O Pokémon GO recebe neste fim de semana um dos desafios mais esperados do modo Batalha Max: a estreia do Pikachu Gigamax, versão gigante do mascote da franquia que chega como batalha de alto nível.
O evento acontece no dia 28 de março, das 14h às 17h, com o Pokémon aparecendo em batalhas de seis estrelas, exigindo coordenação entre jogadores para ser derrotado.
Um desafio pensado para jogo em grupo
Diferente de encontros comuns, o Pikachu Gigamax foi estruturado para incentivar cooperação. O nível elevado da batalha torna praticamente obrigatório o uso de grupos organizados, especialmente para jogadores que buscam eficiência na captura.
Após a vitória, será possível capturar o Pokémon, com chance de encontrar sua versão Brilhante. Essa forma, no entanto, não pode evoluir, mantendo o foco na raridade e no desafio.
Bônus ativos durante o evento
Entre os dias 27 e 28 de março, o jogo libera vantagens que facilitam a preparação para o confronto:
Aumento no limite de coleta de Partículas Max
Pontos de Energia atualizados com maior frequência
8x mais Partículas Max em Pontos de Energia
Até três trocas especiais por dia
No próprio dia 28, há também 2x mais Partículas Max durante a exploração, incentivando a movimentação dos jogadores.
Evento espalhado pelo Brasil
O Pikachu Gigamax estará disponível em todo o país, com comunidades locais organizando encontros para enfrentar o desafio em grupo. A proposta segue o padrão dos grandes eventos do jogo, que dependem da mobilização de jogadores em cada região.
Quando e como participar
Data: 28 de março de 2026
Horário: das 14h às 17h
Modo: Batalha Max (6 estrelas)
Disponibilidade: todo o Brasil
A recomendação é clara: formar grupos e aproveitar a janela curta do evento para maximizar as chances de captura.
Pra quem viveu na década de 1990, quando existia uma guerra de consoles entre Nintendo e SEGA, Rayman surgiu para muitos no PlayStation, sendo frequentemente visto como um “mascote” do console. Ao lado de personagens como Crash Bandicoot, muita gente associava Rayman à marca, enquanto Mario e Sonic dominavam como os grandes rivais da década.
Mas Rayman logo se revelou um personagem que não pertencia a uma única plataforma. Seu jogo não só estava no PlayStation, mas também no Jaguar, MS-DOS, Game Boy Color e até no Game Boy Advance.
Conseguindo reproduzir quase a mesma experiência em todas as plataformas, Rayman é um caso raro de consistência na época, com adaptações que respeitam a essência do jogo original. Isso reforça como o design do jogo já nascia sólido, independente do hardware. No fim, ele se consolidou como um símbolo da Ubisoft.
Giuliano Peccilli
Rayman: 30th Anniversary Edition resgata o personagem trazendo a experiência de jogar suas diferentes versões, além de um documentário com seus criadores. O pacote permite revisitar esses jogos no PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
Talvez fique a dúvida sobre a ausência de uma versão em HD, o que poderia facilitar a entrada de novos jogadores. Ainda assim, a proposta aqui é outra: preservar e apresentar as versões originais como elas foram concebidas, o que acaba sendo um diferencial.
Rayman 1
Giuliano Peccilli
Aqui estamos falando diretamente com quem viveu a época. Meu primeiro contato com o personagem foi no PlayStation, e foi exatamente essa versão que revisitei.
Trazendo um jogo de plataforma com identidade própria, Rayman sempre foi meio “fora da casinha”. Na história, ele precisa resgatar os Electoons e, conforme avança, ganha novas habilidades que ampliam as possibilidades de gameplay. Isso não suaviza o desafio: a dificuldade cresce de forma progressiva e continua sendo um dos pontos mais marcantes do jogo.
As versões de Jaguar e MS-DOS entregam uma experiência muito próxima da original. Cada uma respeita as limitações do seu hardware, mas mantém a estrutura central intacta. Fica mais uma escolha de preferência pessoal ou nostalgia.
Já no Game Boy Color, temos uma versão mais simplificada. Ainda é reconhecível, mas claramente adaptada e original. É o tipo de port que sacrifica complexidade para funcionar, algo comum na época.
Giuliano Peccilli
No Game Boy Advance, lançado em 2001, a adaptação é bem mais fiel. A principal diferença é o “zoom” mais fechado, o que pode até facilitar a leitura do jogo em alguns momentos. No geral, a experiência permanece muito próxima da original de 1995.
Rayman Zero
Giuliano Peccilli
Se tem uma grande surpresa aqui, é a inclusão do protótipo de Super Nintendo Entertainment System.
