O que aconteceria se os crimes cometidos durante a ditadura militar brasileira continuassem produzindo consequências décadas depois? Essa é a premissa de Projeto Futuro, novo romance de ficção científica e suspense do escritor paulistano Danilo Heitor.
Publicado pela País Nenhum, o livro acompanha Soraia e Leilane, duas amigas que estão concluindo o ensino médio. A investigação começa quando Soraia encontra por acaso um e-mail inacabado de seu pai, Miqueias Nascimento, coordenador de Física Teórica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo.
A mensagem revela a existência de um projeto secreto criado durante o regime militar para realizar experimentos de viagem no tempo utilizando presos políticos como cobaias. Décadas depois, a pesquisa volta a ser conduzida dentro do instituto, agora sob novos interesses e sem preocupação com os limites éticos da experiência.
Duas adolescentes contra uma conspiração científica
Determinadas a descobrir o que está acontecendo, Soraia e Leilane iniciam uma investigação clandestina. Entre os recursos utilizados pelas jovens estão um gravador escondido em um isqueiro, documentos obtidos dentro do IPT e até um drone.
A investigação leva as duas ao Cemitério Dom Bosco, em Perus, na zona norte de São Paulo, local historicamente relacionado à descoberta de uma vala clandestina onde foram encontrados restos mortais de desaparecidos políticos.
É ali que as protagonistas testemunham uma etapa decisiva do experimento: a chamada “reentrada” do primeiro futurizado. Escondidas em um jazigo abandonado, elas tentam transmitir a operação ao vivo, mas uma descarga elétrica atinge a plataforma experimental e transforma a missão em uma fuga.
Ficção científica como ferramenta para falar do passado
Apesar da conspiração e dos elementos de viagem no tempo, Projeto Futuro também dedica espaço à relação entre as duas protagonistas e aos conflitos próprios da adolescência.
A narrativa aborda o luto de Soraia pela morte da mãe, sua relação com o pai e a busca por informações sobre um tio desaparecido durante a ditadura. Os capítulos também são intercalados por diálogos entre um prisioneiro e duas entrevistadoras, cuja importância para a história só fica clara no final.
Inspirado por nomes como Ursula K. Le Guin, Octavia Butler e Ignácio de Loyola Brandão, Danilo Heitor utiliza a ficção científica para discutir o uso político da ciência, os limites éticos do progresso tecnológico e a responsabilidade das instituições diante de violações dos direitos humanos.
A própria trajetória familiar do escritor também está ligada ao tema. Filho de militantes perseguidos durante a ditadura, Heitor dedica o livro à ativista Rosalina Santa Cruz e ao seu irmão, Fernando Santa Cruz, desaparecido político durante o regime.
A escolha das protagonistas também tem relação com sua experiência como professor. Segundo o autor, a curiosidade e o senso crítico de suas alunas foram uma das inspirações para colocar duas adolescentes no centro da história.
Projeto Futuro tem 156 páginas, é publicado pela editora País Nenhum e está disponível em pré-venda.

Projeto Futuro
Autor: Danilo Heitor
Editora: País Nenhum
Gênero: Ficção científica / Young Adult
Páginas: 156
Lançamento: 2026


