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Vivendo no Japão #09: Você já assistiu esse mangá?

X-Men_Anime_SliderCalma! Eu não sou aquele seu parente que te dá uma cartela de figurinha do Bakugan de amigo secreto porque viu aquele pôster do Naruto, Dragon Ball ou Cowboy Bebop no seu quarto (ou como essa pessoa apelida carinhosamente esses deseinhos de japonês). Antes que caiam matando pelo título do texto, senta, respira, toma uma xícara de café e vamos conversar sobre os termos que envolvem o universo dos mangás. Pra quem não viu, na semana passada eu decidi entrar nesse assunto mais “interno” à minha pesquisa, e coloquei em questão o termo otaku e outros conceitos que giram em torno dele. Hoje vou trazer um pouquinho sobre o como é usada a palavra Mangá no Japão, e uma discussão rápida sobre os principais gêneros (demografias). Assim como na semana passada, não entrarei muito em mérito de origem da palavra e etimologia, pra quem tem interesse devem ter centenas de artigos em livros, revistas e sites explicando os kanjis e a origem do termo e tudo mais. Eu estou aqui para falar sobre uso.

Basicamente, qualquer pessoa com alguma experiência em relação a animações e quadrinhos japoneses pode dizer que mangá é um quadrinho japonês, e animê (sim, eu tenho necessidade de marcar a acentuação, porque me dói ouvir pessoas falando aNIme) é uma animação japonesa. Somente um poser ou desinformado faria a pergunta do título, correto? Hum… não é bem assim. Primeiramente, no Japão a palavra animê, abreviada do inglês animation, diz respeito a qualquer animação, não importa sua origem. Assim como mangá é um termo geral para histórias em quadrinhos. Ou seja, um japonês olha para um Superman, um Sandman e um Persepolis e os chama de mangá. Isso é algo que tenho me deparado muito em minhas pesquisas e aulas de mestrado sobre quadrinhos. Geralmente, quando há uma necessidade de especificar eles chamam de “manga ocidental (西洋マンガ)” ou especificam o país, como “nihon manga”, para se referir às obras japonesas, ou ainda, em pesquisas especificas sobre o quadrinho francês, por exemplo, pode ser que o autor opte por usar o termo original em francês bande dessinée.

Você deve estar pensando “mas continua errado falar assistir um mangá”. Pois é, mas além de se referir aos quadrinhos estrangeiros como mangá, ainda é bastante comum que japoneses usem a palavra mangá para se referir a animês, devido à associação quase que automática entre os dois universos. No caso, é um uso um pouco menos frequente, mas ainda assim perfeitamente natural e que não causa nenhuma confusão. O falante tem a noção de usar apropriadamente um ou outro de acordo com o contexto. Por exemplo, numa aula em que estamos discutindo a adaptação de animê de Fullmetal Alchemist, se alguém usar o termo mangá, será se referindo à história em quadrinhos no qual se baseia.

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Mas e agora? Como vou saber usar os termos? Veja bem, eu estou apenas falando sobre o uso desses termos no Japão. Porém, o ponto que quero chegar aqui é, quando usamos a palavra mangá no Brasil, não estamos falando em japonês, não temos a bagagem linguístico-cultural de um japonês e nem o nosso interlocutor. Por isso, temos que ter consciência que o termo mangá em português é uma palavra “nossa”, que adquire novas configurações de acordo com a nossa necessidade. Assim, quando usamos o termo, não estamos nos referindo a quadrinhos de um modo geral. Também, gostaria de defender um ponto de vista que tem muitos adeptos e outros tantos críticos. De que o “mangá” não se refere à história em quadrinhos escrita e publicada no Japão ou por um autor japonês, mas sim a um estilo de narrativa gráfica, que possui uma série de características artísticas. O que estou defendendo aqui, é a ideia de um “mangá brasileiro”, ou “mangá australiano”.

Nesse quesito de estilo narrativo, saindo um pouco do assunto dos mangás, sinto necessidade de expressar meu descontentamento ao ver algumas editoras lançando edições de luxo de certos quadrinhos e chamando de Graphic Novel. Graphic Novel é um gênero, um movimento artístico, não um formato editorial. Sandman pode ser impresso em papel higiênico que vai continuar uma Graphic Novel, enquanto aquele quadrinho seriado da linha principal do Superman não se torna uma Graphic Novel só por ser impresso num papel melhor e ter um melhor acabamento do livro. Isso é, obviamente, uma estratégia editorial de marketing, porque chamar o material de Graphic Novel faz ele parecer mais “sério”, “adulto” e “digno” do que chamar de HQ ou comics (que é o que ele realmente é). Claro, há Graphic Novels de super herói, como alguns do Batman (do Frank Miller e do Alan Moore), mas eles são escritos com essa linguagem própria deste gênero e são esteticamente diferentes do padrão dos quadrinhos de super-herói.

E é nessa mesma esteira do usar um termo que faça a obra soas mais “digna” que quero finalizar este texto com uma crítica a respeito do modo como os gêneros do mangá são entendidos no Brasil. Já ouvi coisas como é “shoujo, mas tem batalha”, “é shonen, mas é tão bom que parece seinen”. Primeiramente, muitos devem estar cientes que os mangás no Japão são predominantemente publicados por capít  ulos em grandes revistas semanais, mensais, bimestrais, etc, onde diversas séries são lançadas juntas. Assim, as classificações demográficas dos mangás (que às vezes chamamos de gêneros), dizem respeito ao público-alvo destas revistas. Ou seja, um mangá shonen, é um mangá publicado numa revista que tem a faixa shonen (garotos em idade escolar) como seu público-alvo, isso não quer dizer que esse seja o publico efetivo daquela obra. Muitas vezes acontece de um mangá até mesmo mudar de revista ao se perceber que seu leitor real não corresponde ao público-alvo da revista. Como é o caso de diversas obras shonen “limítrofes” (ou seja, que tem um maior apelo para o público mais velho dentro da faixa estipulada para o shonen – colegiais, por exemplo), que acabam migrando para uma revista seinen, como aconteceu com Jojo, Bastard e Vinland Saga. Nesses casos o leitor da obra acaba indo para a nova revista e conhecendo outras obras que podem agradá-lo, e o leitor fiel da tal revista tem a chance de conhecer a obra que talvez ele não conhecesse por não acompanhar a revista shonen.

