A participação brasileira na gamescom 2026 ganhará uma nova dimensão neste ano. A Abragames, por meio do projeto Brazil Games, levará uma delegação de 78 estúdios e empresas para a Alemanha e, pela primeira vez, contará com o Brazilian Indie Pavilion, espaço dedicado à apresentação de jogos brasileiros diretamente ao público do evento.
A gamescom acontece em Colônia, na Alemanha, entre 26 e 30 de agosto, enquanto a gamescom dev será realizada nos dias 24 e 25. A presença brasileira terá foco tanto em oportunidades de negócios e networking com publishers, investidores e plataformas quanto na divulgação dos desenvolvedores nacionais para o público internacional.
Brazilian Indie Pavilion terá 35 jogos
O novo pavilhão será realizado em parceria com Sebrae-SP, Embratur e Brazil Games Accelerator e funcionará como uma vitrine para a produção independente brasileira. Ao todo, serão 35 jogos apresentados no espaço.
A seleção reúne 14 títulos apoiados pelo Crie Games, 11 finalistas do Prêmio Brasil Tá Pra Game e outros 10 jogos escolhidos pelo Brazil Games Accelerator. Entre os projetos estão produções de diferentes gêneros e propostas, incluindo RPGs, jogos de terror, aventuras narrativas, simuladores e experiências inspiradas na cultura brasileira.
Entre os destaques estão ARIDA 2: Rise of the Brave, da Aoca Game Lab, que leva o sertão brasileiro do século XIX para uma aventura de sobrevivência; Entre as Estrelas, da Split Studio, inspirado na cultura Guarani-Kaiowá; e Língua, de Guilherme Giacomini, ambientado no Nordeste brasileiro.
A seleção também inclui Irmão do Jorel e o Jogo Mais Importante da Galáxia, da Double Dash Studios; Gaucho and The Grassland, da Epopeia Games; A Lenda de Niterói, da Seven Moons; e Lunar Axe, da OPS Game Studio.
Jogos brasileiros levam história e cultura para a gamescom
Parte importante da seleção utiliza elementos da história e da cultura nacional como ponto de partida. Hell Clock, da Rogue Snail/Mad Mushroom, transforma a Guerra de Canudos em um RPG de ação com elementos sobrenaturais, enquanto Hit It Back, da Sue the Real, adapta o Taco Bets, modalidade brasileira de críquete de rua, para uma experiência esportiva.
Já Tupi: The Legend of Arariboia, da Mito Games, aposta em um RPG roguelite tático inspirado em referências como Shin Megami Tensei, Darkest Dungeon e Hades. Aleijadinho Virtual, do Studio KwO, apresenta uma experiência de realidade virtual baseada na vida e obra do artista barroco brasileiro.
O pavilhão também terá espaço para propostas mais experimentais. My Girlfriend is a VAMP, da TinyTank Studio, é uma aventura narrativa que aborda o cotidiano de uma personagem autista, enquanto Only Fog Remains, da Hestios Studios, combina terror, investigação e quebra-cabeças em uma história inspirada na cidade de Paranapiacaba.
Entre as experiências mais leves estão Capybara Hideout, da Raccoons at Work Studios, um simulador de vida focado em capivaras e recuperação ambiental, e Tuned Turtle – A Tartaruga Tunada, da 32 Pixels, aventura de plataforma 2D inspirada em A Lebre e a Tartaruga.
Lunar Axe, Hell Clock e outros premiados estarão no evento
A gamescom também será palco do anúncio do pódio da terceira edição do Prêmio Brasil Tá Pra Game. Os representantes dos quatro jogos premiados viajarão para Colônia e apresentarão seus projetos no Brazilian Indie Pavilion: Lunar Axe, da OPS Game Studio; Hell Clock, da Rogue Snail/Mad Mushroom; Hit It Back, da Sue the Real; e Capote, da Luski Game Studio/CriticalLeap.
A iniciativa reforça o uso dos games como ferramenta para apresentar elementos da cultura e da história brasileira ao mercado internacional. Segundo dados citados pela Abragames, 55% da receita dos estúdios nacionais vem do mercado externo, ultrapassando US$ 138 milhões em negócios globais.
Além dos jogos, missão terá foco em negócios
A presença brasileira não ficará restrita ao pavilhão. A delegação contará com reuniões com empresas internacionais, rodadas de negócios, atividades de networking e encontros institucionais durante a gamescom e a gamescom dev.
O Sebrae-SP também oferecerá curadoria, workshops, mentorias e rodadas de negócios para empresas participantes da missão, com foco na preparação dos estúdios para apresentar seus projetos e estabelecer contatos comerciais durante o evento.
A iniciativa ainda conta com apoio do CreativeSP, do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo, além do Sebrae Nacional e da AdeSampa, ampliando a participação de empresas de diferentes regiões e fortalecendo a presença do ecossistema brasileiro na feira.
Ao todo, a seleção reúne 40 jogos brasileiros entre as diferentes iniciativas ligadas à participação nacional na gamescom 2026. O conjunto apresenta uma indústria que vai de RPGs e terror a simuladores, experiências educacionais e jogos baseados em referências culturais brasileiras, mostrando a diversidade da produção independente do país.


