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‘A Empregada’ ganha sessão CineMaterna no Shopping Praça da Moça, em Diadema

Sucesso de público e adaptação do best-seller de Freida McFadden, A Empregada será exibido em sessão especial do CineMaterna no Shopping Praça da Moça nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, às 14h, no PlayArte Praça da Moça. A exibição é dublada, com meia-entrada para todos e ingressos cortesia para as cinco primeiras mães com bebês de até 18 meses (um ingresso por bebê).

Dirigido por Paul Feig, o suspense traz Amanda Seyfried e Sydney Sweeney nos papéis centrais. A história acompanha Millie, que aceita trabalhar na casa de um casal milionário e descobre segredos cada vez mais perigosos, em um jogo de tensão psicológica e reviravoltas.

A sessão segue o padrão CineMaterna: luzes levemente acesas, som reduzido, ar-condicionado mais suave, espaço para carrinhos, trocadores dentro da sala, apoio de voluntárias e tapete na primeira fila para bebês que já sentam ou engatinham.

Serviço

  • Filme: A Empregada (dublado)
  • Data e horário: 11/02 (qua), 14h
  • Local: PlayArte Praça da Moça – Shopping Praça da Moça
  • Endereço: Rua Manoel da Nóbrega, 712 – Centro – Diadema/SP
  • Benefícios: meia-entrada para todos; cortesia para as 5 primeiras mães com bebês (até 18 meses)
  • Mais info: cinematerna.org.br

Confira os episódios que definem a 4ª temporada de Turma da Mônica

quarta temporada de Turma da Mônica chega à reta final com 26 episódios e deixa claro onde a série acerta quando resolve sair do piloto automático. Entre histórias mais simples e outras que testam formatos, alguns capítulos se destacam por tratar o absurdo com seriedade infantil — que sempre foi a marca do Limoeiro.

No T4E3, Cebolinha e Cascão disputam quem é o mais bonito do bairro, transformando vaidade em espetáculo ridículo. Já o T4E7 brinca com identidade ao mostrar uma Magali completamente diferente depois de um chiclete estourado. O conflito é simples, mas desconfortável na medida certa.

O T4E10 aposta no cotidiano: um corte de cabelo errado vira evento coletivo, enquanto o T4E15 escala o caos com alienígenas, tornado e um ultimato envolvendo o coelho Sansão. Tudo tratado como parte normal da rotina.

Entre os mais criativos estão o T4E23, que transforma o Limoeiro em falso documentário de vida selvagem, e o T4E24, que força Mônica e Cebolinha a dividirem o mesmo espaço por um fim de semana inteiro.

No conjunto, a temporada funciona melhor quando exagera, experimenta e confia nos personagens. Nem tudo é memorável, mas esses episódios mostram por que Turma da Mônica ainda sabe brincar com o próprio universo, sem precisar explicar demais.

Firjan SENAI abre 500 vagas gratuitas em curso on-line de Inteligência Artificial Industrial

Na Arena de Cibersegurança, equipes poderão simular ataque e defesa de sistemas. Foto- Pedro Kirilos : Firjan

O Firjan SENAI abriu inscrições para 500 vagas gratuitas em um curso on-line de Inteligência Artificial voltado à aplicação industrial. A formação é oferecida pelo recém-inaugurado Centro de Referência em Tecnologia da Informação e Comunicação, o DigiTech, e será totalmente a distância, com certificação. As inscrições ficam abertas até 27 de fevereiro e são destinadas a pessoas de baixa renda.

Batizado de Qualificação Básica em Inteligência Artificial Industrial, o curso tem duração de quatro meses e começa em 9 de março. A proposta é introduzir os participantes ao desenvolvimento de soluções de IA aplicadas ao ambiente industrial, com foco em análise de dados e visão computacional — áreas cada vez mais presentes em processos de automação, inspeção e controle de qualidade.

A formação é dividida em cinco módulos: Fundamentos de Python para IA, Data Science, Machine Learning, Visão Computacional e Projeto Integrador. Ao longo das aulas, os alunos aprendem desde a criação de programas e análise de dados até o desenvolvimento de modelos capazes de identificar falhas em máquinas, detectar padrões anormais e substituir inspeções manuais por sistemas automatizados baseados em imagens e vídeos. O curso termina com a elaboração de uma solução prática de IA aplicada à indústria.

