Realizada entre os dias 29 de abril e 3 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, a gamescom latam 2026 chegou à sua terceira edição mostrando que o evento finalmente encontrou seu espaço no calendário brasileiro. Se em 2024 a feira precisava provar que havia espaço para uma iniciativa desse porte na América Latina, e em 2025 consolidou a mudança para o Anhembi, 2026 representou o seu maior amadurecimento até então.
Com mais de 154 mil visitantes, um crescimento de 17,5% em relação ao ano anterior, a gamescom latam não apenas reforçou seu papel junto ao público brasileiro, mas também ampliou sua relevância internacional, atraindo empresas e profissionais da indústria para o nosso país. Sua posição como o maior evento de games da região demonstra que o Brasil ocupa um papel cada vez mais importante dentro do mercado global.
Para aqueles que ainda não conhecem a gamescom latam, a feira é resultado da parceria entre Koelnmesse, Omelete Company, BIG Festival e a game, Associação Alemã da Indústria de Jogos. A união entre a experiência internacional e a força do mercado brasileiro ajudou a construir um evento capaz de dialogar com diferentes perfis de público.
Jogadores em busca dos próximos lançamentos, profissionais interessados em novas oportunidades de negócios e desenvolvedores independentes dividem espaço em uma feira que parece cada vez mais confortável em abraçar essas diferentes identidades.
Mais jogos do que nunca

Se existe algo que a gamescom latam aprendeu nos últimos anos, foi entender o que o público espera ao atravessar seus portões. E a resposta é simples: jogar.
Em 2026, o evento reuniu mais de 400 jogos, incluindo mais de 60 lançamentos, muitos deles disponíveis para testes antes mesmo de chegarem oficialmente ao mercado.

Entre os destaques estavam LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight, Invincible VS, Phantom Blade Zero e Marvel Tokon: Fighting Souls, além de centenas de outros títulos espalhados pelos corredores do Anhembi.
Além disso, o evento aprendeu com as edições anteriores e criou áreas temáticas para os jogos que disputavam as premiações do BIG Festival. Ao lado de títulos aguardados pelo grande público, os independentes ganharam mais espaço e visibilidade, permitindo que jogadores descobrissem experiências que talvez passassem despercebidas em meio aos grandes estandes.
Em um mercado onde trailers e apresentações digitais se tornaram cada vez mais comuns, colocar as mãos nos jogos antes do lançamento continua sendo uma experiência difícil de substituir.
O Distrito Anhembi continua sendo a escolha certa

A mudança do São Paulo Expo para o Distrito Anhembi, iniciada em 2025, mostrou-se novamente acertada.
Além da localização mais central, o espaço facilita o deslocamento por transporte público e aplicativos, oferecendo uma estrutura que parece acompanhar melhor o crescimento do evento.
A edição de 2026 deixou claro que a gamescom latam encontrou uma casa capaz de sustentar sua expansão pelos próximos anos. A distribuição dos estandes também se mostrou mais eficiente, evitando grandes concentrações em pontos específicos e tornando a circulação muito mais agradável.
Outro acerto foi a presença de três praças de alimentação espalhadas pelo evento, demonstrando uma preocupação maior com o conforto do público.
É verdade que alguns espaços, como os da Claro e da SEGA, estavam menores em comparação ao ano anterior. Ainda assim, isso não comprometeu a qualidade das experiências oferecidas, provando que nem sempre é necessário ocupar os maiores espaços para criar ativações memoráveis.
BIG Festival segue essencial

A herança do BIG Festival continua sendo uma das características mais interessantes da gamescom latam.
Em 2026, o festival recebeu mais de 960 jogos inscritos, vindos de 75 países, reafirmando seu papel como uma das principais vitrines para o desenvolvimento independente no mundo.
Entre os destaques da premiação estiveram Clair Obscur: Expedition 33, eleito Melhor Jogo, além do brasileiro A.I.L.A., da Pulsatrix Studios, vencedor na categoria Melhor Jogo: Brasil.
Ao mesmo tempo, confesso que saí muito mais satisfeito com o modelo adotado nesta edição do que com o visto em 2025. As áreas temáticas dedicadas aos indicados permitiram que o público conhecesse esses projetos com mais calma, oferecendo aos estúdios independentes a visibilidade que muitas vezes disputavam com produções de grande orçamento.
A presença internacional nunca foi tão expressiva, mas foi justamente a reorganização desses espaços que ajudou a valorizar ainda mais a criatividade presente no cenário independente.
Empresas que fizeram a diferença

Gigantes como Nintendo, Warner Bros. Games, Riot Games, Electronic Arts, Roblox, Supercell e Remedy Entertainment ajudaram a transformar a gamescom latam em uma verdadeira celebração da cultura gamer.
A Nintendo manteve sua estratégia de oferecer experiências para públicos de diferentes idades, permitindo ao público experimentar títulos do Switch 2, além do recém-anunciado Yoshi and the Mysterious Book. A tradicional presença de Just Dance também voltou a reunir filas e muita interação entre os visitantes.
Outro ponto interessante foi a presença cada vez maior de marcas não endêmicas. Banco do Brasil, Claro, Seara, Bauducco e outras empresas continuam enxergando os games como uma importante ponte de diálogo com novas gerações.