Essa versão inacabada, que circulava na internet há anos, aparece oficialmente pela primeira vez. É um conteúdo que vai além da curiosidade: mostra um Rayman bem diferente do que conhecemos.
Com menos movimentos e um ritmo mais travado, o personagem parece mais limitado. Visualmente também há diferenças claras. É interessante ver como o jogo ainda estava sendo moldado e como as decisões finais definiram sua identidade.
Documentário
Giuliano Peccilli
O documentário de cerca de 50 minutos, totalmente traduzido em português, ajuda a contextualizar tudo isso.
Ele explica o processo criativo e destaca que Rayman foi inicialmente pensado para Super Nintendo considerando a parceria com a Sony que não aconteceu. O jogo foi transferido para Jaguar, além de receber versões como a do MS-DOS, considerando a relevância dos PCs no mercado europeu naquele momento. Isso muda a forma como a gente enxerga o jogo, que acabou ficando mais associado aos consoles.
Além disso, reforça como Rayman seguia um caminho próprio dentro dos jogos de plataforma. Enquanto outros títulos apostavam em estruturas mais previsíveis, ele investia em um estilo mais excêntrico e menos convencional. Isso ajuda a entender por que o jogo marcou tanta gente.
Vale a pena?
Giuliano Peccilli
Rayman: 30th Anniversary Edition é um pacote que conversa diretamente com quem viveu os anos 90, mas vai além da nostalgia.
Mais do que revisitar o passado, ele funciona como um registro importante de um jogo que ajudou a definir a identidade da Ubisoft. A dificuldade continua ali, intacta, e reforça como o jogo nunca foi fácil.
Com o tempo, Rayman passou por várias mudanças, ganhou continuações, os Rabbids e até participações diferentes, como no universo do Mario. Ainda assim, essa versão original mostra um lado do personagem que já não existe mais.
Jogar essa coletânea é quase como apagar tudo o que veio depois e voltar ao ponto de partida. E funciona justamente porque respeita essas origens.
No meu caso, a versão de Game Boy Advance tem um peso especial. Foi meu primeiro jogo no portátil, e revisitar isso hoje tem um impacto diferente. Mesmo jogando em uma TV grande, a experiência continua funcionando bem. E, claro, em algo como um Switch ou Steam Deck, a sensação fica ainda mais próxima do que era na época.
Todo suporte e localização em português do menu e do documentário, também tornam a experiência ainda melhor. Os jogos não receberam tradução, o que pode incomodar alguns, mas toda a história de criação está em nosso idioma, o que vale nota por aqui.
No fim, a Ubisoft acerta ao trazer Rayman de volta dessa forma. Fica a expectativa de que isso não seja só uma celebração do passado, mas o começo de um novo futuro para o personagem.
Algumas histórias não dependem de grandes reviravoltas para funcionar. Elas se sustentam no clima, no desconforto e na sensação constante de que tem algo errado ali. “Barba Ensopada de Sangue”, adaptado da obra de Daniel Galera, segue exatamente esse caminho.
Com direção de Aly Muritiba, o filme parte de um passado mal resolvido, uma cidade que não quer falar sobre ele e um protagonista que claramente está quebrado. Num desgaste silencioso de quem já perdeu mais do que consegue explicar.
Produzido pela RT Features e pela O2 Play em parceria com o Globoplay, o longa recebeu o selo Original Globoplay. Ao deixar a história se construir aos poucos, o filme confia mais na atmosfera do que em uma narrativa acelerada.
Um herói quebrado
Divulgação
Gabriel (Gabriel Leone) é um professor de educação física que volta para perto do pai já doente. Nesse processo, descobre que muito do que ouviu sobre sua família não era exatamente verdade. Além disso, descobrimos que ele sofre de prosopagnosia, um distúrbio neurológico que o impede de reconhecer rostos.
Após a morte do pai, ele decide ir até Garopaba, no litoral de Santa Catarina, junto de Berta, cadela da família. Ele parte para entender o que aconteceu com seu avô, Gaudério, assassinado anos antes em circunstâncias nunca bem explicadas. O problema é que a cidade não quer revisitar essa história.
Desde a chegada, Gabriel percebe que existe uma rejeição clara. As pessoas evitam falar, desviam, tratam o assunto como algo que deve permanecer enterrado. Gaudério não é lembrado com respeito, mas como alguém que todos preferem esquecer. Mesmo assim, Gabriel insiste em descobrir a história do avô.