A iniciativa surge em um momento de rápida expansão do uso da inteligência artificial no mercado de trabalho. Dados da Universidade de Stanford indicam que a adoção de IA nas organizações cresceu 55% entre 2023 e 2024. Projeções internacionais apontam ainda que milhões de novos postos de trabalho devem surgir nos próximos anos, especialmente em áreas ligadas à ciência de dados, automação e tecnologias industriais avançadas.

Segundo Edson Melo, gerente de Educação Profissional da Firjan SENAI, a proposta vai além do ensino técnico. “A IA deixou de ser tendência e passou a ser uma competência essencial. O curso prepara profissionais para atuar em um mercado competitivo e carente de especialistas capazes de transformar dados e imagens em decisões inteligentes”, afirma.

Quem pode participar

As vagas são destinadas a pessoas com renda familiar mensal per capita de até 1,5 salário mínimo, comprovada por autodeclaração. É necessário ter no mínimo 16 anos, estar cursando o ensino médio, possuir acesso a computador e internet e ter conhecimentos básicos de lógica de programação. Para quem ainda não domina o tema, o SENAI disponibiliza gratuitamente um curso introdutório de Lógica de Programação em sua plataforma on-line.

As matrículas serão encerradas assim que o número de vagas for preenchido.

Formação ligada ao projeto “Rio, Capital da IA”

O curso integra o Programa IA Industrial, iniciativa nacional do SENAI que combina diagnóstico, capacitação e aplicação prática de inteligência artificial para acelerar a transformação digital da indústria brasileira. No Rio de Janeiro, o programa também prevê imersões voltadas a empresas interessadas em adotar IA em seus processos.

Inaugurado em dezembro, o DigiTech funciona no edifício Eco Sapucaí, próximo ao Sambódromo, e tem capacidade para formar mais de 9 mil profissionais por ano. A unidade conta com laboratórios de ciência de dados, cibersegurança e ambientes hiper-realistas, além de parcerias com empresas como Google, Microsoft, Oracle, AWS, Cisco e Fortinet.

Crimson Desert entra em bundle da AMD com processadores Ryzen e GPUs Radeon

A Pearl Abyss decidiu amarrar o lançamento de Crimson Desert a algo que o PC gamer entende muito bem: hardware novo. O estúdio anunciou uma parceria com a AMD que basicamente diz o seguinte — se você vai trocar CPU, GPU ou notebook entre 10 de fevereiro e 25 de abril, pode sair com o jogo no bolso.

Nada de beta fechado ou acesso limitado. Comprou produtos selecionados da linha Ryzen ou Radeon, ganhou um código de Crimson Desert para PC.

Hardware como atalho para o mundo de Pywel

A parceria entra naquele território já conhecido de bundles, mas aqui faz sentido técnico. Crimson Desert é um jogo de mundo aberto grande, com combate pesado, clima dinâmico e cenários amplos. Ou seja: exige máquina. A AMD aproveita o pacote para empurrar seus processadores Ryzen X3D e as novas Radeon RX, enquanto a Pearl Abyss garante que o jogo chegue rodando do jeito que foi pensado.

Na prática, é a conversão clássica de upgrade em “experiência premium”: mais frames, mais detalhe visual e menos desculpa para jogar tudo no baixo.

O que entra na promoção

A lista de produtos elegíveis não é pequena. Do lado das CPUs, entram os Ryzen 9 9950X3D, 9900X3D e os Ryzen 7 9800X3D e 9850X3D. Nas GPUs, as Radeon RX 9070 XT e RX 9070. Também participam diversos notebooks gamer de marcas como ASUS, Acer, Lenovo, MSI, HP e Razer, além das linhas Ryzen AI e HX mais recentes.

Em resumo: não é promoção para PC de entrada. É claramente voltada para quem já estava planejando investir em máquina parruda em 2026.

Marketing de jogo grande funciona assim

Para a Pearl Abyss, o movimento é estratégico. Crimson Desert não é MMORPG como Black Desert — é um jogo single player focado em narrativa, ação e exploração. Amarrar o lançamento a uma gigante de hardware ajuda a reforçar a ideia de “produção de alto nível”, quase como um selo técnico: isso aqui foi feito para rodar bonito.

Para a AMD, o jogo vira vitrine. Mundo aberto, batalhas em larga escala, efeitos climáticos e iluminação são exatamente o tipo de coisa que vende CPU com cache 3D e placa de vídeo nova.

E o jogo, afinal?

Crimson Desert se passa no continente de Pywel e acompanha Kliff, líder dos Greymanes, em uma jornada marcada por guerras, conflitos políticos e escolhas difíceis. É ação em terceira pessoa, com narrativa forte, personagens mais realistas e menos dependência de sistemas online permanentes.