O Banco do Brasil apostou na temática japonesa para compor seu estande, trazendo os tradicionais torii para dentro da feira. Foi, sem dúvida, uma das ativações visualmente mais interessantes desta edição.
Já a Claro, mesmo sem repetir o karaokê que marcou presença em 2025, apostou em experiências envolvendo Pragmata e Resident Evil Requiem, reforçando sua estratégia de destacar soluções ligadas à conectividade e aos jogos em nuvem.

A SEGA dividiu espaço com a Nuuvem e a Kabum, criando um ambiente mais movimentado e dinâmico, mas que ofereceu ao público a oportunidade de experimentar futuros lançamentos e conhecer novidades em diferentes frentes.
A grande surpresa do evento ficou por conta da Quarter Up. Ainda desconhecida para boa parte do público, a desenvolvedora chamou atenção com o gigantesco estande de Invincible VS. O jogo demonstrou potencial para competir entre os grandes nomes do gênero de luta, enquanto as ativações ajudaram a despertar a curiosidade de quem passava pelo local.
Muito além do público

Quem visita a feira vê os estandes, os cosplayers e as filas para testar lançamentos. Mas o que acontece nos bastidores é igualmente importante.
Muitas reuniões, decisões e parcerias relacionadas ao mercado brasileiro e internacional são construídas dentro da gamescom latam, e 2026 reforçou essa vocação.
A edição reuniu mais de 1.100 empresas de 59 países, promovendo mais de 13 mil reuniões de negócios, um crescimento de 46% em relação ao ano anterior.
A expectativa é que esses encontros movimentem cerca de US$ 180 milhões em novos negócios nos próximos meses.
Mais do que números impressionantes, esses dados reforçam algo que o mercado já percebeu há algum tempo: a gamescom latam deixou de ser apenas uma celebração para o público e passou a ocupar um papel estratégico dentro da indústria. Mesmo após o encerramento do evento presencial, os desdobramentos dessas reuniões continuam gerando novidades que impactam o mercado ao longo do ano.
Personalidades, comunidade e celebração

A programação da gamescom latam contou com mais de 300 horas de conteúdo, reunindo desenvolvedores, criadores de conteúdo e profissionais do setor.
Nomes como David Wise, Brendan Greene e Cellbit participaram de painéis que lotaram auditórios ao longo do evento, enquanto mais de mil cosplayers ajudaram a transformar os corredores da feira em uma verdadeira celebração da cultura pop.
Muito do conteúdo apresentado também pôde ser acompanhado de forma online, ampliando o alcance da feira e permitindo que jogadores impossibilitados de comparecer acompanhassem parte da programação.
Opinião

A gamescom latam 2026 entregou sua edição mais completa até agora. Não apenas pela evolução estrutural ou pelo crescimento nos números, mas pela capacidade de aprender com os próprios erros e entender melhor o mercado brasileiro.
É claro que ainda existem pontos que podem evoluir. Ainda assim, é impossível ignorar o quanto a feira amadureceu em pouco tempo. O cuidado maior com os jogos independentes, a reorganização dos espaços, a presença de lojas oficiais e a diversidade de experiências mostram um evento mais atento às necessidades do seu público.
Se em 2024 a missão era apresentar a proposta ao público brasileiro, e em 2025 consolidar mudanças importantes, 2026 marcou o momento em que a gamescom latam deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade.
Mais do que uma versão latino-americana de uma feira europeia, o evento encontrou uma identidade própria, refletindo o entusiasmo do público brasileiro e a força criativa da indústria regional. Um evento de sucesso é aquele que compreende os desafios do mercado em que está inserido e encontra maneiras de evoluir a partir deles. E isso é algo que a gamescom latam parece ter entendido muito bem.
Agradeço novamente pela oportunidade de acompanhar mais uma edição da gamescom latam e espero ter conseguido traduzir, em palavras, um pouco da energia que tomou conta do Distrito Anhembi nos últimos dias.
Que venham as próximas edições.

