O curta Nós é Ruim e Mora Longe, dirigido por Ítalo Almeida, teve exibição nesta segunda-feira, 13 de abril, no The Sixth Borough Film Festival, realizado na Universidade de Manhattan.
A sessão marca a estreia internacional do filme, que havia sido exibido apenas uma vez no Brasil, em pré-estreia em Belo Horizonte.
Deslocamento como eixo narrativo
A trama acompanha Rayra, jovem da periferia de Belo Horizonte que decide atravessar a cidade para ir a uma festa na véspera do primeiro emprego.
O percurso, que poderia ser simples, vira o centro da narrativa. O filme usa esse deslocamento para discutir mobilidade, acesso e as barreiras invisíveis que separam regiões da cidade.
Mais do que o destino, o foco está no caminho e no que ele representa.
História construída a partir da vivência real
O roteiro parte de experiências do próprio diretor e de pessoas próximas. A protagonista é inspirada em uma pessoa real, assim como outros personagens.
Essa escolha se reflete no elenco, formado majoritariamente por atores que compartilham vivências semelhantes às retratadas na tela.
O resultado é um filme que mistura ficção e memória, com atuações que se apoiam na própria experiência dos envolvidos.
Estética reforça identidade periférica
Figurino, locações e linguagem visual seguem a mesma lógica. O filme utiliza espaços reais de Belo Horizonte, como o metrô e bairros periféricos, para construir uma identidade visual direta.
As escolhas estéticas não buscam estilização excessiva, mas sim reconhecimento. Quem vive essa realidade identifica rapidamente os códigos.
Entre pertencimento e deslocamento
Ao acompanhar uma noite específica, o curta amplia o olhar para uma questão recorrente: a dificuldade de ocupar espaços fora do próprio território.
A narrativa aponta como o deslocamento físico também carrega um peso simbólico, definindo quem circula, quem acessa e quem fica à margem.
‘Nós é Ruim e Mora Longe’ foi exibido nesta segunda-feira, 13 de abril, no The Sixth Borough Film Festival, em Nova Iorque.


