O Festival do Rio 2026 terá a primeira exibição de A Casa de Dona Carlota, curta-metragem dirigido por Lili Fialho e Bruna Linzmeyer. A produção integra a Competição Oficial do festival e recupera a trajetória de Dona Carlota Rezende, dirigente e treinadora do Primavera Atlético Clube, uma das figuras ligadas ao desenvolvimento do futebol feminino no Brasil antes da proibição da modalidade.
Produzido pela MyMama Entertainment, o filme parte da pesquisa histórica da pesquisadora Aira Bonfim para reconstruir um período pouco conhecido do esporte brasileiro. A estreia também marca o primeiro trabalho de Bruna Linzmeyer como diretora e roteirista.
Futebol feminino antes da proibição
Ambientado no Rio de Janeiro da década de 1940, o curta acompanha Dona Carlota enquanto ela prepara a equipe feminina do Primavera Atlético Clube para uma excursão internacional.
A sede do clube funcionava na própria casa de Carlota, em Pilares, onde as jogadoras treinavam, conviviam e disputavam partidas. O espaço acabou se tornando um ponto de autonomia para mulheres que encontravam no futebol uma possibilidade de trabalho e liberdade em uma época marcada por restrições sociais.
A história ganha contornos mais tensos quando Carlota tenta viabilizar uma viagem internacional para sua equipe. A iniciativa ocorre durante o Estado Novo, período em que o futebol praticado por mulheres enfrentava crescente pressão de setores da sociedade e do poder público.
Em 1941, Carlota foi presa pela Delegacia de Costumes e o Primavera teve sua sede fechada. Pouco depois, um decreto-lei do governo de Getúlio Vargas proibiu às mulheres a prática de esportes considerados incompatíveis com sua natureza. A restrição ao futebol feminino permaneceu por décadas, até a regulamentação da modalidade em 1982.
Ingrid Trigueiro interpreta Dona Carlota. O elenco também reúne Bruna Linzmeyer, Tay O’hana, Luisa Mangini e Diego Pallardo, além da participação especial de Sandra Sá.
Uma história que chega ao cinema antes da Copa de 2027
Para Lili Fialho, recuperar a trajetória de Carlota significa também questionar a forma como a história do futebol brasileiro foi construída.
A diretora destaca que a estreia acontece em um momento simbólico: em 2027, o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina da FIFA pela primeira vez. O filme, portanto, estabelece uma ligação entre as pioneiras que enfrentaram a proibição no século passado e a atual expansão do futebol praticado por mulheres.
“A Casa de Dona Carlota” também representa um novo momento na carreira de Bruna Linzmeyer. A atriz, que há anos desenvolve projetos relacionados ao futebol feminino, estreia na direção e no roteiro justamente com uma história ligada à memória da modalidade.
A produção é resultado de anos de pesquisa de Lili sobre o futebol de mulheres e pretende recuperar personagens que ficaram fora dos registros mais conhecidos do esporte.
Festival do Rio marca primeira exibição
A seleção para o Festival do Rio 2026 inicia a trajetória do curta no circuito de festivais nacionais e internacionais. Depois dessa etapa, a produção tem previsão de chegar a plataformas de streaming em 2027.
Com 15 minutos de duração, o filme combina ficção histórica e pesquisa documental para reconstruir o ambiente em que Carlota e as jogadoras do Primavera desafiaram as convenções de seu tempo.
A Casa de Dona Carlota é uma produção da MyMama Entertainment, com direção e roteiro de Lili Fialho e Bruna Linzmeyer. A classificação indicativa é 10 anos.


