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Mundo Gamer Showcase retorna em março com edição global e formato trimestral

O Mundo Gamer Showcase já tem data para voltar. A Mundo Gamer Agency confirmou a nova edição para 20 de março de 2026, às 14h (horário de Brasília), inaugurando uma fase de eventos trimestrais e com alcance internacional ampliado.

Integrado ao ecossistema da Mundo Gamer Network, que hoje conecta usuários em mais de 110 países, o Showcase se consolida como uma vitrine relevante para jogos independentes, estúdios emergentes e desenvolvedores solo interessados em ampliar sua visibilidade global.

Crescimento sustentado por números

A edição anterior ajuda a dimensionar a expansão do evento. Foram 35 jogos apresentados, com estúdios de mais de 26 países, além de 102 artigos publicados, 1,6 milhão de impressões na Steam, participação de 40+ veículos de mídia e 30+ criadores e co-streamers acompanhando a transmissão.

Esses resultados reforçaram a proposta do Showcase como um espaço que vai além do anúncio pontual, funcionando como ponto de conexão entre projetos, imprensa e criadores.

Cobertura colaborativa e alcance distribuído

Para 2026, o Mundo Gamer Showcase aposta ainda mais em um modelo colaborativo. Parceiros de mídia e criadores retransmitem a live principal em seus próprios canais, levando o conteúdo diretamente às suas comunidades e ampliando o alcance de forma orgânica e descentralizada.

A curadoria mantém o foco em diversidade cultural e criativa, reunindo jogos de diferentes gêneros, países e perfis de equipe.

Pré-Showcase amplia espaço para novos projetos

Uma das principais novidades desta edição é o Pré-Showcase, um bloco introdutório que antecede a apresentação principal. O formato foi criado para dar visibilidade a projetos em estágio inicial e a desenvolvedores solo, ampliando o espaço para quem está começando no cenário independente.

Transmissão multiplataforma e presença na Steam

A transmissão oficial acontece pelos canais da Mundo Gamer TV no YouTube, Twitch, Instagram e TikTok, com reforço no LinkedIn do Mundo Gamer Jobs, que reúne mais de 45 mil profissionais da indústria, além do novo canal @mundogamernetwork no YouTube.

A edição de 2026 também contará com uma página oficial na Steam, ativa entre 13 e 27 de março, funcionando como vitrine para os jogos apresentados durante o evento.

Alcance internacional em expansão

Atualmente, o Showcase já reúne mais de 60 parceiros de mídia e criadores de conteúdo em 12+ países, incluindo Alemanha, Reino Unido, Brasil, Itália, Romênia, Estados Unidos, Canadá, México, França, Portugal e Paquistão. Novos parceiros e jogos confirmados serão anunciados gradualmente nas próximas semanas.

Serviço

Evento: Mundo Gamer Showcase 2026
Data: 20 de março de 2026
Horário: 14h (BRT)
Transmissão: YouTube, Twitch, Instagram e TikTok da Mundo Gamer TV
Pré-Showcase: Sim, antes da apresentação principal
Página oficial na Steam: ativa de 13 a 27 de março

Review | New York, New York #1

Quando falamos da cultura LGBTQIA+ da década de 1990, voltamos a temas como AIDS, homofobia, violência sexual, entre outros assuntos que eram frequentemente abordados em filmes e séries da época. No mangá de Marimo Ragawa não é diferente, e “New York, New York”, mesmo sendo uma obra japonesa, leva sua história para Nova York, um espaço onde a liberdade sexual e o esclarecimento já eram maiores do que em muitos outros lugares, ainda que muito menores do que a compreensão que temos hoje.

Publicado originalmente entre 1995 e 1998, o mangá chega agora ao Brasil em um formato especial em dois volumes. Acompanhamos a história do policial Kain Walker ao lado de Mel Fredericks, um casal que se conhece em um bar e acaba se tornando o centro da narrativa.

Chegando ao Brasil após o boom de títulos de Boys Love e Girls Love no país, “New York, New York” resgata um clássico do gênero e nos apresenta não apenas as origens do BL no Japão, mas também um retrato muito específico de um tempo que já ficou para trás.

A história

Giuliano Peccilli

Conhecemos o policial Kain Walker, que leva uma vida aparentemente normal em Nova York: combate o crime, tem bons parceiros de trabalho e pais carinhosos. No entanto, ele guarda um segredo, Kain é gay. Evitando envolvimentos sérios, ele prefere relações casuais, conhecendo rapazes em um bar localizado em outra região da cidade.

Em uma dessas noites, ele conhece Mel Fredericks. Os dois acabam passando a noite juntos, mas Mel vai embora logo pela manhã, sem trocar contatos. Kain se apaixona imediatamente e tenta reencontrá-lo, sem sucesso.

Desiludido, Kain sai com outro rapaz, mas acaba esbarrando com Mel na rua. O que poderia ser apenas um reencontro frustrado acaba se tornando o ponto de partida para que os dois se aproximem novamente e decidam explorar o que a vida pode oferecer a eles como um casal.

Vivendo juntos, Kain passa a descobrir que Mel carrega um passado extremamente doloroso, marcado por um relacionamento anterior abusivo. Com cicatrizes profundas nos pulsos, Mel é alguém que amou intensamente e traz consigo uma história de sofrimento. Determinado a protegê-lo a qualquer custo, Kain tenta construir um lar seguro para os dois.

A quantidade de tragédias pode afastar alguns leitores. Mel sofre abuso sexual durante um assalto, o que o impede de se relacionar com Kain por alguns dias. Dominado pelo medo de ter contraído HIV, ele corre para fazer exames e, ao descobrir que está bem, acaba esfriando temporariamente a relação entre os dois.

Para piorar, o amor do passado de Mel retorna para atormentar o casal. É nesse momento que Kain conhece em detalhes a história de seu namorado, mas isso não impede que velhos instintos venham à tona, levando-o a acabar na cama com o ex de Mel.