Ao reabrir a antiga casa da família, ele passa a viver naquele espaço carregado de memória, tentando montar um quebra-cabeça com peças que ninguém quer entregar. É uma busca que não vem só da curiosidade, mas de uma necessidade quase pessoal de entender de onde veio.
Divulgação
Nesse meio tempo, ele conhece Jasmine (Thainá Duarte), uma guia local que foge desse comportamento hostil da cidade. Ela não trata Gabriel como um problema, nem como uma extensão do avô. Essa diferença faz com que ela se torne uma das poucas conexões reais que ele encontra ali.
Mas, quanto mais Gabriel se aproxima da verdade, mais a cidade reage. Pequenos conflitos começam a surgir, deixando claro que mexer nesse passado não é algo neutro. Existe um limite, e ele está ultrapassando.
Opinião
Divulgação
“Barba Ensopada de Sangue” não é um filme de respostas fáceis, nem de grandes revelações pontuais. É um filme sobre o processo do protagonista que, ao perceber sua semelhança física com o avô, passa a buscar respostas para a própria vida ao investigar o passado da família.
Aly Muritiba constrói tudo com calma, usando o silêncio como ferramenta principal. Muitas vezes, o que pesa não é o que os personagens dizem, mas o que eles evitam dizer.
Garopaba é essencial e funciona quase como um personagem. Os olhares, a forma como os moradores se fecham e o desconforto com a presença de Gabriel contribuem para essa sensação de isolamento. Ele não pertence àquele lugar, e o filme reforça isso o tempo todo.
Gabriel Leone entrega um protagonista diferente do que se espera do seu “bom moço”. Não é alguém de carisma imediato, mas um personagem que insiste, mesmo sem ter controle da situação. Existe uma busca ali, mas também uma tentativa de reconstrução que nunca se resolve completamente. O fato de ele ter dificuldade em reconhecer rostos se torna um elemento importante na relação com Jasmine, especialmente quando ele passa a identificá-la pelo toque, em um momento que marca sua confiança nela.
Thainá Duarte, como Jasmine, entra como um ponto de equilíbrio. Se Gabriel está quebrado, ela traz um respiro de otimismo. Em um ambiente onde quase tudo é resistência, a presença dela é essencial para que ele não desmorone de vez.
Revelando informações aos poucos, o filme não tem pressa em explicar, e nem tudo ganha uma resposta direta. “Barba Ensopada de Sangue” não é sobre descobrir exatamente o que aconteceu, mas sobre o que essa busca provoca. Principalmente sobre insistir em abrir algo que todo mundo já decidiu esquecer. E sobre carregar um peso que não foi criado por você, mas que ainda assim te pertence.
É um filme que trabalha na tensão baixa, no desconforto constante e na sensação de deslocamento. Pode não agradar quem busca algo mais direto, mas, para quem entra no ritmo, entrega uma boa jornada.
Ficha técnica
Nota: 4 (de 5)
Barba Ensopada de Sangue
Brasil | 2026 | 108 min | Drama
Direção: Aly Muritiba Roteiro: Aly Muritiba, Jessica Candal Baseado em: Daniel Galera
Elenco: Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller, Roberto Birindelli, Teca Pereira
Produção: O2Play, RT Features e Globoplay Idioma: Português
Agradecimentos a O2Play pela produção deste conteúdo.
Produção ítalo-francesa, Enzo chega aos cinemas com uma jornada universal pela qual muitos jovens passam durante a adolescência. Dirigido por Robin Campillo, o filme acompanha Enzo, um jovem de 16 anos de classe média alta que abandona a escola, torna-se pedreiro e observa a ascensão do irmão mais velho rumo à faculdade.
Numa mistura de desconstrução e rebeldia, Enzo decide seguir na construção civil mesmo com a resistência da família. Tentando entender o que se passa na cabeça do filho e interpretando como “uma fase”, seus pais veem o jovem esconder sua origem social para se sentir pertencente àquele ambiente.
A premissa é simples e direta: um jovem convicto de suas escolhas, mas que vive preso ao presente imediato, sem projetar o próprio futuro.
Uma jornada por respostas?
A história se passa em La Ciotat, uma comuna francesa na região de Provença-Alpes-Costa Azul. Cercado por casas de luxo, Enzo trabalha como pedreiro aprendiz e divide o dia a dia com refugiados e imigrantes de diferentes partes da Europa, como Vlad (Maksym Slivinskyi) e Miroslav (Vladyslav Holyk), vindos da Ucrânia.
Mesmo sendo repreendido pelo chefe e sofrendo leves provocações dos colegas, Enzo se sente mais à vontade no trabalho do que dentro de casa. Ali, ele é tratado como adulto, distante da constante lembrança de que abandonou a escola.