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No entanto, é muito comum que o seinen seja tratado como mais maduro ou mais evoluído do que o shonen, assim como o josei em relação ao shojo. Também, muitas vezes se tem a imagem de que o seinen é a casa de tudo aquilo que o leitor mais novo não pode ver, ou seja, que tem histórias mais violentas e explícitas. De fato, há muitos seinens que apresentam sangue, entranhas e cenas de sexo de forma mais direta do que é possível expressar num shonen. Mas, o que se deve ter em mente é que um seinen não é apenas aquilo que não pode entrar em shonen, mas muitas vezes, coisas que não interessam ao um garoto de 12 anos, mas que pode interessar um de 17. É uma questão de cativar o interesse e a identificação do leitor. Por isso que, pode soar estranho, mas é perfeitamente compreensível notar que K-on, por exemplo, é uma mangá seinen. Ainda há muitos outros detalhes que eu poderia acrescentar para fortalecer meu ponto, mas por hora vou deixar apenas a reflexão de que, assim como nem sempre um adulto age com mais maturidade do que um colegial, nem sempre um seinen é “melhor” do que um shonen. Afinal, eu duvido que um número grande de pessoas tenha argumentos para discordar se eu disser que Fullmetal Alchemist é melhor, mais profundo e maduro do que K-ON. Esse tipo de visão discriminatória dos gêneros é o tipo de “preconceito” que não leva a lugar nenhum. Você pode perfeitamente gostar mais de seinen, assim como pode gostar mais de josei, de shoujo ou de yaoi, mas não confunda um gosto pessoal com um conceito de qualidade. Há elementos internos em uma história que mede suas qualidades.

Espero pela opinião de vocês sobre esses termos. Vamos dialogar, debater e aprofundar o entendimento dos conceitos todos (até porque é muito proveitoso pros meus estudos poder refletir aspectos sobre pontos de vista diferentes). Lembrando que os argumentos que usei aqui dizem respeito à linha de pensamento e estudos que eu sigo, e que podem haver outras linhas que entrem em conflito com esta.

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PS. Minha obsessão da semana não poderia ser outra senão: Star Wars- Episódio VII: O Despertar da Força. Desde que começou a promoção mais intensa do filme, com vários canais do Youtube divulgando, e os produtos relacionados ao filme invadindo as prateleiras até do super mercado, aqui no Japão, eu entrei no hype. Aí esta semana, resolvi colocar os animês da temporada de lado e refrescar a memória reassistindo a trilogia mais antiga, que eu não assistia há uns 12 anos. Com isso meu Hype só foi crescendo até explodir assistindo o filme no cinema ontem. Não vou entrar em nenhum spoiler pra não estragar a surpresa de quem ainda não viu, mas tenho que dizer que os “fanservices”, os elementos dos filmes anteriores que foram resgatados, me arrepiaram. Quem ainda não viu, o podcast dessa semana foi sobre o filme, corre lá.

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JWave #278 | Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força

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O JWave esteve na pré estreia e gravou podcast especial “repleto de spoilers” sobre o novo episódio da saga Star Wars.

J. J. Abrams conseguiu? Qual a polêmica dos spoilers? Descubra tudo e mais um pouco no nosso especial sobre o novo episódio da saga criada pelo George Lucas.

Juba, Dash, Dennis Himura (do Republika Pop) , Gustavo Eman, Ayrton Rocca Neto se reúnem para falar tudo de Star Wars.

Participantes




No JWave #278: Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força
George Lucas
J. J. Abrams
Kathleen Kennedy
Bryan Burk
Michael Arndt
Lawrence Kasdan
Harrison Ford
Carrie Fisher
Mark Hamill
Daisy Ridley
John Boyega
Oscar Isaac
Adam Driver
Peter Mayhew
Anthony Daniels
Kenny Baker
Lupita Nyong’o
Andy Serkis
Max von Sydow
John Williams

Também ouça
JWave #150: Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança
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E-Sports: XLG investe para se tornar maior liga online em 2016

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Notícias boas no e-Sports com a Xtreme League (XLG), organizada pelo BoaCompra (da Uol), que está num processo de expansão em 2016. Qual a meta? Não é somente em dobrar ela, mas se consolidar como a maior liga independente de e-Sports do Brasil.

O que muda? O formato que contará com uma programação semanal com partidas de jogos eletrônicos, transmitidas com exclusividade pela Azubu, rede mundial de entretenimento especializada em esportes eletrônicos e parceira exclusiva de streaming da XLG.

E quais jogos estão na parada? League of Legends, Dota 2 e Counter Strike: Global Offensive.

Quantos times? 18 times no total, competindo para se destacarem como os melhores do Brasil. Os times estarão disputando os mais de R$ 350.000,00 distribuídos ao longo da temporada.

Em tempos que o Brasil só fala em crise, o investimento na XLG vai na contra mão e revela a intenção do BoaCompra pela consolidação do e-Sports no Brasil.

Para saber mais dos times participantes e o calendário em si, o JWave recomenda que você deva acessar o http://xlg.uol.com.br.

Com informações da assessoria da Boa Compra.

Editora JBC anuncia Kekkai Sensen – Blood Blockade Battlefront

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E as novidades para 2016 não param. A Editora JBC anunciou Kekkai Sensen – Blood Blockade Battlefront, de Yasuhiro Nightow.