Como é possível perceber, “New York, New York” não poupa tragédias. Kain e Mel sofrem intensamente em sua busca por felicidade. Ainda assim, a esperança parece ganhar forma quando os dois visitam a casa dos pais de Kain. É a primeira vez que ele fala abertamente sobre sua sexualidade e apresenta o namorado à família. Mel, por sua vez, enfrenta o desafio de conquistar a sogra, que não aceita bem a relação e impõe regras, como impedir que os dois durmam juntos, colocando Mel no quarto de hóspedes.

Será que, afinal, os dois conseguirão ser felizes?

Sobre a edição brasileira

Giuliano Peccilli

A edição publicada no Brasil pela Panini Comics conta com tradução de Luana Tucci, que flui muito bem ao longo da leitura. A única ressalva fica por conta de alguns balões de música que permanecem em inglês, sem tradução. Fora isso, a experiência de leitura é bastante agradável.

O mangá chega no formato 2 em 1, sendo concluído em dois volumes. O preço, R$ 74,90, pode afastar parte do público, mas é importante lembrar que cada volume possui cerca de 360 páginas, além de um marca página e um selo, o que torna o valor compatível com o mercado atual.

Opinião

O principal ponto a se destacar é que “New York, New York” pode causar certo estranhamento inicial por ser um mangá ambientado nos Estados Unidos. Superada essa sensação, a história flui bem e conquista o leitor com personagens carismáticos e envolventes.

É verdade que Marimo Ragawa pesa a mão no drama, acumulando tragédias na vida do casal e retratando situações que refletem um recorte específico das vivências LGBTQIA+ da época. Ainda assim, é justamente a dinâmica entre Kain e Mel, com todas as suas falhas, que torna a leitura tão interessante.

Para não dizer que o mangá tem só tragédias, Mel trabalha num bar com chefe drag queen que leva a história pra um caminho mais leve, além do Kain ter histórias com amigos policiais que rendem um universo bastante rico por aqui.

Vale lembrar que estamos falando de um mangá da década de 1990. Traições, comportamentos tóxicos e até o machismo excessivo de Kain são reflexos diretos daquele período. Podemos torcer o nariz hoje, mas, considerando o contexto em que a obra foi criada, é possível compreender, ainda que não concordar, o amor condicional que Mel nutre por ele.

Embora não vivamos hoje em um cenário ideal, contamos com leis, maior esclarecimento e políticas públicas que combatem a homofobia e a violência sexual com mais rigor. Além disso, existem medicamentos e campanhas eficazes no Brasil voltadas à prevenção e ao tratamento do HIV/AIDS. Por isso, é compreensível que parte do público, especialmente o mais jovem, tenha dificuldade em se conectar com a história, que pode soar datada ou exagerada.

Ainda assim, “New York, New York” é um documento histórico. Ele resgata uma forma de contar histórias que já não vemos com frequência nos mangás do gênero, e esse é justamente o maior valor de sua publicação no Brasil atualmente.

Um grande acerto da Panini Comics, “New York, New York” não é uma leitura para todos, mas é uma história cativante, que aborda questões sociais importantes, lutas pessoais intensas e apresenta um casal que, apesar de todos os defeitos, é profundamente apaixonado.

Ficha técnica

Nota: 5 (de 5)

New York, New York #01

Título: New York, New York #01
Autora: Marimo Ragawa
Ano de publicação: 2025
Mês de lançamento: Dezembro
Número de páginas: 360
Formato: Tankobon
Acabamento: Capa cartão
Classificação indicativa: 18 anos

“Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” estreia premiado na Berlinale e conquista o júri do público

Equipe do filme na estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim Pablo Arellano, Maurício Macedo, Luciana Souza, Janaína Marques, Verônica Cavalcanti, Patricia Passos, Xenia Rivery, Isabela Veras e Ivo Lopes Araujo

O longa-metragem Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, estreia da cineasta Janaína Marques no formato de longa, saiu consagrado de sua primeira exibição mundial. O filme recebeu o Tagesspiegel Readers Jury Award, prêmio concedido pelo júri de leitores do jornal alemão Tagesspiegel, dentro da seção Forum da Festival Internacional de Cinema de Berlim, em sua 76ª edição.

A premiação aconteceu neste sábado, 21 de fevereiro, reforçando a força do cinema brasileiro autoral em um dos espaços mais experimentais e politicamente engajados da Berlinale. A seção Forum é historicamente dedicada a obras que desafiam formatos tradicionais e apostam em liberdade estética, território no qual o filme de Janaína Marques se insere com precisão.

Em declaração após o anúncio, a diretora celebrou o reconhecimento e a conexão com o público. Segundo ela, ver um filme tão íntimo ser acolhido em um festival como Berlim é algo profundamente emocionante. Janaína também destacou que o prêmio pertence a toda a equipe e definiu o longa como um gesto de atravessar a memória para reinventar o presente, transformando ausência em movimento e criando, simbolicamente, um “foguete” capaz de entrelaçar histórias e afetos femininos.

Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o filme se constrói como um road movie do inconsciente. A narrativa acompanha Rosa, interpretada por Verônica Cavalcanti, uma mulher que já não consegue se reconhecer na própria história. Incapaz de acessar uma lembrança feliz, ela mergulha em uma jornada interior onde realidade, sonho e memória passam a coexistir. Nesse percurso, Rosa imagina uma travessia ao lado da mãe Dalva, vivida por Luciana Souza, transformando a ausência em possibilidade de reconciliação.

Para o produtor Maurício Macêdo, a passagem pela Berlinale tem peso estratégico. Além de impulsionar a trajetória internacional do longa, o prêmio antecede o lançamento comercial no Brasil, já confirmado para setembro de 2026, com patrocínio do BNDES.

