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Dia Mundial do Transtorno Bipolar | RPG de mesa surge como ferramenta terapêutica no cuidado em saúde mental

Especialista aponta como jogos podem auxiliar no desenvolvimento emocional e no acompanhamento psicológico

Celebrado em 30 de março, o Dia Mundial do Transtorno Bipolar abre espaço para discutir novas abordagens no cuidado em saúde mental. Entre elas, o uso de jogos de interpretação de papéis, os chamados RPGs de mesa, vem ganhando atenção como ferramenta complementar dentro de terapias cognitivas e comportamentais.

Segundo o psicólogo Dr. Manoel Acioli, que pesquisa modelos terapêuticos gamificados, o RPG pode funcionar como um ambiente controlado para trabalhar emoções, tomada de decisão e relações interpessoais.

RPG como espaço seguro para trabalhar emoções

A lógica do RPG de mesa permite que o paciente experimente situações hipotéticas por meio de personagens, criando uma distância segura entre a vivência e a realidade. Isso facilita a abordagem de temas complexos, como conflitos internos, impulsividade e dificuldade de regulação emocional, comuns em quadros como o transtorno bipolar.

Na prática, o jogo se torna um mediador. O paciente não fala diretamente sobre si, mas sobre o personagem, o que pode reduzir resistência e ampliar a expressão emocional.

Gamificação amplia engajamento no tratamento

O uso de mecânicas de jogo dentro da terapia também contribui para aumentar o engajamento, especialmente entre públicos mais jovens ou familiarizados com cultura pop.

Elementos como progressão, narrativa e tomada de decisão ajudam a estruturar sessões mais dinâmicas, mantendo o paciente ativo no processo terapêutico.

Ferramenta complementa, não substitui tratamento

Apesar do potencial, a abordagem não substitui acompanhamento médico ou psicológico tradicional. O RPG atua como recurso complementar dentro de estratégias mais amplas de cuidado.

O transtorno bipolar exige acompanhamento contínuo, com diagnóstico adequado e, em muitos casos, uso de medicação aliado à psicoterapia.

Interseção entre cultura pop e saúde mental cresce

A utilização de jogos como ferramenta terapêutica reflete um movimento mais amplo de aproximação entre cultura pop e saúde mental.

A ideia é usar linguagens já presentes no cotidiano para facilitar o acesso ao cuidado e tornar o processo menos distante.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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