Kekkai Sensen gira em torno da organização de combate ao crime chamada Libra e suas batalhas em Nova Jerusalém, anteriormente conhecida como Nova York. Em uma noite terrível, Nova York foi destruída e reconstruída, prendendo os nova-iorquinos e criaturas extradimencionais em uma bolha impenetrável onde o mistico e o mundano coabitam. Eis que alguém decide romper a bolha. Cabe a Libra evitar que os horrores da cidade se espalhem para todo o mundo.

Kekkai Sensen – Blood Blockade Battlefront possui 10 volumes e ainda está em publicação.
Não foi divulgado informações sobre preço, formato e periodicidade.

Crítica | Star Wars: O Despertar da Força

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Devo confessar que nunca tive tanto medo de não soltar um spoiler, como em Star Wars: O Despertar da Força. Prometo tomar cuidado e falar o essencial sem que estrague sua diversão que é assistir esse novo episódio nos cinemas.

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Produção

A história do novo episódio nasceu no dia que a Disney comprou de porta fechada a LucasFilm. O anúncio pegou todo mundo de surpresa, que não seria só três filmes, mas seis filmes que a Disney faria.

Numa escolha difícil de substituir George Lucas, a Disney e a LucasFilms começou o recrutamento e muitos diferentes recusaram a chance de dar sua visão ao universo de Star Wars. Parecia uma missão impossível, e falando de algo que parecia impossível, J. J. Abrams, aquele que fez um semi reboot em Star Trek, inserindo o estilo Star Wars na franquia concorrente, parecia o cara ideal para a missão.

Assim a contagem regressiva para um Star Wars chegar aos cinemas começou e a expectativa estava altíssima. Agora… J. J. Abrams conseguiu despertar a força em Star Wars? Sim, ele conseguiu.

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A História

Passaram quase 30 anos desde os fatos de “O Retorno de Jedi” e aquele mundo mudou muito desde então. A Aliança Rebelde conseguiu restaurar a República Galáctica. Só que isso não impediu novos inimigos surgirem e nessa nova realidade que temos a Primeira Ordem.

O que sabemos é que aqueles que lutaram pelo fim do Império meio que viraram lendas urbanas e hoje são ecos a ponto de duvidarem que eles realmente existiram. É assim que Luke Skywalker desapareceu sem deixar vestígios, fazendo que sua história seja uma lenda.

Apresentados nessa realidade, conhecemos o piloto Poe Dameron, que está no planeta Jakku e acaba tendo que fugir da poderosa Primeira Ordem. Ele acaba passando uma missão muito importante para BB-8, que é seu droid e tem mapa da localização aonde está Luke Skywalker.

O Stormtrooper FN-2187 acaba não aguentando a brutalidade de Kylo Ren, o cara mais poderoso da Primeira Ordem que vimos até então. Assim, depois de ver Poe Dameron ser capturado e torturado, FN-2187 acaba ajudando na fuga e sendo rebatizado de Finn por Poe.

Enquanto isso vemos BB-8 fazendo amizade com a catadora de lixo, Rey, que troca o que captura por refeições. Rey vive sozinha e encontra no BB-8 um grande amigo.

A fuga de Poe e Finn, além de Kilo Ren saber o mapa aonde está Luke Skywalker é o que faz todas as peças do jogo serem reveladas num combate República X Primeira Ordem.

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Opinião

O “Despertar da Força” honra o título e traz de volta muito do clima da trilogia clássica (algo que os primeiros episódios não conseguiram fazer). Alguns dizem que esse episódio VII é um remake de “Uma Nova Esperança”, o que não deixa de repetir conceitos, características, e essências de uma briga que a família Skywalker está a gerações brigando nas telas.

Rey impressiona e muito ao se tornar protagonista cheia de dúvidas da sua origem, mas ao mesmo tempo, ela está entrelaçada a maldição dos Jedis do passado. Catadora de lixo, Rey tem habilidades de luta ao ter crescido sozinha, mas não só isso que vemos na tela.

Han Solo e Chewbacca trazem nostalgia e são apenas a ponta do iceberg para entendermos o que aconteceu nesses 30 anos que separam do filme anterior. Será que Han Solo se casou com Leia Organa? O que aconteceu com os dois? São perguntas que serão respondidas pelo filme, explicando não só isso, como também que eles se sentem responsáveis pela desgraça que fez Luke Skywalker sumir do mapa.

J. J. Abrams conseguiu respeitar o universo de George Lucas, trazendo cenas de ação com adrenalina que funcionam muito bem em 3D no cinema. Por mais que o roteiro faça suas homenagens aos filmes clássicos, o novo Star Wars consegue andar com suas próprias pernas com Rey, Finn, BB-8 e o vilão Kilo Ren.

É verdade que cada minuto que o filme passa e vai revelando que não se trata só de um reencontro de velhos amigos, mas uma luta pela liberdade e que tudo pode realmente acontecer. Sabendo isso, tiro o chapéu para Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine), Lawrence Kasdan (Império Contra Ataca) e próprio J. J. Abrams que conduziram um roteiro com maestria, trazia legado, brincadeiras e montado estruturas para uma nova saga começar.

Outro ponto positivo são os diálogos dos personagens que trazem uma naturalidade muito maior que a dos filmes anteriores. É mérito do roteiro e da direçãoo em fazer sentirmos essa credibilidade em que cada personagem pareça real em cena.

Por que Kilo Ren tem obsessão por Darth Vader? Qual a ligação dele com a família Skywalker? Foi ele que fez Luke se exilar? Muitas perguntas ficam em nossa cabeça com a chegada desse vilão. Por mais que seu visual não tenha sido impressionante nas imagens de divulgação, o personagem funciona em cena.