Enquanto isso, Marion (Élodie Bouchez) e Paolo (Pierfrancesco Favino), seus pais, se preocupam com a ausência de perspectiva do filho. Ao compará-lo com Victor (Nathan Japy), o irmão mais velho que traça um caminho acadêmico, enxergam em Enzo um jovem sem direção.
Paolo, no entanto, não percebe que o filho encontra reconhecimento ao lado de Vlad e Miroslav. Entre encontros, bebidas e tentativas de inseri-lo em um ambiente mais “adulto”, Enzo se sente respeitado.
Isso não impede os pais de tentarem colocá-lo “nos trilhos”, incentivando o retorno aos estudos, ainda que em outra escola. Para amigos e vizinhos, Enzo parece estar amadurecendo, recebendo elogios pelo físico moldado pelo trabalho. Ainda assim, para Marion e Paolo, ele continua sendo um filho que precisa de orientação.
Admiração ou paixão
Vlad convida Enzo para um trabalho no fim de semana, o que gera conflito familiar, já que havia uma viagem planejada. Enzo dorme na casa de Vlad e, durante a noite, ultrapassa um limite ao demonstrar desejo pelo amigo. Vlad recusa e pede que ele pare.
No dia seguinte, o clima entre os dois muda. Vlad deixa claro que não compartilha dos mesmos sentimentos, criando um distanciamento que afeta diretamente Enzo.
Ao voltar para casa, Enzo chega durante uma festa em comemoração à aprovação de Victor na faculdade. A tensão explode, culminando em um confronto com o pai. Em meio à confusão, Enzo afirma que Vlad seria seu namorado, algo que depois se revela como uma interpretação equivocada de seus próprios sentimentos. Marion tenta acolhê-lo.
De volta ao trabalho, Enzo descobre que Vlad e Miroslav estão deixando o emprego para lutar na Ucrânia. A relação entre eles se torna mais fria, ainda que Vlad tente manter alguma amizade.
Vale a pena?
Enzo constrói uma narrativa com forte potencial de identificação. O retrato do jovem que rejeita o caminho esperado pelos pais é clássico, mas funciona dentro da proposta.
A dinâmica com Vlad vai além da amizade. Existe ali uma busca por validação e pertencimento, especialmente por parte de Enzo, que vê no Vlad numa referência de maturidade. O conflito emocional, no entanto, aposta na ambiguidade entre admiração e desejo por parte do Enzo. Essa indefinição parece intencional, mas a falta de uma profundidade necessária, deixa a sensação de algo inacabado.
Já a decisão de Vlad de retornar à Ucrânia surge de forma abrupta. Considerando o discurso do personagem, a mudança enfraquece a construção dele como fosse uma fuga do próprio.
Eloy Pohu entrega um protagonista convincente, sustentando bem a confusão emocional e a tentativa de afirmar sua própria identidade fora da sombra dos pais.
Com ritmo mais contemplativo, o filme se apoia na observação e nos silêncios dos personagens. Em alguns momentos, isso reforça a proposta e em outros, reduz o impacto dramático.
No fim, Enzo funciona mais pela identificação da fase do protagonista e mostra um jovem em conflito com o mundo e consigo mesmo, lidando com escolhas impulsivas e sentimentos que ainda não compreende totalmente.
Sem respostas fáceis, o filme reforça uma ideia simples de que crescer nunca foi fácil.
Ficha Técnica
Nota: 4 (de 5)
Enzo (2025)
País: França Ano: 2025 Duração: 102 minutos Gênero: Drama Classificação indicativa: 16 anos
Título original:Enzo
Direção: Robin Campillo Roteiro: Robin Campillo, Laurent Cantet, Gilles Marchand
Finalmente temos uma data e agora a chegada de Long Vacation ao catálogo da Netflix está marcada para 19 de abril. Não sendo apenas mais um resgate da plataforma, Long Vacation é a volta de um dos títulos que ajudaram a definir o que o público passou a entender como “j-drama” nos anos 90.
Exibida originalmente em 1996 pela Fuji TV, a série ocupava o espaço mais valorizado da televisão japonesa, o getsuku, faixa das segundas às 21h que concentrava produções com alto investimento, elencos populares e forte apelo romântico. Estar ali já era sinal de relevância. Virar fenômeno, como foi o caso, era outro nível.
O drama que transformou carreira em fenômeno
O impacto da série passa diretamente por Takuya Kimura, que consolidou aqui sua imagem como protagonista absoluto da TV japonesa, ainda em paralelo com sua atuação no SMAP. A produção também elevou Tomoko Yamaguchi ao centro da cultura pop da época.