Com uma abordagem sensorial e profundamente subjetiva, o filme propõe uma experiência que dialoga com algo universal: o funcionamento da mente, o fluxo caótico dos pensamentos e a maneira como memória, afeto e imaginação moldam quem somos. Ao apostar nesse caminho, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha se firma como uma das estreias brasileiras mais comentadas do circuito internacional em 2026.

Sessão especial em Berlim

O filme premiado ganhou uma sessão especial no Cinema Paris, em Berlim, no domingo, 22 de fevereiro, às 19h, celebrando a recepção calorosa do público alemão.

Com sua estreia já marcada por reconhecimento e diálogo internacional, o longa confirma Janaína Marques como um nome a ser acompanhado de perto no cinema contemporâneo brasileiro.

Zé do Caixão completa 90 anos com sessão ao ar livre e ritual cinematográfico no CCSP

Foto- Divulgação : À Meia-Noite Levarei Sua Alma

Poucos personagens do cinema brasileiro dialogam tão bem com a data quanto ele. Na sexta feira 13 de março, São Paulo celebra os 90 anos de Zé do Caixão, alter ego criado por José Mojica Marins, com uma sessão gratuita e ao ar livre que mistura filme, performance e clima ritualístico.

A exibição de À Meia-Noite Levarei Sua Alma acontece às 19h30, no Centro Cultural São Paulo, no Jardim Suspenso. A ação é promovida pela Spcine, pelo CCSP e pelo projeto Cine na Praça, dentro da programação Vergueiro ao Ar Livre.

Cinema, herança e presença

Mais do que uma sessão comemorativa, o evento assume um caráter quase performático. Está confirmada a presença de Liz Marins, filha de Mojica, que apresenta uma performance exclusiva para o público. Conhecida pela personagem Liz Vamp, ela também assina e dirige o curta Aparências, que será exibido na mesma noite, reforçando o diálogo entre legado e continuidade.

A escolha da data não é aleatória. Mojica nasceu em uma sexta feira 13, e a coincidência virou parte do mito em torno do cineasta que ajudou a redefinir o terror brasileiro a partir da margem, do improviso e da provocação moral.

Por que esse filme ainda importa

Lançado em 1964, À Meia Noite Levarei Sua Alma não apenas apresentou Zé do Caixão ao público, como também rompeu com padrões estéticos e narrativos do cinema nacional. Violento, filosófico e profundamente autoral, o filme segue desconfortável até hoje, o que explica por que continua sendo exibido, debatido e celebrado.

Ver esse clássico projetado ao ar livre, em um espaço público e gratuito, ajuda a recolocar Mojica no lugar que ele sempre ocupou de fato: o de artista popular, inquieto e impossível de domesticar.

Como participar

A entrada é gratuita, com retirada de ingressos no próprio local a partir das 17h30. A sessão está sujeita à lotação de 200 pessoas e pode ser cancelada em caso de chuva. Para quem conseguir entrar, a promessa é de uma noite que vai além do cinema, flertando com o ritual, a memória e o horror como linguagem cultural.

Serviço

Vergueiro ao Ar Livre – Especial 90 anos de Zé do Caixão
Data: 13 de março de 2026 (sexta feira)
Horário: 19h30
Local: Centro Cultural São Paulo – Jardim Suspenso
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade
Entrada gratuita | Retirada de ingressos a partir das 17h30
Lotação: 200 pessoas
Em caso de chuva, o evento será cancelado

Copa NFA Split 1 2026 de Free Fire aposta em formato mais estratégico e datas estendidas

A NFA confirmou os detalhes da Copa NFA Split 1 2026 de Free Fire, um dos campeonatos mais aguardados do calendário nacional. A competição rola entre 24 de fevereiro e 2 de abril de 2026, com transmissão online e promessa de partidas mais estratégicas do início ao fim.

Ao todo, 12 equipes disputam o título em um formato que deixa claro o que a NFA quer valorizar nesta temporada: regularidade, leitura de jogo e impacto coletivo. Nada de sobreviver só na explosão de um dia inspirado.

Point Rush longo e final que muda o jogo

O campeonato será dividido em duas grandes fases. A primeira é um Point Rush estendido, com 14 dias de disputa e seis quedas por dia, sempre seguindo a ordem padrão de mapas. Aqui, não basta aparecer bem em um ou dois dias: a pontuação acumulada define a classificação geral e influencia diretamente o peso de cada time na decisão.

A Grande Final acontece em um único dia, com 10 quedas, e traz o diferencial mais interessante do formato. Nas seis primeiras partidas, tudo segue o roteiro tradicional. A partir da sétima, entram critérios de mérito que mudam a dinâmica da decisão.

Funciona assim:
– O 7º mapa é escolhido pela equipe com mais pontos acumulados do Dia 1 ao Dia 7
– O 8º mapa fica com o time que somou mais eliminações do Dia 1 ao Dia 10
– O 9º mapa será definido pela melhor equipe geral do Point Rush (Dia 1 ao Dia 14)
– O 10º e último mapa será escolhido pelo MVP do torneio até o fim do Point Rush

Na prática, isso transforma cada queda em algo que vai muito além do resultado imediato. Jogar bem desde o começo vira vantagem concreta na hora mais tensa do campeonato.

Equipes confirmadas

A Copa NFA Split 1 2026 contará com nomes já conhecidos do cenário competitivo:

FLUXO W7M, EXODIA, DOLLARS, AMAZONCRIPZ, BRATVA, ANTISOCIAL TEAM, A NOVA ORDEM, VASCO ESPORTS, RUSH GAMING, ANGELS, DEUSES e WEPLAY.

É uma mistura de organizações consolidadas com times que vêm buscando espaço, o que ajuda a manter o torneio imprevisível.

O que a NFA busca com o novo formato

Segundo Bernardo Assad, idealizador da NFA, a proposta é clara: criar um ambiente mais equilibrado e competitivo, onde decisões estratégicas e constância pesem tanto quanto mira afiada. A leitura é simples. Em um cenário cada vez mais profissional, vencer precisa ser consequência de um campeonato inteiro bem jogado, não só de uma final caótica.