Ainda sem data cravada de lançamento, o jogo vem sendo tratado como um dos projetos mais ambiciosos da Pearl Abyss fora do universo Black Desert. A parceria com a AMD reforça que o estúdio quer posicioná lo como título de peso, não só mais um nome no catálogo.

No fim das contas, a mensagem é clara: se você ia montar PC novo este ano, a Pearl Abyss e a AMD querem garantir que Crimson Desert seja um dos primeiros mundos que você vai explorar.

“Privadas de Suas Vidas” estreia em Rotterdam

Tem filme brasileiro chegando a festival grande pedindo licença. Privadas de Suas Vidas não é um deles. O novo longa dirigido por Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner estreou no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam já deixando claro o terreno: humor ácido, gore escancarado e zero interesse em agradar todo mundo.

Selecionado para a Mostra Harbour, espaço tradicionalmente aberto a obras que flertam com o risco, o filme saiu da primeira exibição com críticas empolgadas e um consenso curioso: é tão absurdo quanto preciso no que se propõe.

Da esquerda para a direita- Olivia Torres, João Marcos Almeida, Fernanda Frotté, Martha Nowill, Gurcius Gewdner, Gustavo Vinagre, Chandelly Braz e Rodrigo Teixeira na estreia do filme em Rotterdam

Escatologia com método

A premissa parece saída de uma piada de mau gosto, mas o filme insiste em levá-la a sério. Malu, vivida por Martha Nowill, é uma mãe atravessada por luto, conflitos familiares e dificuldades financeiras. O filho, Gênesis, interpretado por Benjamín, é uma pessoa não binária com quem a relação é tudo menos simples.

Quando Malu aceita organizar uma festa de revelação de gênero para a vizinha, a narrativa já está pronta para o desconforto. O detalhe é que uma maldição transforma os banheiros do prédio em armas letais. Sim, privadas literalmente assassinas. O que poderia virar só choque vira comentário social filtrado por humor grotesco.

Crítica comprou a loucura

Sarah Musnicky, do portal In Between Drafts, resumiu bem o espírito do filme ao dizer que, “para um filme de privadas, Privadas de Suas Vidas entrega mais do que promete”, associando a descarga impossível do trauma à ideia de que certos problemas sempre voltam à superfície. Já Max Borg, do The Film Verdict, foi direto ao ponto: é “engraçado, insano e nojento o suficiente” para virar presença constante em festivais e sessões da meia-noite.

O elogio mais curioso vem no final da crítica: a dupla de diretores consegue misturar comentário social com humor deliberadamente juvenil e ainda “resgatar o adjetivo ‘merdástico’ com orgulho”. Difícil discordar depois de ver.

Atuação sem medo do ridículo

Parte do impacto vem das atuações. Martha Nowill e Benjamín foram destacados pela crítica do Bloody Disgusting pela entrega física e pela disposição de ocupar lugares narrativos desconfortáveis. Nowill, especialmente, não tenta proteger a personagem de situações humilhantes ou grotescas — o filme ganha força justamente aí.

O elenco ainda reúne nomes bem conhecidos do cinema brasileiro como Otávio Muller, Maria Gladys, Chandelly Braz, Marco Pigossi, Regina Braga e Olivia Torres.

RT Features no modo “não pedir desculpas”

Produzido pela RT Features, o filme reforça uma fase da produtora que parece cada vez menos interessada em rótulos de prestígio e mais aberta a projetos que tensionam linguagem e mercado. Não é um “filme de festival” no sentido comportado da expressão — é um filme que usa o festival como palco para provocar.

Inspirado no gore clássico e contaminado pelo clima político recente, Privadas de Suas Vidas usa fezes, canos estourados e banheiros como metáfora. Não é sutil, nem quer ser. É cinema que ri enquanto cutuca ferida aberta.

Se o circuito internacional continuar reagindo como Rotterdam reagiu, dá para apostar que esse filme ainda vai entupir muita sessão por aí. E, pelo visto, essa sempre foi a ideia.

Curta feito com IA pela CloudWalk começa a ganhar mundo (e prêmios)

Enquanto muita gente ainda discute se inteligência artificial pode ou não fazer cinema, Arnaldo Had an Idea já está fazendo e sendo julgado como tal. O curta da CloudWalk levou o prêmio de Melhor Curta Estrangeiro no AI International Film Festival, em Los Angeles, e ficou em terceiro lugar na categoria dedicada a filmes feitos com IA no Subtelny Cinema and AI Festival, na Polônia.

