproveitem a história tanto quanto eu curti no passado e estou curtindo agora.

Review | E Bleach chega ao fim…

Amado por uns, odiado por outros, finalmente Bleach chega ao fim no Brasil; a edição de número 74 foi lançada na CCXP e já pode ser encontrada nas bancas e lojas especializadas.

Depois de me esquivar do volume final de um dos meus mangás favoritos durante meses (e ameaçar quase todo mundo com medo de spoilers), finalmente posso dar meu parecer neste JMangá.

Relembrando a primeira parte

Tudo começa com um colegial meio delinquente, Ichigo Kurosaki, que é capaz de enxergar espíritos. Um dia ele acaba esbarrando na shinigami Rukia Kuchiki, que está tentando capturar um Hollow, criatura que “come” os espíritos errantes, impedindo que eles sigam seu caminho.

Ichigo acaba meio que atrapalhando o trabalho de Rukia e envolvendo sua família na caçada. Para ajudá-los, o garoto pega emprestado os poderes dela e acaba roubando tudo, sendo obrigado a fazer o trabalho dela enquanto a situação não é revertida.

Nesse processo, Ichigo acaba sabendo mais sobre a Soul Society, local onde os shinigami moram e para onde as almas por eles salvas são enviadas. Rukia, por sua vez, torna-se uma colegial e assistente de Ichigo e acaba fazendo amizade com os humanos e passando a se importar mais com todos. Sado e Orihime, amigos de Ichigo, também desenvolvem habilidades especiais e tudo isso acaba despertando a atenção da Soul Society, que acaba prendendo Rukia.

Ichigo e seus amigos partem para salvá-la e é aí que começa o primeiro grande arco de Bleach, a saga da Soul Society, que é a única que faz algum sentido. Depois disso, a história fica bem esquisita.

Discutindo a obra

A verdade é que, tirando o primeiro, os arcos de Bleach começam de maneira grandiosa, prendendo o leitor de todas as formas possíveis, mas o autor se perde no final. Ele cria personagens incríveis (como o coringa para todas as horas Zaraki), mas na maioria das vezes esquece deles.

Quando os personagens reaparecem, a gente nem lembra onde eles estavam e o porquê deles não terem sido cogitados para resolver aquela treta em específico. Fora as soluções mirabolantes, como o pai de Ichigo ser um shinigami meio aposentado e a mãe dele uma quincy, cuja maioria dos representantes foi dizimada pela Soul Society.

Fiquei especialmente chateada com a última grande saga de Bleach, onde o chefão quincy faz e acontece (e na qual a gente vê quase o elenco todo morrer que nem barata); o cara tem um monte de subordinados com nomes impronunciáveis, tem poderes que não podem ser superados por ninguém, os discursos de vilão mais épicos… e é derrotado de um jeito tão sem graça, que te faz questionar o porquê de ter acompanhado a saga até ali.

Opinião

Quem leu até aqui deve estar pensando: nossa, e essa aí se diz fã de Bleach? Sim, sou uma fã ardorosa de Ichigo e seus amigos e é exatamente por isso que sou sincera ao dizer que fiquei muito aborrecida com o rumo que a história tomou.

Quando comecei a ler, tinha certeza que Ichigo e Rukia passariam o inferno por causa de suas escolhas equivocadas (cheias de boa intenção), mas que superariam tudo e ficariam juntos no final. É o que você espera depois de um resgate daqueles na Soul Society e de todo o drama mexicano envolvendo as origens de todos os personagens… mas eu fui enganada.

Claro que mangás shonen têm a premissa do “vencer o impossível” e Bleach cumpriu esse requisito. Mas nunca imaginei que o caminho dos dois seguisse de forma separada. Na verdade, Ichigo nunca me pareceu sentir algo por Orihime além da amizade, o que me deixou com a sensação desagradável de que a garota casou com ele se conformando com a posição de prêmio de consolação.

Acompanhei tantas sagas onde o laço deles parecia ter ficado mais forte só para ver Renji Abarai, amigo de infância de Rukia e seu colega shinigami, mandar no meio da batalha final uma confissão: de que Ichigo os reaproximou. Quando vi o olhar do garoto após a revelação, saquei que esse seria o último plot twist da obra.

Não bastou a espada do Ichigo ser uma… projeção do quincy chefão, nem o casamento dos pais dele ser um verdadeiro embuste, nem o combo (luta × 3) + (bravatas mil) + (bankai manjada) + (bankai inédita) = Zaraki resolve tudo no final ser sumariamente esquecido, ou tantas sagas que tinham tudo para serem espetaculares terminarem de modo medíocre: o casalzinho dos sonhos não ficou junto.

Vendo por esse lado, não adianta elogiar o traço do mangá que melhorou 1000% nesses anos todos (antes os personagens eram apenas testa), os esforços do autor em tentar chamar nossa atenção criando soluções mirabolantes para problemas que ele mesmo não pensou que seriam impossíveis de resolver ou ter se apaixonado pela obra de forma irreversível. Mesmo assim, meu coração foi partido no fim.

Mas teve pôster de brinde <3

Vocês podem dizer que sou fútil, que mangá não é que nem novela da Globo que tudo se acerta no final e mais um monte de outras coisas. O fato é que, para mim, aqueles dois eram almas gêmeas. Foi por isso que se encontraram naquele primeiro volume, que compartilharam poderes, mobilizaram amigos e aliados e chegaram vivos no final. Se um mangá que fala de espíritos quase o tempo todo não junta as peças no final, qual juntará?