Com isso, a Copa NFA reforça seu papel como um dos principais laboratórios do Free Fire competitivo no Brasil, servindo tanto de vitrine para talentos quanto de teste para formatos que fogem do óbvio.

Para acompanhar novidades, datas exatas das transmissões e bastidores, a NFA mantém atualizações constantes em seus canais oficiais.

Exposição “Game: brincar com arte” transforma o universo dos jogos em ponto de encontro com a arte contemporânea

Raquel Maia Heberth Sobral

Mostra de Heberth Sobral ocupa a Galeria de Arte Solar, no Pavão Pavãozinho, entre fevereiro e março, com obras interativas e referências ao imaginário lúdico

A Galeria de Arte Solar, localizada no Pavão Pavãozinho, no Rio de Janeiro, recebe a exposição “Game: brincar com arte”, individual de Heberth Sobral que aposta no universo dos jogos, dos esportes e das brincadeiras como ponto de partida para aproximar o público da arte contemporânea. A mostra fica em cartaz de 24 de fevereiro a 28 de março e tem entrada gratuita.

O jogo como linguagem artística

Raquel Maia Heberth Sobral

Com curadoria de Adriana Nakamuta, a exposição utiliza o imaginário dos games e das brincadeiras juvenis para dialogar com questões do mundo adulto e urbano. Cerâmicas, fotografias, esculturas e obras interativas aparecem em situações de deslocamento de escala, função e suporte, sempre com humor e abertura para a participação do público.

O lúdico não surge apenas como estética, mas como ferramenta de pertencimento e identificação coletiva. A proposta é fazer com que o visitante reconheça símbolos familiares e, a partir deles, seja convidado a refletir sobre memória, cultura e convivência.

Playmobil, futebol e outras referências

Um dos eixos centrais da pesquisa de Heberth Sobral é a figura do boneco Playmobil, que aparece em diferentes trabalhos da mostra. Entre os destaques está “Papá Golfe”, uma obra de grandes dimensões que funciona como um pequeno campo de golfe aberto à interação do público.

Outro conjunto chama atenção pelo diálogo com a memória afetiva brasileira: uma série de fotografias organizadas como um álbum de figurinhas recria a seleção da Copa do Mundo de 1970, com nomes como Pelé, Rivellino, Gérson e Jairzinho, em montagens impressas em grande formato. Há ainda o “Dominó Azul”, da série Sala de Jogos, composto por tijolos pintados e organizados como uma partida suspensa na parede, além de referências ao automobilismo e a outros esportes.

Arte, escola e comunidade

Paralelamente à exposição na galeria, o Solar Meninos de Luz inaugura um segundo espaço expositivo dentro da escola, pensado para encontros, rodas de conversa e atividades educativas. Nesse ambiente ao ar livre, Heberth Sobral apresenta um mural criado especialmente para o local, com bonecos de Playmobil vestindo o uniforme da instituição.

A iniciativa reforça o diálogo entre arte contemporânea e educação formal, integrando o fazer artístico ao cotidiano escolar e ampliando o acesso da comunidade à produção cultural.

Sobre o artista

Raquel Maia Heberth Sobral

Nascido em Muriaé, Minas Gerais, em 1984, Heberth Sobral constrói uma trajetória marcada pelo interesse nas memórias do cotidiano e em temas de comportamento e cultura. Formado em Desenho Industrial, iniciou sua carreira artística a partir da fotografia e chegou a atuar como assistente de Vik Muniz. Sua obra transita por diferentes suportes, como gravura, pintura, desenho e objetos, sempre convidando o espectador a entrar na cena por meio da lembrança e da experiência compartilhada.

SERVIÇO

Exposição: Game: brincar com arte
Artista: Heberth Sobral
Curadoria: Adriana Nakamuta
Abertura: 24 de fevereiro de 2026, das 11h às 14h
Período: até 28 de março de 2026
Visitação:
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Sábado, das 8h às 12h
Local: Galeria de Arte Solar
Endereço: Rua Saint Roman, 149, Pavão Pavãozinho, Copacabana, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita

Crítica | A Miss

Novo filme de Daniel Porto, A Miss leva o universo dos concursos de beleza para as telonas a partir de uma dinâmica familiar bastante reconhecível. Uma mãe revive em sua filha um sonho interrompido na infância, enquanto o filho cresce à sombra desse mesmo desejo.

Sob uma ótica queer, A Miss pode ser lido como uma parábola sobre mães que projetam nos filhos aquilo que não conseguiram viver. Seja forçando aulas de balé, organizando festas de quinze anos ou insistindo em trajetórias que nunca partiram realmente das crianças. Quem nunca viu algo assim por aí?

No centro da história está Iêda, vivida por Helga Nemetik, uma ex-miss que hoje trabalha como cabeleireira e deposita na filha Martha, interpretada por Maitê Padilha, a missão de realizar o sonho que ficou pelo caminho. Controlando sua alimentação e inscrevendo-a compulsivamente em concursos, Iêda ignora os sentimentos da filha em nome dessa obsessão.

Enquanto isso, Alan, o irmão gêmeo de Martha, vivido por Pedro David, cresce sem restrições aparentes, mas carrega o incômodo de ver toda a atenção da mãe concentrada na irmã.

O sonho e o desejo

Tudo muda quando Martha acredita haver um intruso em casa e descobre que Alan se veste de mulher quando está sozinho. Enxergando ali uma chance de escapar do concurso, ela passa a ver no irmão a possibilidade de realizar o sonho da mãe sem precisar assumir esse papel.

Alan hesita no início, mas acaba aceitando a ideia, não apenas como plano, mas como uma forma de acessar o carinho que sempre sentiu ser exclusivo da irmã. A questão passa a ser como fazer isso funcionar sem que a mãe perceba.