Não é pouco, especialmente em um circuito que costuma separar “experimento tecnológico” de “obra cinematográfica”. Aqui, o curta brasileiro começa a atravessar essa fronteira com alguma naturalidade — e sem pedir desculpa por usar IA como parte do processo criativo.

Além dos prêmios, o filme ainda passou por festivais em Roma e Milão, recebendo menções honrosas no Rome AI Festival e no Absurd Film Festival, o que ajuda a entender por onde Arnaldo está circulando: eventos interessados menos em hype e mais em linguagem.

Uma ideia genial e o desespero de perdê-la

Dirigido por Ricardo Mordoch e Dan Moraes, o curta parte de uma premissa quase banal. Arnaldo tem a ideia da sua vida dentro de uma loja de penhores empoeirada, em Casablanca. O problema é simples: não há um lápis por perto.

O que poderia virar uma piada curta se transforma em uma espiral de mercados caóticos, delírios internos e reflexões existenciais. A ideia escapa, se fragmenta, se distorce — e o filme acompanha esse processo com humor seco e uma camada constante de estranhamento.

Inspirado no conto O Mouro e a Micose, de Marcos Barbará, o roteiro foi desenvolvido por Barbará ao lado do próprio Mordoch. O resultado não tenta explicar nada demais. Observa. Deixa a sensação se formar.

IA como linguagem, não truque

O uso de inteligência artificial aqui não aparece como curiosidade técnica. Ela está integrada à estética do filme, ajudando a construir espaços instáveis, personagens que parecem à beira do colapso e um mundo que nunca se fixa completamente.

Segundo os diretores, a proposta sempre foi usar a IA como parte da narrativa, não como substituta de criação. A instabilidade visual acompanha a fragilidade da ideia central do filme: o pensamento humano como algo urgente, brilhante — e absurdamente fácil de perder.

Um circuito que está se formando

Arnaldo Had an Idea faz parte do catálogo da CloudWalk Studios, iniciativa da empresa para explorar a interseção entre tecnologia, arte e storytelling. O curta está disponível exclusivamente no CAISROOM, streaming focado em produções audiovisuais criadas com IA, reunindo obras de mais de 14 países.

Além dos prêmios recentes, o filme já passou por festivais na Índia, no Paquistão e tem exibição confirmada no Berlin Indie Shorts Festival, em fevereiro.

Ainda é cedo para falar em “novo cinema feito por IA” como movimento consolidado. Mas Arnaldo Had an Idea ajuda a tirar o debate do campo teórico. Em vez de perguntar se IA pode fazer cinema, o curta propõe outra questão: o que acontece quando a tecnologia deixa de ser ferramenta invisível e passa a influenciar a própria forma de contar histórias?

Os festivais, ao que tudo indica, já começaram a responder.

“Foi Apenas um Acidente” estreia na MUBI em março

Há filmes que chegam ao streaming como mais um item de catálogo. Foi Apenas um Acidente chega como afirmação política, estética e moral. A MUBI confirmou que o longa de Jafar Panahi estreia com exclusividade na plataforma no dia 6 de março — e não é exagero dizer que se trata de um dos lançamentos mais pesados do cinema recente a chegar ao streaming.

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2025, o filme também virou figura constante na temporada de prêmios: indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional e Melhor Roteiro Original, passagem forte pelo Globo de Ouro, reconhecimento no BAFTA e uma unanimidade crítica rara, dessas que atravessam publicações sem perder estrelas pelo caminho.

Mas nada disso explica sozinho o impacto do filme. Panahi não filma para acumular troféus. Filma porque precisa — e porque, em muitos contextos, filmar já é um ato de resistência.

Vingança, dúvida e um som que não sai da cabeça

A trama parte de um encontro banal que rapidamente se transforma em pesadelo ético. Vahid, um mecânico, acredita reconhecer em um cliente o homem que o torturou na prisão. A única “prova”? O som específico da perna mecânica do suposto algoz. A partir daí, o filme abandona qualquer conforto narrativo.

Em vez de um thriller de vingança, Foi Apenas um Acidente se torna um estudo sobre memória, trauma e incerteza. Vahid sequestra o homem e convoca outras vítimas para confirmar sua identidade. Só que cada confirmação levanta novas dúvidas. E cada dúvida torna a decisão mais insuportável.

Panahi constrói o suspense não pela ação, mas pela hesitação. O filme avança sempre perguntando: e se não for ele? E se for? O que muda? Existe justiça possível depois da violência institucional?

