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Premiada por Pacarrete, Natália Maia estreia na direção de longas com o thriller político A Estranha Familiar

Vencedora do Grande Otelo pelo roteiro de Pacarrete, Natália Maia dá um passo decisivo na carreira e estreia na direção de longas-metragens com o thriller político A Estranha Familiar. Produzido pela cearense Bordo Filmes, o filme entra em sua última semana de filmagens no interior do Ceará.

Escrito por Natália em parceria com Camila Chaves, o longa nasce do desejo de investigar relações de poder, justiça e pertencimento no Brasil profundo. A narrativa acompanha Lavínia, uma mulher que retorna à cidade natal para assumir o cargo de primeira juíza do município. O que parecia um recomeço se transforma rapidamente em conflito quando ela se vê dividida entre a irmã, uma radialista que enfrenta interesses locais, e a família da prefeita, com quem mantém uma dívida pessoal.

Um thriller político com olhar feminino e raízes no interior

A Estranha Familiar – Jamille Queiroz

Natália define A Estranha Familiar como um filme que dialoga com o suspense e o faroeste, mas parte de uma perspectiva feminina. As três personagens centrais são mulheres, e o jogo de forças se constrói menos em grandes embates e mais em silêncios, alianças frágeis e decisões morais difíceis.

A protagonista Lavínia é interpretada por Georgina Castro, revelada em O Céu de Suely e com passagem recente por produções internacionais. Sua irmã, a radialista Lina, ganha vida com Geane Albuquerque, enquanto a prefeita Suelen é interpretada por Loreta Dialla. O elenco reúne ainda nomes fortes do audiovisual nordestino e nacional, compondo um retrato denso e plural do Brasil fora dos grandes centros.

Um projeto lapidado ao longo dos anos

A Estranha Familiar – Jamille Queiroz

Antes de chegar ao set, A Estranha Familiar percorreu um longo caminho de desenvolvimento. O projeto nasceu no Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, passou por mentorias de nomes como Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, venceu prêmios em laboratórios e mercados internacionais e foi selecionado pelo edital Ruth de Souza, voltado a diretoras estreantes.

Mais do que uma estreia, o longa marca também um momento importante para a Bordo Filmes, que assina aqui seu primeiro longa-metragem após uma trajetória consolidada em curtas e projetos documentais.

Ambientado no interior cearense, o filme usa o espaço físico e simbólico da cidade pequena como campo de disputa política, afetiva e ética, questionando até onde é possível manter a imparcialidade quando tudo ao redor cobra posicionamento.

As filmagens de A Estranha Familiar se encerram no dia 8 de fevereiro, no Ceará, marcando o fim da produção e o início do caminho do filme rumo aos festivais e ao circuito nacional.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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