É nesse ponto que entra o tio Athena, interpretado por Alexandre Lino, colega de trabalho de Iêda no salão e que se passa por um cabeleireiro gay. Ele acaba se tornando a peça-chave para transformar Alan em Martha no concurso de Miss Grajaú.

Cinderela

Com um plano improvisado para manter a mãe ocupada, os irmãos fogem para o salão em busca da ajuda do tio. O que parece uma completa loucura acaba se tornando possível. Enganar Iêda no dia do concurso e trocar os dois momentos antes de subir ao palco.

Alan então precisa aprender a andar, se comportar e convencer todos de que é Martha. O plano funciona melhor do que o esperado. Ele se sai muito bem no desfile, conquista o público e vence o concurso de Miss Grajaú.

Relação de mãe e filho

A vitória, no entanto, leva à revelação. Iêda descobre que foi o filho quem se passou pela filha e, para surpresa geral, o momento não termina em punição ou ruptura. Pelo contrário. Ela passa a abraçar o sonho de Alan e decide treiná-lo para ir ainda mais longe, agora mirando o título de Miss Rio de Janeiro.

Com a casa aparentemente em paz, fica a pergunta. Esse sonho, agora compartilhado, finalmente poderá se realizar?

Opinião

Com elenco carismático, roteiro ágil e uma dramédia direta ao ponto, A Miss constrói uma história simples, mas muito eficiente ao longo de suas quase duas horas. Maitê Padilha e Pedro David brilham como Martha e Alan, e grande parte da credibilidade do filme vem da cumplicidade e da naturalidade da relação entre os dois em cena.

Um dos maiores acertos está em não transformar a trama em algo somente sobre a orientação sexual do Alan. A escolha dele de se vestir de mulher é tratada com naturalidade, sem a necessidade de rótulos ou explicações.

Helga Nemetik entrega uma Iêda intensa e curiosamente divertida. Em alguns momentos, sua atuação lembra a energia da atriz Júlia Rabello, especialmente na forma de impor ordem à casa e discutir com os filhos. Aos poucos, a personagem revela as mágoas de um sonho interrompido e encontra, nessa relação com os filhos, uma possibilidade de reconexão.

Alexandre Lino, como o tio Athena, traz leveza e humor à narrativa. Vivendo o medo constante de que suas clientes descubram que ele não é gay, o personagem funciona como um contraponto cômico essencial e completa bem o trio central.

Mesmo com uma trama simples, A Miss se destaca pela forma como é conduzido. O arco de reconciliação familiar e os diálogos naturais sustentam o filme com honestidade emocional. Daniel Porto equilibra humor e delicadeza ao tratar temas como gênero e afeto sem didatismo, entregando um filme leve, respeitoso e sensível.

Mais do que levar concursos de beleza ao cinema, A Miss se destaca por revisitar relações familiares longe dos rótulos tradicionais e por transformar a realização de um sonho em algo compartilhado e, finalmente, ressignificado.

Ficha técnica

Nota: 4 (de 5)

A Miss

Direção e roteiro: Daniel Porto
Elenco: Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David, Alexandre Lino
Gênero: Dramédia
Ano: 2026
País: Brasil
Distribuição: Olhar Filmes
Estreia nos cinemas: 26 de fevereiro de 2026

Agradecimentos a Olhar Filmes pelo convite para produção deste conteúdo

Crítica | O Morro dos Ventos Uivantes

Criado por Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes ganhou inúmeras versões no cinema. Seja americana, britânica, espanhola ou até mesmo japonesa, esse clássico já rompeu barreiras ao longo das décadas, incluindo uma curiosa versão “high school”, mantendo-se sempre presente na cultura pop.

Agora, em uma nova adaptação escrita e dirigida por Emerald Fennell, O Morro dos Ventos Uivantes ganha uma leitura renovada nas telonas, estrelada por Margot Robbie e Jacob Elordi. Longe de ser fiel ao livro, a obra aposta em uma abordagem mais sensorial, usando e abusando de efeitos visuais para traduzir emoções. O resultado é um filme com jeitão de clássico, mas que não ignora as novas gerações.

Mas a pergunta que fica é: a história de Catherine Earnshaw e Heathcliff ainda comove o público atual?

A história

Acompanhamos um homem ser enforcado publicamente em 1771. A diversão do povo ao assistir o sofrimento do condenado atravessa diferentes classes sociais, revelando um retrato cruel de uma sociedade doente.

Em paralelo, conhecemos a jovem Catherine Earnshaw (Charlotte Mellington), que vive nas terras do Morro dos Ventos Uivantes. Um dia, seu pai, o alcoólatra Sr. Earnshaw (Martin Clunes), traz para casa um garoto, tratado quase como um animal de estimação para sua filha.

Catherine nomeia o menino de Heathcliff (Owen Cooper), em homenagem ao irmão falecido, e assim nasce uma amizade intensa entre os dois. Ela tenta ensiná-lo a ler, enquanto ambos se tornam grandes confidentes. Também conhecemos Nelly Dean (Vy Nguyen), filha ilegítima de um lorde, que trabalha cuidando de Catherine.

O tempo passa, e Catherine e Heathcliff crescem, agora interpretados por Margot Robbie e Jacob Elordi. Mesmo adultos, os dois ainda carregam uma relação quase infantil, brincando e ocupando aquele território isolado como se o mundo exterior não existisse. Aqui, é até justo comparar com A Lagoa Azul, com jovens isolados descobrindo sentimentos que ainda não sabem nomear.

A grande questão é que, em O Morro dos Ventos Uivantes, ambos sabem exatamente qual é o seu lugar na sociedade. Com o pai falido e afundado no alcoolismo, Cathy entende que precisa se casar com um homem rico, mesmo amando Heathcliff.

É assim que ela passa a frequentar a casa dos vizinhos Edgar Linton (Shazad Latif) e Isabella Linton (Alison Oliver). Ao se machucar ao escalar um muro, Cathy acaba permanecendo seis semanas na casa de Edgar. Ao retornar, já espera que ele a peça em casamento. Em confidência a Nelly, revela que tudo faz parte de um plano e que jamais poderia se casar com quem realmente ama, Heathcliff, pois isso os levaria à ruína.