Cinema político sem discurso pronto

O autoritarismo está presente o tempo todo, mas nunca como pano de fundo genérico. Ele molda os personagens, suas relações e, principalmente, suas escolhas. Panahi conhece esse terreno por experiência própria — e isso se sente na mise en scène seca, na recusa ao melodrama e no modo como o filme se recusa a oferecer catarse fácil.

É um cinema que incomoda porque não resolve. Que provoca porque não absolve. E que insiste em lembrar que, quando o Estado falha, a moral individual também entra em colapso.

Não à toa, a crítica tratou o filme como obra de maturidade extrema. Não há explosões estilísticas nem discursos inflamados. Só dilemas éticos empilhados com precisão cirúrgica.

A casa certa para um filme desses

A estreia na MUBI não é coincidência. A plataforma vem se consolidando como abrigo natural para filmes que não cabem na lógica algorítmica do streaming tradicional. Foi Apenas um Acidente entra num catálogo que entende cinema como linguagem, não como conteúdo descartável.

A partir de 6 de março, o filme estará disponível exclusivamente para assinantes no Brasil. Não é entretenimento leve, nem pretende ser. É um daqueles títulos que exigem atenção, silêncio e disposição para sair desconfortável.

E talvez esse seja o maior mérito de Panahi: lembrar que o cinema ainda pode ser um espaço onde o espectador não consome respostas, mas carrega perguntas para casa.

CEUB troca propaganda por cinema e tenta contar futuro olhando para quem já passou por lá

Num mercado educacional cada vez mais barulhento, o Centro Universitário de Brasília decidiu fazer menos ruído — e olhar mais para dentro. A nova campanha institucional, batizada de O seu futuro tem história, abandona o discurso direto de captação e aposta em algo que raramente aparece no marketing educacional: tempo.

A estratégia parte de um princípio simples, mas pouco explorado no setor. Em vez de prometer o “profissional do amanhã”, o CEUB usa o próprio legado como matéria-prima narrativa, colocando diferentes gerações de alunos em diálogo. Não como nostalgia, mas como continuidade. A ideia é mostrar que o futuro não começa do zero a cada vestibular.

Um filme sobre permanência, não sobre passado

O filme principal da campanha se passa na biblioteca da instituição, com uma escolha estética que chama atenção pela contenção. Câmera fixa, direção de arte controlada e mudanças sutis de figurino marcam a passagem do tempo dentro do mesmo espaço. Pessoas mudam, décadas passam, mas o lugar segue ali, absorvendo histórias.

Não há locução explicativa nem frases de efeito sobre “transformar vidas”. A narrativa se constrói visualmente, deixando claro que a proposta não é emocionar pela memória, mas afirmar relevância pela permanência. É um filme menos interessado em convencer e mais em sugerir.

Cinema como mídia, não só linguagem

O CEUB também levou a campanha para as salas de cinema, reforçando a escolha pela linguagem audiovisual como eixo central. A estratégia se espalha ainda por rádio, mídia out of home e redes sociais, mas sempre orbitando o mesmo conceito. O filme principal se desdobra na série Tempo, com versões adaptadas para cursos como Direito, Psicologia, Comunicação, Tecnologia e Medicina.

A lógica não é criar peças isoladas, mas um universo narrativo que possa ser ativado ao longo do ano, com novos teasers e variações conectadas ao portfólio acadêmico. Menos campanha pontual, mais construção de marca no médio prazo.

Branding como maturidade, não como truque

Segundo Luiz Perez, head de Sales Marketing do CEUB, a campanha marca um ponto de virada. “Não é um filme sobre o passado. É sobre continuidade, sobre como uma instituição permanece relevante porque evolui com as pessoas”, resume.

Essa leitura é reforçada por Val Soares, responsável pela área de brand management. Ele aponta que a campanha é resultado de um processo iniciado há cerca de oito anos, quando a instituição passou a investir de forma mais consistente em branding. Ações urbanas de impacto visual, uso não convencional de cores e, mais recentemente, reflexões conceituais sobre inteligência artificial ajudaram a construir esse repertório. “Chegamos a um ponto em que a marca permite ousar. Não é mais sobre disputar atenção por volume, mas por significado”, afirma.

O risco calculado

Em um setor acostumado a slogans funcionais e promessas diretas de empregabilidade, a aposta do CEUB não é óbvia. Storytelling geracional exige paciência, leitura e um público disposto a perceber camadas. Ao mesmo tempo, é justamente isso que diferencia a campanha em meio a um mar de mensagens parecidas.