Esse momento ajudou a consolidar o modelo que dominaria o getsuku por anos: romances urbanos, personagens imperfeitos e uma estética que equilibrava glamour e cotidiano.
Romance, frustração e um Japão em crise
A história acompanha Sena, pianista talentoso preso em trabalhos temporários, e Minami, ex-modelo abandonada no dia do casamento. O encontro entre os dois acontece em um Japão ainda marcado pelo impacto do colapso econômico, onde estabilidade deixou de ser regra.
A série não constrói romance a partir de idealização. Trabalha com insegurança, comparação constante e a sensação de estar atrasado em relação à própria vida. O vínculo entre os personagens surge mais como apoio do que como fantasia, o que dá ao drama um tom mais próximo e menos artificial.
Ayrton Senna, cultura pop e um detalhe que virou símbolo
Senna -O Brasileiro O Heroi O Campeao
Um dos elementos mais curiosos está no próprio nome do protagonista. Sena inevitavelmente remete a Ayrton Senna, extremamente popular no Japão nos anos 90. A série reconhece isso em cena, quando Minami o chama diretamente pelo nome do piloto.
O detalhe pode parecer pequeno, mas ajuda a situar a obra dentro de um momento cultural específico, em que referências globais já atravessavam o entretenimento japonês.
La La La Love Song e a força de uma abertura
A trilha sonora se tornou parte essencial do legado da série. “La La La Love Song”, de Toshinobu Kubota, ultrapassou o status de tema de abertura e virou um dos maiores sucessos da música pop japonesa.
A música segue sendo reinterpretada até hoje, o que reforça o alcance da série para além da TV.
Da televisão ao streaming
A presença de Long Vacation na Netflix reforça um movimento recente de recuperação de clássicos do j-drama. Ao lado de títulos como Beautiful Life e Good Luck!!, a plataforma começa a construir uma linha que cobre diferentes fases da carreira do ator.
O que mantém Long Vacation atual não é nostalgia. É a base da história. Insegurança profissional, sensação de estagnação e necessidade de conexão continuam sendo temas centrais hoje.
A Netflix adiciona ao catálogo em 12 de abril Love Generation, um dos dramas mais representativos do auge dos romances japoneses dos anos 90. Exibida originalmente em 1997 pela Fuji TV, a série foi parte central do getsuku, a faixa mais prestigiada da televisão japonesa.
Com audiência média acima dos 30%, o drama consolidou o modelo que dominou a época: romance urbano, conflitos cotidianos e protagonistas com falhas claras, mas carisma suficiente para sustentar a narrativa.
Kimura e Matsu
No centro da história estão Takuya Kimura e Takako Matsu, em uma parceria que se tornaria recorrente e marcante dentro do gênero.
Kimura interpreta Teppei, um designer talentoso, mas instável, que acaba sendo forçado a mudar de departamento após problemas de comportamento. Já Matsu vive Riko, uma funcionária que busca independência em Tóquio e que, inicialmente, entra em conflito direto com ele.
A dinâmica entre os dois segue o padrão clássico do gênero, mas com execução precisa. Começa no atrito, evolui para aproximação e se complica à medida que sentimentos mal resolvidos entram em cena.
Amor, trabalho e um triângulo que nunca se resolve fácil
O ponto central da narrativa está no equilíbrio entre vida profissional e emocional. Teppei precisa se adaptar a um ambiente que despreza, enquanto Riko tenta afirmar sua autonomia. O relacionamento cresce nesse espaço de tensão.
A situação se complica com o retorno de Sanae, ex-namorada de Teppei, agora noiva de seu próprio irmão. A partir daí, o drama assume de vez a estrutura de triângulo amoroso, reforçando a ideia que a própria série repete: relações nunca seguem um caminho direto.
Símbolos, frases e identidade visual dos anos 90
Um dos elementos mais lembrados da série é a maçã de cristal presente no apartamento de Teppei. O objeto funciona como símbolo recorrente, associado tanto à fragilidade quanto à inversão de perspectiva, já que a imagem refletida aparece distorcida durante quase toda a trama.
Outro ponto marcante é o slogan “True love never runs smooth”, variação de Shakespeare que aparece ao longo da série e define bem o tom da história: relações que avançam sempre com algum tipo de obstáculo.
Trilha sonora e o padrão getsuku
A música também tem papel importante. “Shiawase na Ketsumatsu”, de Eiichi Ohtaki, virou uma das aberturas mais reconhecidas do período, reforçando a identidade do drama dentro do getsuku.