Heathcliff escuta parte dessa conversa. Em silêncio, pega um cavalo e foge. Cathy fica confusa, dividida, e reluta em aceitar o casamento com Edgar.

Um ano se passa. Cathy finalmente se muda para a propriedade de Edgar e se entrega àquela vida. Casados, o tempo avança, e temos um salto de cinco anos com o retorno de Heathcliff, agora rico e com a aparência de um verdadeiro lorde.

Cathy fica fascinada ao reencontrá-lo, ainda mais quando ele começa a comprar as terras de seu pai. Ao mesmo tempo, Isabella também se apaixona por Heathcliff, tentando a todo custo chamar sua atenção, o que desperta o ciúme da própria Cathy.

Mas Heathcliff retorna com seus próprios planos. Mesmo apaixonado por Cathy, ele não aceita ter sido trocado por Edgar por causa de posses. Fica a dúvida se Isabella pagará o preço das escolhas de Cathy.

Um clássico que atravessa gerações

Desde sua publicação no século XIX, O Morro dos Ventos Uivantes recebeu inúmeras adaptações ao redor do mundo. Esta nova versão tenta se reinventar em meio a essa vasta tradição.

A grande sacada de Emerald Fennell está em transferir a experiência emocional dos personagens para os cenários e objetos. Quando vemos o quarto de Cathy preparado por Edgar, ele comenta que as paredes possuem cores semelhantes às de sua pele, com pintas e imperfeições. O sofrimento da personagem reverbera no espaço, que passa a funcionar como uma extensão de seu corpo e de sua mente.

O filme é repleto dessas escolhas sensoriais, que expandem os sentimentos dos personagens, ao mesmo tempo em que mantém um olhar clássico sobre figuras moldadas por seu tempo. Catherine, mesmo envelhecendo, não deixa de soar ingênua, lembrando Scarlett de E o Vento Levou. Sua forma de expressar sentimentos carrega uma inocência típica do cinema clássico. Margot Robbie encontra o equilíbrio ao interpretar uma Cathy que, mesmo submissa, questiona e dobra as regras de uma sociedade rígida.

Jacob Elordi surge inicialmente irreconhecível como Heathcliff. Seu personagem começa com um tom vingativo, lembrando O Conde de Monte Cristo, mas seus planos se revelam muito mais dolorosos e calculados. Owen Cooper, em sua versão infantil do personagem, se destaca ao transmitir inocência e, ao mesmo tempo, uma compreensão precoce das leis sociais que o cercam.

Confesso que não li o livro recentemente nem comparei com outras versões, mas, sendo bem franco, O Morro dos Ventos Uivantes funciona como uma adaptação clara e acessível. Mesmo soando excessivamente clássico e, em alguns momentos, arrastado, o filme consegue atualizar as jornadas de seus personagens sem descaracterizá-los.

Parte dessa atualização vem de cenas mais explícitas da relação entre Cathy e Heathcliff após seu retorno. São escolhas que não existem no material original e que dividiram o público. Ainda assim, elas funcionam como contraste entre os desejos juvenis, o ciúme e a tentativa frustrada de manter aparências dentro das regras sociais.

O grande destaque fica para Hong Chau, que entrega uma Nelly Dean madura e estratégica. Ciente de que sua sobrevivência depende da benevolência de Cathy, Nelly manipula acontecimentos ao ocultar o retorno de Heathcliff no passado, acreditando estar protegendo Cathy de um destino inferior ao que a alta sociedade poderia oferecer. É uma das poucas personagens que age com real sensatez, e grande parte da trama só avança graças às suas artimanhas.

O Morro dos Ventos Uivantes está longe de ser perfeito. A narrativa é lenta, alguns personagens são simplificados e certas liberdades criativas podem afastar os mais puristas. Ainda assim, com um grande elenco e uma história que atravessa gerações, o filme encontra um brilho próprio. Com mais erros do que acertos, é justamente essa identidade que torna esta adaptação diferente das demais e que, por si só, já justifica a ida ao cinema.

Ficha técnica

Nota: 3,5 (de 5)

O Morro dos Ventos Uivantes

Título original: Wuthering Heights
Direção e roteiro: Emerald Fennell
Baseado no romance: Wuthering Heights, de Emily Brontë
Elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver
Gênero: Drama romântico / Drama de época
Duração: 136 minutos
Ano: 2026
Países: Reino Unido, Estados Unidos

Crítica | A Empregada

Já conhecido entre aqueles que leram os livros, A Empregada chegou aos cinemas em janeiro sem fazer muito alarde. Ainda assim, não apenas se destacou, como foi crescendo na bilheteria brasileira semana após semana. Seu sucesso foi tanto que desbancou títulos como Avatar: Fogo e Cinzas, alcançando a cobiçada primeira posição.

Adaptado do livro de Freida McFadden, o sucesso foi mundial a ponto de a saga literária logo receber sinal verde, com sua continuação já confirmada pela Lionsgate lá fora. Aqui no Brasil, o filme chegou pela Paris Filmes, com direção de Paul Feig e elenco encabeçado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried.

Com um suspense psicológico clássico, A Empregada parte da premissa de que todo mundo tem segredos. Sua construção, ao apresentar camadas da história aos poucos, mostra que nem tudo é exatamente como enxergamos à primeira vista.

Mas, sendo um sucesso comercial como demonstrou ser… qual é o segredo de A Empregada?

Uma protagonista marcada pelo passado

Amanda Seyfried as Nina Winchester and Sydney Sweeney as Millie Calloway in The Housemaid. Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

Conhecemos Millie, interpretada por Sydney Sweeney, uma ex-presidiária em liberdade condicional que tenta reconstruir a própria vida em meio ao peso constante do julgamento social. Morando dentro do carro e conseguindo apenas empregos simples, a chance de trabalhar na casa dos Winchester surge como a grande oportunidade de dar um salto em sua vida.