Diferente dos outros filmes, aqui sabemos que a história simplesmente não acaba. Episódio VII deixa angústia em saber que teremos que esperar 2 anos para sabermos o que realmente irá acontecer para o próximo passo.

Espero ter não exagerado nos detalhes, mas torço para que aprecie o filme sem spoilers. A graça está em apreciar e ver como esse novo episódio vai se encaixando com a mitologia de Star Wars.

Resultado do Concurso Cultural Sambomaster e Ressaca Friends!

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Pedimos desculpa pelo atraso, mas finalmente a equipe do JWave junto da Yamato chegou aos finalistas do Ressaca Friends. Foram muitas respostas criativas e ficamos em dúvida no final quem merecia ser o ganhador do concurso, portanto agora vamos revelar o ganhador do concurso.

O ganhador foi Cicero Tenorio da Silva Junior, também conhecido pelo apelido Blackk Wolfs (https://twitter.com/Blackkwolfs)

1 – Akihabara

2 – Takashi Yamaguchi, Yasufumi Kiuchi e Yoichi Kondo

3 – Com certeza é “I Love You & I need you Fukushima”. Quando assisti o dvd “Anata no koto shika kangaerarenai” onde a banda toca essa música no show, não tem como não se emocionar, cantar e chorar junto com a platéia emocionada. Essa musica TEM que tocar no show. É isso ai senhores! Vejo vocês no show \o/ !!!

Agradecemos todos que participaram e lembrando ao Cicero que seu nome foi enviado para a Yamato para você entrar no evento e também assistir o show no Hot Zone. Caso você não se manifestar nas próximas horas, outro ganhador será selecionado.

Se você não ganhou nessa vez, não fique chateado, porque em breve teremos outros concursos culturais por aqui. Parabéns a todos que participaram e até o próximo concurso.

Review | Vitamin

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Não é bacana receber rótulos, ser hostilizado ou julgado por suas atitudes. A intolerância, infelizmente, ainda está muito presente na sociedade como um todo, mas aqui vamos falar de uma versão dela, a implicância. Vitamin traz uma história densa, que mostra o que a implicância pode fazer à vida de alguém.

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A história

Sawako Yarimizu é uma ginasial como tantas outras: notas na média, namorado relativamente popular, amigas até que boazinhas e… sem vontade própria. Ela quer passar no melhor colégio possível para agradar a mãe, que tem a filha mais velha como modelo; não consegue recusar os pedidos do namorado para fazer sexo em locais não muito recomendados, não tendo voz nem para se recusar a fazer coisas que a machuquem e também é incapaz de ser sincera consigo mesma.

Sua situação muda drasticamente quando é surpreendida por um colega de sala em meio a um ato sexual dentro da classe. No dia seguinte, a história se espalhou como rastilho de pólvora e Saeako passa a ser alvo de bullying. É aí que o inferno começa.

Seu namorado se isenta da responsabilidade mútua, o que faz com que a garota seja ainda mais hostilizada, sofrendo não apenas agressões verbais como também agressões físicas pesadas. O professor responsável pela classe acha que tudo não passa de exagero e sua mãe não pensa em nada que não seja o risco de Sawako não conseguir se formar. Diante de tal situação insustentável, o pior só não acontece porque ela se lembra de algo que abandonou ainda pequena, mas que não é tarde para retomar. Isso se torna a sua vitamina para reagir e novamente poder andar de cabeça erguida.

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Opinião

O modo como Sawako vai e volta do inferno várias vezes é desesperador. Quando você acha que não é possível acontecer mais nada com ela, Keiko Suenobu (mesma autora de Limit, também lançado pela JBC e cujo último volume está previsto para dezembro \O/) mostra que os bullies sempre podem ir mais longe enquanto têm certeza da impunidade.

As atitudes da família de Sawako também nos deixam divididos; enquanto o pai é compreensivo, a mãe demora um pouco para perceber a verdadeira dimensão do problema da filha. As cenas finais das duas são extremamente emocionantes, bem como a formatura de Sawako.

Para quem está esperando desenhos como os de Limit, pode esquecer. Vitamin é de 2001, enquanto Limit foi lançado quase dez anos depois, tempo suficiente para a autora amadurecer seu traço e sua narrativa de forma esplêndida. Ainda assim, longe de estar datada, a história de Vitamin ilustra o que muitas pessoas sofrem por aí. Pode ser em maior ou menor escala, mas ainda assim representa de forma sublime. Além disso, a JBC caprichou nesse one-shot, publicando a edição brasileira em papel off-set.

Para todos aqueles que gostam de emoções fortes, leiam Vitamin. Repassem a história adiante e, quando bater aquela vontade idiota de fazer aquela “brincadeira” com seu colega de trabalho, escola ou com quem quer que seja, pense nesta história e reflita: nem toda brincadeira tem graça e nem todo final é feliz.

Vocês queriam saber como está Vitamin da Editora JBC , não é? #ccxp2015 @editorajbc

Um vídeo publicado por Giuliano Peccilli (@juba_kun) em

Review | Turma da Mata – Muralha

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Quem achou que as aventuras épicas nas Graphics MSP ficariam por conta apenas de Astronauta e suas missões espaciais deve ter se surpreendido bastante com o nono título. A trama de Turma da Mata – Muralha, Artur Fujita, Roger Cruz e Davi Calil traz Jotalhão, Coelho Caolho e seus amigos em uma batalha de vida ou morte para não só recuperar a honra há muito perdida de um guerreiro, como também para retomar o direito de usufruir de um bem que pertence a todos.

A história

Um metal raro chamado calerium foi descoberto. Suas propriedades revolucionaram a ciência: ao entrar em contato com a água ele aquece e só para com a evaporação desta ou quando o metal já se desgastou por completo. Isso possibilitou a invenção de uma infinidade de veículos e instrumentos à base do vapor produzido pelo Calerium, o que tornou o reino do rei Leonino I extremamente rico e poderoso.