A produção segue o padrão técnico da faixa: direção limpa, foco em diálogos e construção gradual de tensão emocional, sem depender de grandes eventos externos.
Disponibilidade
Love Generation chega ao catálogo da Netflix no dia 12 de abril de 2026, integrando a nova leva de clássicos dos j-dramas disponibilizados pela plataforma.
Agora em março, o serviço Filmelier Plus trouxe quatro produções do diretor japonês Mamoru Hosoda. Considerado por muitos um sucessor espiritual do Studio Ghibli na forma de contar histórias, Hosoda, junto ao Studio Chizu, apresenta uma animação que envolve viagens no tempo dentro de um ambiente cotidiano: o de uma família japonesa.
Trabalhando emoções em uma jornada de descobertas, conhecemos uma família que poderia ser a de qualquer vizinho. Kun, de 4 anos, e sua irmã recém-nascida, Mirai, enfrentam os desafios da infância enquanto são criados pelo pai, já que a mãe está retornando ao mercado de trabalho.
Quem já conhece os trabalhos do diretor reconhece o carisma de seus personagens, que brilham em cena enquanto a narrativa se constrói de forma mais sutil ao fundo. Aqui não é diferente.
Uma história sobre família
A trama não perde tempo em se estabelecer, mostrando o ciúme de Kun pela chegada da irmã, enquanto os pais se desdobram para cuidar da casa, dos filhos e do cachorro, em meio a conversas sobre família e legado.
Sem compreender o próprio sentimento, Kun reage à perda de atenção com irritação. Ele tenta interagir com a irmã, mas é constantemente orientado a manter distância, já que ela ainda é muito pequena pra brincadeiras tão violentas.
No jardim de casa, Kun encontra uma versão humana de seu cachorro, Yukko, que relembra como também perdeu espaço na família quando o menino nasceu. A partir daí, misturando imaginação e frustração, Kun passa a agir como o animal, criando confusão pela casa.
Pouco depois, ele conhece uma misteriosa adolescente que se apresenta como sua irmã vinda do futuro. Mesmo sem entender completamente a situação, os dois desenvolvem uma relação curiosa, enquanto ela tenta compreender o por quê Kun a rejeita tanto.
Kun então percebe que o jardim pode levá-lo a encontros com pessoas do passado ou do futuro. Em uma dessas experiências, ao cair na água, ele desperta em um Japão diferente e conhece uma garota que tenta ensaiar o choro para escrever uma carta à avó pedindo um gato. Sem perceber, ele está com sua própria mãe na infância. Os dois causam confusão na casa até que Kun retorna ao presente.
A confirmação vem depois, quando a mãe menciona o desejo que tinha, quando criança, de ter um gato. Sendo apenas uma das dicas que a animação apresenta, confirmando quem são os personagens pelo tempo.
Em outra viagem, Kun vai ainda mais longe no tempo e conhece seu bisavô, um homem que mancava após ter seu barco atacado durante a guerra. Em um encontro cheio de simbolismo, ele cria um vínculo com bisavô que havia falecido recentemente.
Mas quais são as consequências dessas viagens? Mirai, vinda do futuro, continua tentando entender o comportamento do irmão. Será que ela conseguirá mudar a forma como ele a enxerga?
O significado está nas pequenas coisas
A narrativa acompanha o cotidiano de Kun entre essas experiências, mostrando seu crescimento enquanto aprende a andar de bicicleta sem rodinhas e tenta se relacionar com outras crianças.
Hosoda equilibra bem esses dois mundos. As viagens no tempo funcionam como extensão emocional do protagonista, ajudando-o a entender seu papel como irmão mais velho e a enxergar a família de forma menos egoísta.
O filme acerta ao construir esse amadurecimento de forma gradual. Kun, mesmo muito jovem, começa a perceber que sua visão não é única, tornando-se menos mimado e mais aberto à convivência com a irmã.
Por outro lado, a escolha de manter tudo sob o ponto de vista dele pode tornar a narrativa repetitiva em alguns momentos. Seu temperamento difícil é parte essencial da proposta, mas pode afastar parte do público.
Vale a pena?
Com uma história simples e personagens cativantes, Mirai entrega exatamente o que se espera de uma grande animação japonesa. A comparação com o Studio Ghibli faz sentido, especialmente pela sensibilidade na forma de abordar relações familiares.
Mesmo com Kun sendo um protagonista desafiador, os personagens ao seu redor adicionam camadas e carisma suficientes para sustentar a narrativa.
