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Mother’s Baby lança trailer nacional e leva a maternidade ao território do suspense psicológico

Exibido em Berlim, longa da diretora austríaca Johanna Moder estreia nos cinemas brasileiros em 5 de março e transforma o pós parto em um pesadelo íntimo

O suspense psicológico Mother’s Baby acaba de ganhar trailer nacional e já deixa claro que não se trata de um drama convencional sobre maternidade. Dirigido pela cineasta austríaca Johanna Moder, o longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 5 de março, com distribuição da Autoral Filmes.

Exibido na competição oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro, o filme aposta no desconforto, na ambiguidade e na dúvida constante para conduzir o espectador.

Quando o instinto materno entra em colapso

A história acompanha Julia, uma maestra de 40 anos interpretada por Marie Leuenberger, que finalmente engravida após um tratamento experimental de fertilidade. O parto, no entanto, foge do controle. O bebê é retirado imediatamente de seus braços e, quando ela volta a vê lo, algo parece errado.

A partir desse momento, o filme mergulha na percepção fragmentada da protagonista. Julia passa a questionar se a criança é realmente seu filho, enquanto sua relação com o companheiro Georg, vivido por Hans Löw, entra em colapso. O médico responsável pelo procedimento, interpretado por Claes Bang, adiciona mais uma camada de inquietação à narrativa.

Maternidade como território de horror

Mother’s Baby se insere em uma safra recente de filmes dirigidos por mulheres que encaram a maternidade sem idealização. Assim como obras contemporâneas que exploram o tema pelo viés do desconforto e do estranhamento, o longa transforma a promessa de felicidade em paranoia, depressão pós parto e medo.

Para Johanna Moder, contar essa história como suspense foi uma escolha consciente. Em vez de seguir o caminho do drama tradicional, a diretora opta por uma linguagem que flerta com o terror psicológico, usando silêncio, enquadramentos opressivos e uma sensação constante de ameaça invisível.

Segundo a própria cineasta, o filme parte do choque entre expectativa e realidade. A maternidade surge não como resposta, mas como ruptura, um ponto de não retorno onde identidade, corpo e sanidade entram em conflito.

Recepção crítica e circuito internacional

Além da estreia em Berlim, Mother’s Baby passou por festivais como Sitges, Tallinn Black Nights e eventos na Índia e em outros países. A crítica internacional destacou o tom perturbador da obra. O Hollywood Reporter descreveu o filme como envolvente e inquietante, enquanto o Deadline comparou sua atmosfera à de Eraserhead, de David Lynch, pela forma visceral com que aborda a maternidade.

Com fotografia de Robert Oberrainer e trilha sonora assinada por Diego Ramos Rodriguez, o longa constrói um ambiente em que beleza e dor coexistem, sem oferecer respostas fáceis.

Depois de circular por festivais e gerar debates, Mother’s Baby chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de março, convidando o público a encarar o lado menos falado da maternidade, aquele onde o amor esperado dá lugar ao medo e à dúvida.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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