O seu futuro tem história não tenta convencer ninguém de que o CEUB é moderno ou tradicional. Sugere que ele é ambos — e que essa combinação só faz sentido quando atravessa gerações. No marketing educacional, onde quase tudo soa urgente, falar de tempo pode ser o gesto mais ousado possível.

JOVI aposta em bateria gigante e resistência extrema para ganhar espaço no mercado brasileiro

A JOVI resolveu atacar dois pontos sensíveis do usuário brasileiro: autonomia e durabilidade. A marca, braço local da vivo Mobile Communication Co., Ltd., anunciou a chegada do JOVI Y31 e dos fones JOVI Buds Air3, ampliando seu portfólio no país com uma estratégia bem clara: entregar especificações agressivas sem subir demais o preço.

Não é uma tentativa de brigar com topo de linha. O Y31 entra como celular de uso pesado, pensado para quem passa o dia inteiro longe da tomada, usa o aparelho como ferramenta de trabalho e não pode se dar ao luxo de trocar de smartphone todo ano.

Bateria antes de tudo

O principal cartão de visitas do JOVI Y31 é a bateria BlueVolt de 7.200 mAh. É um número que chama atenção até em categorias mais altas e que, segundo a marca, garante mais de dois dias de uso contínuo. Mesmo com essa capacidade, o aparelho mantém 8,5 mm de espessura e traz carregamento rápido de 44W, tentando equilibrar tamanho, peso e praticidade.

Esse foco deixa claro o público alvo: motoristas de app, vendedores, empreendedores e usuários que dependem do celular do começo ao fim do dia — não para jogos pesados, mas para tudo ao mesmo tempo.

Um tanque disfarçado de smartphone

Outro ponto onde a JOVI decide exagerar é na resistência. O Y31 chega com certificações IP68, IP69 e IP69+, além do padrão militar MIL-STD-810H e selo máximo da SGS para quedas. Na prática, é um aparelho preparado para poeira, água, jatos de alta pressão, impactos e situações que normalmente condenariam celulares intermediários.

O vidro da tela também entra nessa lógica: reforçado, duplamente temperado e processado em múltiplas etapas. Não é glamour, é sobrevivência.

Tela grande, desempenho ok e muito espaço

A tela LCD de 6,75 polegadas com taxa de atualização de 120 Hz segue o padrão do segmento: grande, fluida e suficientemente brilhante para uso externo. O processador Snapdragon 6s 4G Gen 2 não tenta impressionar benchmarks, mas entrega estabilidade para multitarefa, apps de trabalho, redes sociais e consumo de vídeo.

O destaque aqui volta a ser o armazenamento. São versões com 256 GB e 512 GB, algo ainda raro nessa faixa de preço. Para quem vive apagando arquivos ou depende do celular para fotos, vídeos e documentos, isso faz diferença real.

Câmeras funcionais, sem promessas milagrosas

O conjunto de câmeras do Y31 é direto: sensor principal de 50 MP, lente de profundidade e câmera frontal de 32 MP. Há recursos de inteligência artificial, modos noturnos e ferramentas de edição, mas o foco é entregar imagens consistentes, não competir com fotografia computacional de topo de linha.

Buds Air3 completam o pacote

Junto do smartphone, a JOVI estreia oficialmente no segmento de áudio com o JOVI Buds Air3. O discurso segue o mesmo: autonomia acima da média. São até 50 horas de uso com o estojo e carga rápida que garante três horas de reprodução em dez minutos na tomada.

Os fones trazem cancelamento de ruído em chamadas via IA, conexão com dois dispositivos ao mesmo tempo, controles por toque e integração com o ecossistema JOVI. O design é leve, aberto e resistente à água e poeira com certificação IP54.

Preço e disponibilidade

O JOVI Y31 já está à venda no Brasil por R$ 2.299, nas cores branco lírio e preto, em grandes varejistas e nas lojas oficiais da marca. Os Buds Air3 chegam nas próximas semanas.

No fim das contas, a JOVI deixa claro que não quer disputar status. Quer disputar utilidade. Em um mercado saturado de promessas parecidas, apostar em bateria gigante, resistência real e muito armazenamento pode ser menos chamativo — e justamente por isso, mais eficaz.

“Amar e Mudar as Coisas” celebra Belchior aos 80 em reencontro no Teatro Bradesco

Em 2026, ano em que Belchior completaria 80 anos, o espetáculo “Amar e Mudar as Coisas” volta a São Paulo para uma apresentação especial no Teatro Bradesco, no dia 10 de abril, às 20h. Criado por Taciana Barros e interpretado por ela ao lado de Marisa Orth e Buhr, o show completa dez anos em cartaz, com salas cheias por onde passa.

