Conhecido internacionalmente como Mascarpone, o italiano Maschile singolare foi lançado em 2021 e entrega uma comédia romântica LGBTQIA+ muito mais sensível do que parece. Entre sexo, relacionamentos e descobertas pessoais, o filme acompanha alguém que precisa reaprender a viver depois de dedicar anos da própria vida a outra pessoa.
Se você assistiu 13 Sentimentos, o clima aqui é bem parecido. O protagonista percebe que acabou virando uma muleta emocional dentro do relacionamento e precisa entender quem ele é fora disso.
Dirigido por Matteo Pilati e Alessandro Guida, Maschile singolare usa o fim de um casamento para falar sobre liberdade, amadurecimento e principalmente desapego.
A história
Antonio, personagem de Giancarlo Commare, acorda numa manhã percebendo que o marido está estranho. Pouco tempo depois, descobre que ele mantém outro relacionamento há mais de um ano e que já não o ama mais. Sem emprego, sem casa e completamente perdido, Antonio percebe da pior forma que passou anos vivendo em função daquele casamento.
Tentando reorganizar a própria vida, ele acaba indo morar com Denis, vivido por Eduardo Valdarnini. Solteiro, desapegado e vivendo sem grandes preocupações, Denis é praticamente o oposto do Antonio. E justamente essa convivência acaba servindo como um empurrão para ele voltar a viver.
Enquanto tenta encontrar um rumo profissional, Antonio acaba descobrindo na confeitaria uma nova paixão, aproximando-se também de Luca, interpretado por Gianmarco Saurino. Entre novas amizades, romances e experiências que antes pareciam distantes da realidade dele, Antonio começa finalmente a recuperar o controle da própria vida.
Vale a pena?
Maschile singolare pode até parecer só mais uma comédia romântica cheia de cenas quentes, mas existe algo muito mais sincero por trás disso. O filme entende que Antonio está tentando recuperar a própria identidade depois de passar anos emocionalmente preso ao ex-marido.
E é justamente por isso que o sexo funciona tão bem dentro da narrativa. Não parece algo gratuito, mas parte desse processo dele voltar a se sentir vivo, desejado e confortável consigo mesmo.
Giancarlo Commare funciona muito bem no papel porque consegue deixar Antonio vulnerável sem transformar o personagem em alguém irritante. Conforme o filme avança, ele vai ganhando confiança, coragem e até certa malícia, o que deixa sua evolução muito interessante de acompanhar.
Mas quem realmente rouba a cena é Eduardo Valdarnini como Denis. Quase toda cena do personagem acaba sendo divertida ou marcante de alguma forma. Já Gianmarco Saurino entrega um Luca mais fechado no começo, mas cheio de pequenas demonstrações de carinho que deixam claro o quanto ele se importa com Antonio.
Outro detalhe interessante é como a confeitaria vira parte importante da reconstrução do protagonista. A receita que dá nome ao filme acaba simbolizando exatamente aquilo que Antonio precisava recuperar, algo que pertence a ele, não ao relacionamento que ficou no passado.
Com personagens carismáticos, diálogos naturais e uma história fácil de gerar identificação, Maschile singolare entrega uma trama divertida, sensual e extremamente humana. É daqueles filmes leves de assistir, mas que conseguem dizer muito sobre dependência emocional, amadurecimento e recomeços.
Lançado originalmente em 2021, Maschile singolare acabou se tornando uma das produções LGBTQIA+ italianas mais comentadas dos últimos anos. Não sendo à toa que o filme acabou ganhando uma continuação em 2024 com Maschile plurale, trazendo respostas a nova vida do Antonio.
Ficha técnica

Nota 4,5 (de 5)
Maschile singolare
Direção: Matteo Pilati e Alessandro Guida
Roteiro: Giuseppe Paternò Raddusa, Matteo Pilati e Alessandro Guida
Elenco: Giancarlo Commare, Eduardo Valdarnini, Gianmarco Saurino, Michela Giraud, Lorenzo Adorni, Barbara Chichiarelli
Fotografia: Michel Franco
Trilha sonora: Umberto Gaudino e Jean Michel Sneider
Duração: 101 minutos
País: Itália
Lançamento: 4 de junho de 2021