O rei, que não tinha sabedoria suficiente para lidar com estes desdobramentos sem que a ganância corroesse seu espírito, saiu da Mata e construiu um castelo nas montanhas para monopoilizar o uso do metal. Além disso, cercou seu novo lar com uma muralha que só poderia ser vencida pelo alto. Para explorar as minas de calerium, o rei mantinha alguns moradores da Mata em regime de escravidão, pois não haviam mineradores suficientes para a árdua tarefa.

Exausto dos abusos reais e à procura de algo valioso do qual se separou, um bravo elefante verde guerreiro um dia invade a nau onde o rei está e trava uma luta medonha com seus ocupantes, porém não sem causar graves consequências: no meio da contenda, o guerreiro e o rei Leonino I acabam despencando da nau ao encontro da morte. Para trás, guardas atônitos e um filhote de elefante verde, que havia sido capturado mais cedo e por quem o corajoso pai acabara de dar a vida.

20 anos se passaram. Jotalhão já não é mais um filhote indefeso que buscava ser igual ao pai. Agora, ele passa seus dias confinado em uma saleta, fazendo trabalho administrativo e sendo solenemente ignorado ou avacalhado por todos os macacos da guarda real. Sua vida não tem nenhuma emoção, mas a amargura daquela batalha longínqua ainda macula seu coração, porém sem extinguir sua gentileza.

Em uma noite como qualquer outra, o rei Leonino II (herdeiro mimado, porém menos babaca do que seu antecessor), prepara-se para partir em uma missão diplomática. As reservas de calerium estão próximas do fim e os habitantes da fortaleza passarão fome em breve. Ele deixa instruções para Luis Caxeiro cuidar de tudo em seu lugar enquanto viaja, porém, quando embarca na nau, o veículo explode e parece vitimar o monarca de forma fatal. Desconsolado, Caxeiro é incapaz de perceber quem está por trás do atentado e deixa o inimigo, o conselheiro Fuinha, governar tudo bem debaixo do seu focinho.

Como se já não fosse emoção suficiente, uma pequena grande espiã invade o palácio e descobre a trama atroz que se desenrola. Ao fugir, acaba envolvendo o bonachão Jotalhão no processo, que embarca nessa por motivos muito alheios à sua vontade. Nessa jornada que provoca um retorno às suas origens, o elefante mais amado do Brasil irá reencontrar seu passado, exorcizar alguns fantasmas (e ressuscitar pelo menos um deles) e abraçar a oportunidade de, finalmente, honrar seu pai, tentando consertar o erro que o persegue desde a infância.

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Os autores

Turma da Mata – Muralha conta com um trio de autores muito conhecido do mundo dos quadrinhos. Artur Fujita, quadrinista e ilustrador, faz cenários para a animação “Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas” (Cartoon Network) e já trabalhou como colorista para a Marvel e a DC. Roger Cruz foi o primeiro brasileiro a desenhar para a Marvel, emprestando seu talento para diversos títulos do universo dos X-Men entre outros heróis da editora. Além disso, lançou trabalhos autorais como por exemplo Xampu Lovely Losers (Devir), entre outros. Davi Calil trabalhou como character design para as Historietas Assombradas, colaborou com a Mad entre outros trabalhos e dá um curso de pintura na Quanta Academia de Artes.

Os três também fazem parte do coletivo Dead Hamster, que publica seus projetos independentes desde 2013.

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Opinião

Turma da Mata – Muralha é o tipo de aventura que te faz rever os conceitos que você tinha sobre determinados personagens, mas sem perder a essência de cada um deles. Por trás da panca de guerreiro valente que um ressentido Coelho Caolho tenta vender para seu amigo de infância Jotalhão, está um pai amoroso que se preocupa com o bem-estar da família. Este, por sua vez, não confia na sua própria capacidade, mas não deixa de incentivar os amigos com suas boas ideias (baseadas em sua extrema capacidade de observação e memória prodigiosa, digna de sua herança como elefante). A determinada Rita Najura em seu papel de espiã está incrível, mas ao mesmo tempo dá pra ver que a “quedinha” pelo paquiderme verde está lá. Mesmo o rei Leonino, que sempre foi aquele personagem que dá vontade de socar, continua com sua essência intocada, porém com um quê de bravura que sabemos que está lá e que irá emergir se a situação assim desejar.

Com cores de tirar o fôlego e uma trama densa, porém condizente com o que foi proposto ao trio de artistas, esta história é uma daquelas que nunca será classificada como “datada”. Considerando o momento mundial atual, não é difícil ver pessoas do mesmo “país” disputando algo que é seu por direito recorrendo à guerra. A batalha iniciada por causa de uma Muralha no meio da Mata teve um final feliz, e isso nos um pouco de esperança que, um dia, o mundo também encontre respostas para seus problemas sem recorrer à violência ou a muros que separem seus iguais.

Review | Blade – A Lâmina do Imortal

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Um ronin imortal que parece ter saído de uma música de punk rock e uma jovem que deseja se vingar do assassino de sua família. Por muito tempo, achamos que não veríamos o final desta saga incrível em português, até que a JBC mitou anunciando a republicação em grande estilo: formato Big, papel off-set, páginas iniciais coloridas. Vamos matar a saudade de Blade – A Lâmina do Imortal?

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A história

Manji tornou-se um ronin após assassinar seu senhor por discordar do modo como ele agia com a cobrança de impostos. Fugitivo, acabou por matar também o marido de sua irmã num desses embates pela sua vida, fazendo com que esta perdesse a razão. Para ajudá-lo a refletir sobre a vida e a morte, uma monja misteriosa chamada  Yaobikuni coloca no corpo de Manji o Kessenchu, vermes que refazem os tecidos danificados em seu corpo de tal forma que não o permite morrer.