É nesse momento que Millie acredita ter encontrado seu recomeço profissional, ao ser entrevistada por Nina Winchester, vivida por Amanda Seyfried. Nina é a típica “dondoca”, com uma vida aparentemente fútil, que não parece se preocupar com detalhes considerados sem importância, a ponto de não pesquisar o passado de Millie e descobrir que ela era uma ex-presidiária.

Após alguns dias sem resposta, Millie acredita que seu plano não deu certo. Porém, seu telefone toca: é Nina, pedindo que ela comece o trabalho com urgência. Ao chegar à casa dos Winchester, Millie percebe que o novo emprego exige também um novo papel social, incluindo a troca de telefone e o cumprimento de regras, mesmo que não estejam claramente escritas. Aos poucos, seu dia a dia vai se tornando um verdadeiro isolamento.

Morar no sótão é a cereja do bolo: um quarto onde não se ouve nada, a janela não abre e que, inicialmente, não tem chave. Millie percebe que terá de engolir muitos sapos para realmente recomeçar sua vida.

Paralelamente, conhecemos Andrew Winchester (Brandon Sklenar), que inicialmente não vai muito com a cara de Millie, mas acaba se acostumando com sua presença, protagonizando diversas cenas de pequenos encontros pela casa.

Além disso, há o misterioso jardineiro italiano Enzo Accardi (Michele Morrone), que monitora todos os passos de Millie. Mesmo trocando poucas palavras, Enzo se estabelece como uma figura claramente desconfiada de sua presença.

Por fim, temos Cecelia “Cece” Winchester (Indiana Elle), filha de Nina e Andrew, que apresenta um temperamento bastante parecido com o da mãe. Millie tenta a todo custo conquistar Cecelia, mas a tarefa não será nada fácil.

É nesse contexto que Millie se acostuma à rotina de arrumar a casa e até às loucuras de Nina, que dá ordens e, horas depois, esquece completamente do que pediu. Andrew, por sua vez, se mostra o elemento mais “normal” da casa, ao se oferecer para pagar os ingressos de um show da Broadway que Millie comprou a pedido de Nina, mas que depois foi alertada de que a compra havia sido feita para um dia em que Nina já tinha outro compromisso.

A traição

Sydney Sweeney as Millie Calloway and Amanda Seyfried as Nina Winchester in The Housemaid. Photo Credit: Daniel McFaddenThe Housemaid. Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

A Empregada passa a apresentar novas camadas de sua história a partir das conversas entre Andrew e Millie pela casa, até que ele se oferece para ir ao musical com ela, já que Nina teria um compromisso naquele dia.

Ambos se divertem e acabam dormindo em um hotel na região. As mensagens de Nina anunciando a demissão de Millie acabam aproximando ainda mais os dois, levando-os para a cama pela primeira vez.

De volta à casa, Nina finge não se lembrar de nada e revela que Millie é uma ex-presidiária. Deixando claro que sempre soube de seu passado, Nina começa a mostrar que não é a “dondoca” que Millie imaginou.

Enquanto isso, Andrew passa a se aproximar de Millie, situação que Nina não apenas percebe, como acaba sendo expulsa de casa. Mas será mesmo que isso não fazia parte de um plano ainda maior?

Opinião

Brandon Sklenar as Andrew Winchester in The Housemaid. Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

Com uma trama cheia de segredos que vão sendo revelados ao longo da história, A Empregada pode até lembrar os thrillers dos anos 1990, mas demonstra, em suas reviravoltas, que ainda há muito pano para manga.

O relacionamento entre Andrew e Millie, além de tóxico, ajuda a explicar por que Nina se tornou tão “doida”, deixando a sensação de que aquilo era apenas o pontapé inicial de uma série de novas viradas.

Com uma narrativa que apresenta segredos aos poucos, em um suspense recheado de reviravoltas, o filme, adaptado com roteiro de Rebecca Sonnenshine, mostra que nem sempre as “famílias de comercial de margarina” são exatamente como parecem. Se, inicialmente, Millie parecia ser a única com segredos a esconder, no fim todos os personagens carregam seus próprios passados, especialmente Andrew e a própria Millie.

Sydney Sweeney e Amanda Seyfried sustentam o filme com tensão constante, ajudadas até pela semelhança física entre suas personagens. E fica a pergunta: será que Millie ser parecida com Nina é apenas uma coincidência?

Transitanto por temas como desigualdade de classes, loucura e relações abusivas, A Empregada se firma como um thriller psicológico envolvente, que surpreende não apenas pela trama, mas por suas revelações, lembrando que todos nós temos segredos que preferiríamos manter escondidos.

Ficha técnica

Nota: 5 (de 5)

A Empregada

Título original: The Housemaid
Título no Brasil:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Baseado no livro: The Housemaid, de Freida McFadden
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone
Gênero: Suspense psicológico
Duração: 131 minutos
Ano: 2025
País: Estados Unidos

Terra das Gemas chega ao volume 13 e encerra a série no Brasil

A NewPOP lança no Brasil o volume 13 de Terra das Gemas – Volume 13, encerrando oficialmente a história criada por Haruko Ichikawa. O lançamento marca o fim da jornada de Fosfofilita e coloca um ponto final em uma obra que sempre transitou entre beleza, melancolia e transformação.

Desde o início, Terra das Gemas construiu uma narrativa pouco convencional, mais interessada em mudanças internas e passagem do tempo do que em conflitos diretos. O volume final mantém essa abordagem até o último momento.

Fos sozinho, o mundo transformado

Na conclusão, Fosfofilita permanece sozinho na Terra após decidir herdar as memórias e os poderes de Kongou. O encontro com os lunares, descendentes dos humanos, encerra um ciclo antigo da história. Após a oração de Fos, eles retornam ao nada, deixando para trás um mundo em silêncio.