Um tributo que resiste ao tempo

José de Holanda Taciana Barros, Marisa Orth e Buhr em Amar e Mudar as Coisas

Longe do formato de “best of”, o espetáculo aposta em releituras intensas e contemporâneas da obra do compositor cearense. A base é intimista, mas sonora e emocionalmente robusta: vozes em primeiro plano, guitarras e violões de aço e nylon, baixo acústico, piano e efeitos criam um campo fértil para letras que seguem dialogando com o presente.

No palco, as cantoras são acompanhadas por Estevan Sinkovitz (guitarras e violões) e Zéli Silva (baixo acústico), além da própria Taciana no piano, guitarra e violão.

Pesquisa, respeito e novos arranjos

José de Holanda Taciana Barros, Marisa Orth e Buhr

O projeto nasce de uma pesquisa cuidadosa sobre as gravações e performances de Belchior, preservando o espírito original enquanto propõe novos arranjos que realçam a dimensão poética e filosófica das canções. Leituras de poemas e trechos da biografia “Belchior – Apenas um Rapaz Latino-Americano”, de Jotabê Medeiros, atravessam o espetáculo e ajudam a contextualizar a obra.

Clássicos que atravessam gerações

O repertório reúne músicas que viraram patrimônio afetivo: “Como Nossos Pais”, “A Palo Seco”, “Velha Roupa Colorida”, “Paralelas”, “Sujeito de Sorte” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano”. Em muitos momentos, o coro da plateia completa a cena — um sinal de como essas canções continuam circulando fora do palco.

Serviço

José de Holanda Amar e Mudar as Coisas – Taciana Barros, Marisa Orth e Buhr

Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80
📍 Teatro Bradesco — Bourbon Shopping São Paulo (R. Palestra Itália, 500 – 3º piso, Perdizes)
📅 10 de abril (sexta-feira)
🕗 Abertura da casa: 19h | Espetáculo: 20h
🎫 Ingressos: a partir de R$ 50,00 + taxas
🔗 https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/amar-e-mudar-as-coisas-15691

Mostra da ACCRJ volta após o Carnaval e transforma a reta final em acerto de contas com a história do cinema

Depois de duas semanas cheias e sessões disputadas, a Mostra Os Melhores Filmes do Ano retorna à CAIXA Cultural Rio de Janeiro para sua terceira e última semana com uma proposta clara: menos tapete vermelho, mais conversa séria sobre cinema. Promovida pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, a mostra acontece de 18 a 22 de fevereiro e fecha o calendário com homenagens, debates e o filme eleito como o melhor de 2025 pelos críticos cariocas.

Não é uma maratona de lançamentos nem um desfile de novidades. O foco aqui é outro. A programação cruza cinema contemporâneo, clássicos e memória crítica, sempre acompanhada de bate papos que colocam o público frente a frente com quem escreve, estuda e pensa cinema no Brasil.

Retorno com filme e conversa

A retomada acontece na terça feira, dia 18, às 17h20, com a exibição de Setembro 5. A sessão já dá o tom da semana: filme na tela, crítico na conversa, público no centro. O debate após a exibição é conduzido por um associado da ACCRJ, mantendo a lógica que marcou toda a mostra.

Homenagens sem verniz

A quarta feira, 19 de fevereiro, concentra duas homenagens que dispensam explicação. Às 14h, entra em cena A Verdade, em tributo a Brigitte Bardot. Em seguida, às 16h30, é a vez de Alguém Tem que Ceder, celebrando Diane Keaton. Os bate papos ficam a cargo das críticas Tatiana Trindade e Ana Carolina Garcia, atual presidente da ACCRJ.

Na sexta feira, 20, o olhar se volta a dois ícones masculinos do cinema norte americano. O Espantalho abre a tarde às 14h30, seguido por Butch Cassidy, às 17h, em homenagem a Gene Hackman e Robert Redford. O debate fica com os críticos Bruno Giacobbo e Gilberto Silva.

Cinema brasileiro no centro

O sábado, 21 de fevereiro, desloca o foco para o cinema nacional. Às 14h30, Utopia e Barbárie homenageia Silvio Tendler. Às 17h, Chuvas de Verão celebra a obra de Cacá Diegues. A conversa após as sessões será conduzida por Ricardo Cota e Célio Silva.