Em mais uma batalha de vida ou morte, Manji acaba perdendo também sua irmã e promete à Yaobikuni que, para expiar seus crimes, irá matar 1000 criminosos, ao que a monja simplesmente ri e diz que, ao completar este objetivo, os vermes sumirão sozinhos.

Paralelo a estes acontecimentos, a jovem Rin Asano tem sua família destroçada pelo neto de um antigo membro de seu dojo, o belo, cruel e genial Kagehisa Anotsu. Entretanto, ao começar a trilhar o caminho da vingança, percebe que suas técnicas não são nada diante da experiência de seus adversários e, levada pela sugestão de uma certa monja, depois de muita insistência consegue que Manji aceite ser seu guarda-costas.

Agora, ambos irão caminhar juntos por uma trilha de sangue; Manji deseja poder morrer em paz e Rin deseja que seus pais sejam vingados para que seu coração fique em paz. Os inspirados desdobramentos dessa parceria é o que vamos acompanhar de forma bimestral.

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Opinião

Blade sempre foi um dos meus mangás favoritos. A saga do samurai imortal e sua parceira espevitada sempre trouxe tudo na medida certa: drama, humor e até mesmo romance, ilustrados num traço lindo e detalhado ao extremo. O autor, Hiroaki Samura, tem umas tiradas geniais não só durante a trama como também nos extras, que costumam ser super divertidos.

A escolha do formato Big (especial para livrarias e lojas especializadas) para essa publicação foi muito acertada, pois assim a história flui de forma mais rápida, permitindo que o leitor chegue logo na parte inédita no Brasil (#ansiosa).

O papel off-set também foi uma ótima pedida, pois permite que apreciemos melhor a arte do autor tanto nas páginas P&B como nas ilustrações coloridas do começo do volume. Além disso, a tradução também foi revista; os nomes dos personagens estão seguindo o padrão japonês sobrenome/nome e optou-se por não manter os honoríficos (o que não prejudica em nada o entendimento da trama).

Com todos esses atrativos, não é de se espantar que todos tenham ficado tão ansiosos para colocar as mãos em seu exemplar. Eu, particularmente, mal posso esperar pelo volume 2!

Valeu a pena o novo Blade , nao é? #blade #editorajbc #ccxp2015

Um vídeo publicado por Giuliano Peccilli (@juba_kun) em

JWave #277 | TARENTO

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O JWave dessa semana explica o termo “Tarento” utilizado no Japão para o artista que é modelo, cantor, ator entre outras funções.

タレント ou TARENTO vem do inglês Talent e ganhou força principalmente nos anos 90 quando a indústria fonográfica japonesa se renovou e inventou uma forma de não depender só da qualidade sonora para vender shows e cds.

Juba e Sasuke falam tudo sobre TARENTO e fala sobre alguns artistas famosos no Japão que são conhecidos por serem assim.

PARTICIPANTES


VÍDEOS
SMAP – Sekai ni hitotsu dake no hana

Seiko Matsuda e medley com seus principais sucessos

AKB48

Younha -Password 486

Sebastiano Serafini – Your Knight

Shoko Nakagawa – Sorairo Days

Morning Musume – Love Machine

E-girls / Dance Dance Dance

VALENTI / BoA

Também ouça JWave #267: 5 Centímetros Por Segundo (Byōsoku Go Senchimētoru)

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JWave #269: O Jardim das Palavras (Kotonoha no Niwa)

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JWave #273: Ijime – Bullying

JWave Capa  273 Post site

JWave #275: Mai Waifu

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Vivendo no Japão #08: Ser ou não ser (otaku)?

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Yo! Após uma postagem mais subjetiva na semana passada, sobre a minha viagem para Nagasaki, esta semana, após uma conversa com o Juba, resolvi escrever sobre um tema mais ligado à minha pesquisa. Quem leu as primeiras postagens sabe que eu estou aqui estudando e pesquisando sobre Light Novels, e num sentido mais geral, sobre as formas de expressão daquilo que chamamos de “Media Mix”, ou seja, obras que coexistem em diversas formas de mídia. Ou como chamamos no Ocidente, “cultura otaku”. Já não é de hoje que fãs de cultura oriental fazem longas explicações sobre o significado original do termo otaku, e imagino que muita gente já está careca de saber. Mas hoje tentarei esclarescer sobre os usos do ponto de vista de minha experiência pessoal tanto no Japão quanto no Brasil, por meio conversas, aulas e artigos acadêmicos. Além do termo otaku, vou trazer considerações sobre alguns outros termos do universos “otaku”/”geek”, e como eles são por vezes ressignificados, ou utilizados erroneamente, quando deslocados de sua origem. Ou seja, na minha argumentação aqui farei uma distinção bem clara entre casos em que o termo ganha um novo significado quando chega em outro idioma com base em questões culturais, e casos em que a apreensão do termo é limitada ou equivocada. Espero que entrem nesse debate comigo.

Otaku: (otaco, weebo, otome, chuunibyou)