A Mirai do futuro é um dos grandes destaques. Além de funcionar como elo narrativo, ela ajuda a dar sentido às viagens no tempo, especialmente quando apresenta a árvore genealógica da família, conectando eventos que antes estavam apenas sugeridos em segundo plano. Por isso, é um filme que exige atenção aos detalhes.
Vale a curiosidade que o título original, Mirai no Mirai, pode ser traduzido como “Mirai do Futuro”. A adaptação internacional optou por simplificar o nome sem o trocadilho, o que altera o “spoiler” do título e a percepção da obra.
O lançamento conta com dublagem brasileira inédita produzida pela Cloudubbing, com Miguel Carmo como Kun e Tininha Godoy como Mirai, distribuída pela Synapse Distribution.
No Japão, Mirai contou com um elenco de peso. O pai da família foi interpretado por Gen Hoshino, cantor e ator bastante popular por lá, enquanto a mãe ganhou voz da atriz Kumiko Asō, conhecida por diversos trabalhos no cinema e na televisão.
O avô foi interpretado por Kōji Yakusho, nome reconhecido internacionalmente por filmes como Dias Perfeitos, enquanto o bisavô teve a voz de Masaharu Fukuyama, um dos artistas mais populares do J-pop.
Com um elenco desse nível, fica mais fácil entender o impacto de Mirai no Japão. A animação também ganhou destaque internacional ao ser indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro em 2019, tornando-se a primeira produção japonesa fora do Studio Ghibli a alcançar esse reconhecimento, além de ser a primeira animação japonesa a estrear no Festival de Cannes.
Mesmo que pareça simples à primeira vista, o filme conquista aos poucos, com uma narrativa sensível, cheia de pequenos detalhes e personagens que convidam o espectador a conhecê-los melhor. Seja dublado ou legendado, é uma experiência que tende a aproximar o público da filmografia de Mamoru Hosoda.
Ficha técnica
Nota: 4,5 (de 5)
Mirai
Título original:Mirai no Mirai (未来のミライ)
Direção e roteiro: Mamoru Hosoda
Elenco: Moka Kamishiraishi, Haru Kuroki, Gen Hoshino, Kumiko Asō, Kōji Yakusho, Masaharu Fukuyama
A reta mais intensa de Solo Leveling chega ao Brasil com o volume 12, colocando Sung Jin-Woo diante de um cenário que foge do padrão de evolução que marcou a série até aqui.
Publicado pela Panini Comics, o volume adapta um dos momentos mais críticos da obra de Chugong, com arte de Dubu (Redice Studio), em que o protagonista enfrenta diretamente os Monarcas, entidades que operam em um nível de poder acima do que ele já havia enfrentado.
A diferença aqui é clara. Não se trata apenas de vencer uma batalha mais difícil, mas de lidar com adversários que colocam em dúvida o próprio limite do personagem. Pela primeira vez, a narrativa trabalha com a possibilidade real de derrota, quebrando a progressão constante de ascensão que definia Jin-Woo.
Esse ponto abre espaço para outro movimento importante: a exploração da origem de seus poderes. Enquanto o combate se intensifica, a história começa a revelar camadas mais profundas do papel do Monarca das Sombras, deslocando o foco da ação pura para uma dimensão mais mitológica.
A presença de uma figura do passado, que retorna para proteger o corpo do protagonista em um momento crítico, reforça essa virada. A narrativa amplia seu escopo, conectando o presente do conflito com eventos e relações anteriores, dando mais peso ao que está em jogo.
O volume reúne cerca de 304 páginas em formato tankobon, com acabamento em capa cartão. O preço sugerido é R$ 78,90, com lançamento previsto para maio de 2026 e envio na segunda quinzena.
Ficha técnica
Título: Solo Leveling Vol. 12 Editora: Panini Comics Publicação original: D&C Media / KakaoPage História: Chugong Arte: Dubu (Redice Studio) Formato: Tankobon Páginas: 304 Acabamento: Capa cartão Classificação indicativa: 16 anos Preço: R$ 78,90 Lançamento: Maio de 2026 Status:Pré-venda
A continuação de Vampire Knight segue avançando no Brasil com o volume 9 de Vampire Knight Memories, aprofundando o pós-conflito entre humanos e vampiros e mudando o foco da ação para decisões políticas e emocionais.
Publicada pela Panini Comics, a obra de Matsuri Hino parte de um cenário em que o principal agente do caos desaparece, abrindo espaço para uma aparente estabilização. Mas a paz apresentada é frágil e construída sobre concessões.
Nesse contexto, Ai assume um papel central ao optar por um casamento político como forma de manter o equilíbrio entre as partes. A escolha não surge como solução ideal, mas como necessidade, reforçando o tom mais maduro da série nessa fase.