Fechamento com o melhor do ano

No domingo, 22, a mostra se despede com o filme eleito como Melhor do Ano pela ACCRJ: O Agente Secreto, exibido às 14h. A sessão contará com recursos de acessibilidade, incluindo Libras, legenda descritiva e audiodescrição. Após a exibição, o público participa de bate papo com a crítica Ana Rodrigues.

Crítica como experiência, não autoridade

Com curadoria da ACCRJ e produção da BLG Entretenimento, a mostra se firma como um raro espaço onde crítica não é nota no rodapé nem selo promocional. Ela aparece como mediação, escuta e provocação. Em tempos de consumo acelerado e opinião instantânea, a Mostra Os Melhores Filmes do Ano insiste em algo quase subversivo: parar, ver e discutir.

Serviço
🎬 Mostra Os Melhores Filmes do Ano 2025 – ACCRJ
📍 CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Unidade Passeio
📅 De 3 a 22 de fevereiro
🎟️ Ingressos: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia)
♿ Acesso para pessoas com deficiência
🔗 Programação completa no site da CAIXA Cultural Rio de Janeiro

Entre Los Angeles e Rio, Timidez circula onde o cinema negro ainda é levado a sério

Foto Adeloyá Ojú Bará

Timidez não chegou a Los Angeles e ao Rio por acaso — nem por campanha bem escrita. O longa baiano dirigido por Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik foi selecionado para dois espaços onde o cinema negro ainda é tratado como linguagem, não como pauta: o Pan African Film & Arts Festival, nos EUA, e o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, no Brasil.

São circuitos diferentes, mas conectados pela mesma lógica: filmes que não precisam explicar sua existência nem suavizar seus conflitos para caber em curadoria alguma. Timidez entra nesse diálogo sem alarde, sustentado mais pelo que constrói em cena do que por discurso externo.

O filme vem de uma passagem forte pelo Festival de Cinema de Triunfo, onde saiu com seis prêmios, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Ator. Ainda assim, o currículo não define o que está na tela. Define apenas que alguém prestou atenção.

Silêncio como estrutura, não efeito

Foto Adeloyá Ojú Bará

Filmado integralmente em Salvador, Timidez aposta em um drama psicológico seco, de poucos excessos e nenhum sublinhado. Jonas, vivido por Dan Ferreira, divide a casa com o irmão Nestor, um homem cego interpretado por Antônio Marcelo. A convivência entre os dois se constrói num território incômodo, onde cuidado e controle se confundem.

O racismo não aparece como evento isolado nem como choque externo. Ele se infiltra na rotina, no corpo, na maneira como Jonas ocupa o espaço e se percebe digno — ou não — de afeto. O desejo por Lúcia, a vizinha, não funciona como escape romântico, mas como gatilho. É ali que o personagem precisa decidir se continua encolhendo ou enfrenta aquilo que o paralisa.

Cinema negro sem cartilha

Dirigido por dois cineastas vindos do documentário, Timidez carrega um olhar que observa mais do que afirma. O roteiro, assinado por Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa, nasce da adaptação da peça O Cego e o Louco, texto importante da cena teatral baiana. Essa origem aparece no tempo das cenas, no peso das pausas e na recusa ao didatismo.

O elenco é integralmente negro e majoritariamente baiano, mas o filme não transforma isso em slogan. Não há discurso de “representatividade” em destaque, porque a existência dessas vozes já é o ponto de partida, não o tema.

Diáspora como circulação, não vitrine

No Los Angeles, Timidez integra a programação de um festival fundado nos anos 1990 para dar visibilidade à produção da diáspora africana, hoje referência internacional e qualificatório para o Oscar em categorias de curta. Apenas dois longas de ficção brasileiros foram selecionados nesta edição, o que coloca o filme em um recorte específico, longe da lógica de volume.

No Rio de Janeiro, a exibição no Encontro Zózimo Bulbul reforça outro tipo de pertencimento. Não é retorno simbólico nem celebração institucional. É continuidade. Um espaço onde o cinema negro brasileiro se pensa, se critica e se constrói há quase duas décadas.

E o depois?

Timidez chega ao circuito comercial brasileiro em abril de 2026, com distribuição da O2 Play. Não é um filme fácil, nem interessado em consenso. Sua circulação internacional não o transforma em exceção, mas em sintoma: há filmes sendo feitos no Brasil que não pedem licença, não explicam demais e não cabem no molde confortável do “filme importante”.

Entre Los Angeles e Rio, Timidez não busca aplauso. Busca escuta. E isso, hoje, já é bastante coisa.