Esse é, sem dúvidas, um dos termos mais polêmicos do universo otaku. Pois bem, não vou entrar em explicações profundas sobre a origem do termo. No Brasil, assim como em praticamente qualquer país fora do Japão, Otaku é o termo que define um fã entusiasta de mangá, animê e outros elementos ligados a esse universo da cultura de entretenimento nipônica. O termo ganhou grande amplitude com o boom dos animês na década de 2000, podendo ser considerado uma tribo. Com a popularização da tribo, começam a surgir os novatos e os posers, ou seja, aqueles que assumem o rótulo na busca incessante por fazer parte de um “grupo”. Para “discriminar” estes foram criados os termos “Otaco” (no Brasil) e Weebo (em inglês), referindo-se a pessoas que assumem um comportamento exagerado na tentativa de mostrar sua paixão pela cultura nipônica. Estes costumam ter um conhecimento muito superficial sobre obras fora do eixo mainstream, ou ainda usar palavras em japonês fora de contexto e muitas vezes de forma equivocada, e podem ser identificados por agir como personagens de animê. Um pouco semelhante ao que no Japão é denominado de Chuunibyou. Antes de entrar propriamente nos significados dos termos em japonês, quero ainda mencionar o termo Otome, que em determinado momento surgiu erroneamente como a variação feminina de otaku, no cenário brasileiro, mas que, aparentemente já caiu em desuso.
Lucky☆Star.full.32397Quando a cultura otaku se estabilizou no Brasil, surgiu um movimento contra o termo, vindo daqueles que tinham um conhecimento mais próximo da cultura japonesa, alegando que no Japão o termo é pejorativo. Tal alegação veio embasada por diversos animês que retratavam o otaku de forma caricata, mostrando a discriminação sofrida por essa tribo. Primeiramente, o termo otaku, no Japão não se limita ao universo dos mangás e animês, ele diz respeito a qualquer tipo de hobby que é cultivado com fervor. Veja bem que estou tentando evitar palavras muito negativas como fanatismo ou obsessão. Isso porque acredito ser possível levar a sério um hobby de forma saudável, sem que isso leve a um comportamento fanático ou obsessivo. E pela minha experiência pessoal, a palavra otaku em si não carrega esse sentido negativo. E de onde vem essa sensação? Tenho bons amigos japoneses que ao ver meus botons, chaveiros, camisetas ou penduricalhas de celular, me chamaram explicitamente de otaku. E não havia nas palavras deles nenhuma carga de despeito ou desprezo, eles estavam apenas identificando minha característica de grande apreço por este hobby.

Não posso ignorar aqui, obviamente, que existe sim certo preconceito com o comportamento otaku, por uma parcela da população, mas o que quero dizer é que tal preconceito não está enraizado na palavra, e sim no uso que tais pessoas fazem dela. Também é necessário afirmar que existe uma face da cultura otaku que condiz com as caricaturas que vemos em animês como Genshiken, Bem-vindo à NHK e Lucky Star, e costumo pensar nestes como os “otaku hardcore”. São os consumidores de fanservice, frequentadores de maid-café, fãs assíduos de grupos de idols, que muitas vezes são identificados inclusive por sua vestimenta: camisa xadrez, mochila enorme, lenço na cabeça, etc. Estes muitas vezes estão associados com distúrbios comportamentais, como a síndrome Hikikomori (jovens que desenvolvem uma espécie de fobia ao contato social, e passam a maior parte de seu tempo encerrados em seus quartos), NEET (estágio avançado do comportamento Hikikomori, NEET designa alguém que não estuda ou trabalha, ou seja, rompeu com praticamente todo o contato social), Chuunibyou (traduzido como síndrome da oitava série, é o jovem que mantém um comportamento infantil, muitas vezes mesclando fantasia à vida cotidiana, e agindo como personagem de ficção em situações impróprias), etc.

24364_chuunibyou_demo_koi_ga_shitaiEstes são exemplos de desenvolvimentos não saudáveis do otaku, porém hoje, pelo que percebo, o Japão já reconhece que existem membros menos  radicais desta “tribo”. Isso provavelmente veio da aceitação do hobby como um hábito comum e saudável, pensamento que substitui o pragmatismo econômico, de que o adulto deve ser despojar de todo o lazer e dedicar-se unicamente à vida profissional, visão de mundo ainda muito difundida, porém que vem perdendo força com a ascensão da tão falada geração Y. Portanto, quero deixar claro que discordo de alegações de que o termo otaku é usado de forma errada no “exterior” (do Japão). A apropriação da palavra estrangeira, vem com uma ressignificação da palavra, afinal, não faria sentido usar o termo com o sentido de “fanático” (que seria a tradução mais próxima) por uma questão de economia linguística: se já há um termo corrente na língua que dá conta de descrever um fenômeno, não há necessidade de inserir um novo termo com exatamente o mesmo sentido. Ou seja, a ressignificação da palavra otaku como “aficionado por cultura pop japonesa” é perfeitamente compreensível.

Não concordo, porém, com o deslocamento do termo otome. Se otaku é uma limitação do sentido original da palavra, otome, como foi usada no Brasil por um tempo, é um equívoco. Otome originalmente nunca passou perto de ser um feminino de otaku, o termo pode ser visto mais como um tipo específico de otaku. O termo está intrinsecamente ligado aos otome games, jogos de simulação de relacionamentos, onde a protagonista feminina é cercada de rapazes atraentes (gênero popularmente conhecido também como harém reverso). Dessa forma, poderia-se dizer que Otome seria a versão feminina do otaku hardcore (desde que fique bem claro que o conteúdo pelo qual eles se interessam é do mesmo tipo, porém envolvendo gêneros completamente opostos). Paralelamente existe ainda o termo Fujoshi, que designa garotas que tem interesse por relacionamentos homossexuais , podendo estes relacionamentos ser consumados (como em séries BL), ou apenas fantasiados (a imaginação de um relacionamento homoerótico entre dois personagens que não são necessariamente um casal oficial – pode também se referir a pessoas reais). Estes dois termos não devem ser confundidos. Em geral, a otome apresenta comportamento fujoshi, porém nem toda fujoshi é otome. Existem muitas garotas que desenvolvem imaginação fujoshi, porém acompanham apenas séries shonen mainstream (como mangás da Jump, por exemplo). Enfim, a adoção do termo otome como “garota que gosta de mangá e animê”, ignora as especificidades deste termo, e por isso eu considero como um erro.
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Para figurativizar meu argumento de uma forma clara, digamos que o uso ocidental do termo otaku é uma limitação do termo original (otaku no Japão=fantático por algo – incluindo o fanático por animê e mangá, otaku fora do Japão=fanático por cultura pop japonesa), ou seja, é a seleção de um significado que já existia na palavra. Enquanto o de Otome é uma ampliação do termo original (otome no Japão=fã de determinadas obras com apelo para o publico feminino, otome no Brasil= garota fã de mangá e animê), ou seja, atribui um significado que não existia na palavra. Em resumo, um garoto que é fanático por Naruto, One Piece e Fairy Tail pode ser designado como Otaku tanto no Japão quanto fora dele, mas uma garota que é fanática pelas mesmas séries não seria chamada de otome no Japão. E por isso eu afirmo que é um uso equivocado no caso da segunda palavra, mas não da primeira. O japonês não é um idioma que faz distinção de gênero nas palavras, por isso, garotas fãs de mangá podem ser identificadas como otaku mesmo.

