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Campos dos Goytacazes vira polo cultural com o I Festival Internacional Goitacá de Cinema

De 19 a 24 de agosto, Campos dos Goytacazes se transforma em território cinematográfico com a chegada do I Festival Internacional Goitacá de Cinema. A cidade do interior do Rio de Janeiro será palco de um evento gratuito que reúne 65 filmes do Brasil e de cinco continentes, oficinas, debates, encontros de mercado e ações de valorização da cultura e do turismo local. Um marco inédito para a região, com a presença de nomes consagrados e novos olhares do audiovisual.

Zezé Motta

A grande homenageada do festival é Zezé Motta, atriz e cantora nascida em Campos, que volta à cidade natal para receber uma homenagem na noite de abertura, dia 19, às 18h, no Centro de Convenções da UENF. Além da presença da artista, a sessão exibe “Deixa”, filme de Mariana Jaspe que entrelaça memória e afeto em uma ficção contemporânea.

Zezé também inspira a Mostra Zezé Motta, com curadoria de Day Rodrigues. A seleção destaca produções que discutem diversidade de raça e gênero, ancestralidade, afeto e resistência, reafirmando a importância de narrativas negras no cinema brasileiro.

Diversidade de olhares nas telas

O Silêncio das Ostras- filme da Mostra Brasileira

O festival se desdobra em múltiplas mostras temáticas:

  • Mostra Olhares da Planície: curada por Hugo Katsuo e Rachel Aguiar, foca nas produções do interior fluminense, incluindo obras de Campos e São João da Barra. Um espaço para o cinema das margens ocupar o centro da conversa.
  • Mostra Nacional Competitiva: com curadoria de Lívia de Paiva, reúne produções brasileiras que exploram subjetividades, justiça social e experimentações formais.
  • Mostra Internacional Competitiva: sob seleção de Adriana Denisse-Silva (Creas Films), traz obras de diversos países, ampliando o repertório e o diálogo global.
  • Mostra Kbrunquinho: dedicada ao público infantil e juvenil, com curadoria de Gabriel Borges. Os filmes abordam a infância com sensibilidade e inteligência, sem condescendência.
  • Mostra Embratur: articula turismo e audiovisual em duas sessões (“Brasil com S” e “Turismo Transforma”), valorizando narrativas ligadas aos territórios, culturas e experiências afetivas do país.

O cinema como espaço de formação

Além da programação de filmes, o Festival Goitacá investe na formação técnica e crítica. O Programa de Formação, realizado com a Diretoria de Cultura e a Escola de Extensão da UENF, oferece 150 vagas em nove oficinas gratuitas, selecionadas entre 72 propostas do Brasil inteiro.

Já o Seminário de Cinema do Norte e Noroeste Fluminense, apoiado pela FAPERJ e CAPES, propõe nove mesas de debates com pesquisadores, representantes do setor e poder público, fortalecendo o pensamento sobre audiovisual na região.

Cine Market Goitacá

O evento também aposta em articulação profissional com o Cine Market Goitacá, espaço voltado ao networking e ao fomento de políticas públicas, coproduções, sustentabilidade e economia do audiovisual. A programação inclui mesas, masterclasses e oportunidades para quem está no mercado — ou querendo entrar.

Turismo em cena

Num encontro entre cultura e território, o festival promove ações em parceria com a Embratur nas cidades vizinhas de Quissamã e São João da Barra. Um grupo de convidados visitará dois pontos de valor histórico e ambiental: o Quilombo Machadinha e a Reserva Caruara, com transporte oferecido pela organização.

Essas visitas reforçam o festival como projeto de valorização regional e de intercâmbio de experiências. Marcelo Freixo, presidente da Embratur, destaca:

“O festival revela a potência cultural do interior do Rio e promove um Brasil diverso, autêntico e cheio de histórias para contar.”

Encerramento com sotaque local

No dia 24, às 18h, o festival se despede com o longa “Faroeste Cabrunco”, dirigido por Victor Van Ralse e estrelado por Tonico Pereira — ambos de Campos dos Goytacazes. A obra mistura ação, crítica social e elementos da cultura popular brasileira, encerrando a semana com afeto e irreverência.

Goitacá no mapa do cinema

O diretor-geral Fernando Sousa define o evento como um divisor de águas:

“O festival marca um momento histórico para Campos. É um projeto que forma, inspira, movimenta a economia e coloca a cidade no radar do cinema nacional e internacional.”

Com apoio de leis de incentivo, empresas privadas, universidades, instituições culturais e do setor público, o I Festival Internacional Goitacá de Cinema surge como um projeto estruturado, ambicioso e necessário. Uma estreia que já chega com cara de tradição.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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