Depois de incontáveis anos, o protagonista encontra novas formas de vida rochosas, diferentes das gemas conhecidas até então. São seres que não carregam humanos em seu interior, indicando que a existência seguiu outros caminhos, mesmo após a extinção do que veio antes.

Um encerramento fiel à proposta da série

O volume 13 não busca um final tradicional ou reconfortante. Assim como o restante da obra, o desfecho aposta na contemplação e na ideia de que mudança nem sempre vem acompanhada de respostas claras.

Ao longo da série, Haruko Ichikawa construiu uma história sobre identidade, perda e transformação a partir de personagens belas, fortes e extremamente frágeis. O encerramento respeita esse percurso e fecha Terra das Gemas sem suavizar suas ideias centrais.

Ficha técnica

Título: Terra das Gemas – Volume 13
Autor: Haruko Ichikawa
Editora: NewPOP
Preço sugerido: R$ 39,90
Formato: 15 x 21 cm
Páginas: 196
Papel: Off-set 90 g
Acabamento: Capa cartonada com efeitos holográficos
ISBN: 978-8583626268

Made in Abyss lança volume 12 no Brasil pela NewPOP

A NewPOP lança no Brasil o volume 12 de Made in Abyss – Volume 12, dando continuidade à jornada de Riko, Reg e companhia rumo às áreas mais perigosas do Abismo. A nova edição mantém o clima de exploração constante e tensão crescente que define a obra criada por Akihito Tsukushi, agora com a aproximação do final da Sexta Camada.

A história segue ampliando o contraste entre o espírito aventureiro do grupo e a brutalidade do mundo que os cerca, deixando claro que cada descida traz riscos maiores — físicos e emocionais.

Novos encontros nas profundezas

Neste volume, Riko, Reg, Nanachi e Faputa avançam pelas regiões finais da Sexta Camada quando se deparam com um grupo de exploradores misteriosos. O convite para conhecer o acampamento deles parece, a princípio, uma pausa bem-vinda em meio ao perigo constante, mas rapidamente levanta desconfianças.

O local é liderado por Srajo, conhecido como o Lorde Místico e capitão da tropa de exploração Hail Hex. Desconfiado da origem de Riko e seus companheiros, ele decide submetê-los a um “teste” para provar que o grupo é confiável — algo que, dentro do universo de Made in Abyss, dificilmente acontece sem consequências.

Aventura sem suavizar os riscos

O volume 12 reforça o que leitores da série já conhecem: Made in Abyss não oferece caminhos fáceis. A introdução de novos exploradores amplia o mundo da obra e adiciona novas camadas de tensão à exploração do Abismo, enquanto o grupo principal segue sendo empurrado para situações cada vez mais extremas.

A narrativa mantém o equilíbrio entre descoberta e ameaça, sustentando o tom sombrio que consolidou o mangá como um dos títulos mais marcantes do gênero.

Ficha Técnica

Título: Made in Abyss – Volume 12
Autor: Akihito Tsukushi
Editora: NewPOP
Preço sugerido: R$ 36,90
Formato: 15 x 21 cm
Páginas: 144
Papel: Off-set
Acabamento: Capa cartonada
ISBN: 978-8583627319

O Sistema de Autopreservação do Vilão Desprezível lança livro 3 no Brasil

O livro 3 de O Sistema de Autopreservação do Vilão Desprezível – Livro 3 já está disponível no Brasil pela NewPOP e dá sequência à publicação nacional da série escrita por Mo Xiang Tong Xiu, autora conhecida por brincar com estruturas clássicas de fantasia e subvertê-las sem cerimônia.

A obra faz parte do universo das webnovels chinesas e parte de uma premissa simples e caótica: um leitor insatisfeito com uma história ruim acaba reencarnando justamente dentro dela — no pior papel possível.

Quando o vilão vira protagonista por obrigação

Na história, Luo Binghe é o típico protagonista exagerado de webnovel: poderoso demais, cercado por um harém gigantesco e com um passado trágico usado como justificativa para tudo. O detalhe é que ele só funciona assim dentro da narrativa original, “Caminho do Orgulhoso Demônio Imortal”, uma obra que Shen Yuan leu até o fim… odiando cada capítulo.

O problema começa quando Shen Yuan acorda dentro dessa história, reencarnado como Shen Qingqiu, o mestre cruel e vilão responsável por grande parte do sofrimento de Luo Binghe. Para evitar um destino nada agradável, ele passa a tomar decisões que distorcem completamente o rumo da trama.

Livro 3: nada mais segue o roteiro

No terceiro volume, fica claro que a história original já ficou para trás. O que antes eram falhas de roteiro e pontas soltas viram tramas complexas, e Luo Binghe deixa de ser apenas o protagonista previsível para se transformar em algo muito mais imprevisível — e perigoso.

Shen Qingqiu, por sua vez, já não consegue mais se apoiar no conhecimento prévio da obra. Cada escolha altera o mundo ao redor, e a busca por um “final feliz” passa a ser menos sobre salvar a história e mais sobre sobreviver a ela.

Uma série que avança para o fim

Completando quatro volumes no total, O Sistema de Autopreservação do Vilão Desprezível entra, no livro 3, em sua reta decisiva. O tom segue equilibrando humor ácido, comentários meta sobre narrativas de fantasia e conflitos que crescem em escala emocional e narrativa.

Para quem já acompanha a série, este volume marca o ponto em que a autopreservação deixa de ser só uma piada e passa a ser uma necessidade real.

Ficha técnica

Título: O Sistema de Autopreservação do Vilão Desprezível – Livro 3
Autor: Mo Xiang Tong Xiu
Preço sugerido: R$ 69,90
Formato: 15 x 21 cm
Páginas: 320
Papel: Pólen Soft
Extras: Páginas coloridas
Acabamento: Capa cartonada com orelhas e verniz localizado
ISBN: 978-8583626473

Série completa em 4 volumes.