Para fazer um paralelo, a década de 2010 pode ser caracterizada pela queda da popularidade dos animês, e ascensão da cultura das produções para TV e cinema norte-americanas, fortemente impulsionada pela popularização do Netflix. Com o grande sucesso dos filmes de super-herói como a rentável franquia dos Vingadores, e o grande sucesso de público e crítica da série The Big Bang Theory, a cultura nerd, até alguns anos atrás duramente discriminada em todos os níveis sociais, foi restaurada sob a forma de cultura Geek, termo que veio dar um pouco de prestígio em contrapartida ao anterior, carregado de preconceito. Porém, neste caso também, surgiram inúmeros indivíduos que buscam a identificação com a tribo, antes de se aprofundar propriamente na cultura que ela envolve. Em suma, os fãs de TBBT que tem acesso à cultura geek, mais por meio desta série do que por experiência própria. Estes passaram a ser chamados discriminatoriamente de “Bazingueiros”, por sempre citarem o bordão do protagonista da série, muitas vezes completamente fora de contexto.

Enquanto escrevia este texto senti que há abertura para diversas contestações na minha argumentação, por isso, caso você tenha um ponto de vista diferente, ficarei feliz em dialogar e quem sabe aprofundar essa discussão. Eu pretendia ainda trazer considerações sobre o uso da palavra Mangá, e ainda dos gêneros de mangá no Japão e fora dele, porém, visto que minha explanação já ficou longa demais, tratarei destes demais termos na semana que vem. Até lá aguardo por debates sobre este texto e caso você tenha algum termo deste universo que gostaria de discutir, ou que tem alguma dúvida, deixe aqui nos comentários e eu tentarei abarcar na próxima postagem.

PS. Esta semana estou obcecado por dois presentes que ganhei. O primeiro deles é esse quadro feito a mão do Spike Spiegel, de Cowboy Bebop, e o outro é esse fofíssimo Chopper vestido com roupas do Trafalgar Law (meu personagem predileto). Este está sendo vendido na One Piece Store em comemoração ao aniversário do Chopper neste mês. Se esta não é a coisa mais fofa do universo, eu não sei o que é.

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Review | Penadinho – Vida

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O amor verdadeiro supera muitas barreiras, inclusive a morte. Essa é uma das premissas principais da sétima Graphic MSP, “Penadinho – Vida”, do casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko.

Nessa emocionante história, Penadinho e seus amigos estão brincando de esconde-esconde no cemitério quando Dona Cegonha chega, procurando Alminha. Penadinho fica curioso para saber o porquê do chamado e descobre que Alminha irá reencarnar. Chocado demais para argumentar de qualquer forma que seja, ele se oferece para dar o recado. Já que tinha uma “missão” séria e dolorosa para cumprir, Penadinho termina a brincadeira de qualquer jeito e, timidamente, chama a meiga fantasminha para dar um passeio. Tudo o que ele quer é ficar perto dela até o último instante, quando terá que revelar que irão se separar.

O que ele não esperava é que o nervosismo típico dos apaixonados coloca tudo a perder e os dois acabam se desentendendo. Enquanto Penadinho se afasta para tentar resolver o mal-entendido, Alminha fica sozinha na rua e é abordada por uma dupla que a sequestra e a leva para alguém que usa as almas perdidas para fazer perfumes, sem deixar nenhum rastro. Quando Penadinho percebe que Alminha não retornou ao cemitério, recebe o apoio de seus amigos para encontrá-la e todos saem em uma jornada não só para salvar a amiga, mas também para ajudá-lo a entender seus sentimentos e organizá-los da maneira plena.

Cristina Eiko e Paulo Crumbim trazem uma turma do cemitério tão fofa quanto a dos gibis regulares da turma. O traço apresenta visíveis influências de mangás e da Disney (mais precisamente de Lilo e Stich) e retrata os personagens como criaturas que também são capazes de sofrer e amar. O momento em que todos se propõem a ajudar na busca por Alminha junto com a passagem em que Penadinho finalmente admite que a ama são repletos de ternura e emoção. Destaques especiais para a figura da Dona Morte que, ao mesmo tempo em que demonstra sua imponência e inevitabilidade, também mostra a natureza gentil deste personagem tão querido em tantas mídias e para o modo como Lobi entra na história pois, apesar de parecer uma figura calma e ponderada, guarda uma pequena escuridão no fundo de sua alma, que poderá ser dissipada aos poucos com o poder da amizade de seus mais novos companheiros.

Essa linda história, apesar de ter como protagonistas criaturas “mortas”, pulsa seu título (“Vida”) em cada página, fazendo o leitor rir, chorar e torcer pelo final feliz.

Crumbim e Eiko são bem conhecidos na cena independente pelo projeto “Quadrinhos A2”, onde contam histórias do cotidiano de forma bem humorada, com um traço muito meigo, que vale muito a pena dar uma conferida. Para os fãs da turma do Penadinho, não deixem de dar uma boa lida em “Penadinho – Vida”. Emoção garantida.

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