Ao mesmo tempo, o retorno de Kaname reposiciona o eixo emocional da narrativa. Ao entrar em contato com a história de Ai e Ren, ele passa a agir movido por um desejo que estava suspenso, reacendendo conflitos internos e afetivos que a trama vinha segurando.
O volume trabalha com esse contraste entre estabilidade externa e tensão interna. Enquanto o mundo parece caminhar para a paz, os personagens lidam com escolhas que mantêm o equilíbrio, mas cobram um custo pessoal claro.
A edição brasileira chega em formato tankobon, com 160 páginas e capa cartão. O preço sugerido é R$ 43,90, com lançamento previsto para maio de 2026 e envio na segunda quinzena.
A edição brasileira de X avança para um ponto mais decisivo com o volume 10, consolidando as duas forças centrais da narrativa e preparando o terreno para o conflito direto. A obra do grupo CLAMP mantém o tom apocalíptico, mas passa a operar com menos preparação e mais movimentação.
Sob a liderança de Kamui, os Sete Selos finalmente se reúnem, estabelecendo uma estrutura mais definida para o lado que busca preservar o mundo. O deslocamento até o prédio da Dieta Nacional para encontrar Hinoto reforça esse movimento estratégico, trazendo a ação para um espaço simbólico de poder.
Ao mesmo tempo, os Sete Anjos começam a se posicionar, ocupando o mesmo cenário e deixando claro que o confronto deixou de ser inevitável para se tornar iminente. A narrativa trabalha com essa aproximação gradual, cruzando personagens e preparando os embates que sustentam o arco final.
O volume mantém as características centrais da obra, com múltiplos personagens, conflitos paralelos e uma construção que mistura destino, escolha e destruição em larga escala. A sensação predominante é de convergência, com todas as peças finalmente no mesmo tabuleiro.
A edição chega ao Brasil pela Panini Comics em formato tankobon, com 188 páginas, capa cartão e brinde de postal. O lançamento está previsto para maio de 2026, com envio na segunda quinzena.
Ficha técnica
Título: X Vol. 10 Editora: Panini Comics Publicação original: Kadokawa Shoten Autoria: CLAMP Formato: Tankobon Páginas: 188 Acabamento: Capa cartão Extras: Postal Classificação indicativa: 16 anos Preço: R$ 49,90 Lançamento: Maio de 2026 Status:Pré-venda
A fase atual de Asadora! continua avançando no Brasil com o volume 5, e o movimento aqui é claro: sair da observação e entrar no confronto direto. A obra de Naoki Urasawa mantém o ritmo controlado, mas começa a pressionar mais seus personagens diante da ameaça que vinha sendo construída desde os volumes anteriores.
Asa Asada e Nakaido assumem uma postura mais ativa ao se aproximarem da criatura, tentando entender seus padrões e identificar alguma fraqueza a partir das anotações deixadas pelo mentor do pesquisador. A investigação ainda é parte central, mas agora acontece sob risco imediato.
O ponto de virada está na mudança de comportamento do monstro. O que antes orbitava o mar passa a avançar em direção à terra firme, alterando completamente a escala do problema. A ameaça deixa de ser distante e passa a exigir resposta direta, o que coloca pressão tanto nos personagens quanto na estrutura da narrativa.
Urasawa mantém a proposta híbrida da obra, misturando drama pessoal, contexto histórico e elementos de ficção científica, mas este volume reforça mais o lado de tensão e urgência. A construção segue gradual, sem recorrer a explosões constantes, mas com uma sensação crescente de que o confronto maior está cada vez mais próximo.
A edição brasileira chega pela Panini Comics em formato tankobon, com 184 páginas, capa cartão e preço sugerido de R$ 49,90. O lançamento está previsto para maio de 2026, com envio na segunda quinzena.
A nova fase de One Piece avança no Brasil com o volume 113, que desloca a história de Egghead para um dos cenários mais aguardados da série. Após os eventos recentes, Monkey D. Luffy e sua tripulação chegam a Elbaf, território dos gigantes, abrindo espaço para um arco que mistura exploração e conflito político.
O início ainda carrega um tom de descoberta, com o reencontro com Saul e a curiosidade natural da tripulação diante de um lugar pouco explorado até aqui. Esse clima, no entanto, dura pouco. A narrativa rapidamente introduz um novo eixo de tensão ao apresentar Loki, um gigante acorrentado no chamado Mundo Inferior, cuja história já carrega implicações para o passado e o poder dentro da ilha.
A entrada dos Cavaleiros Divinos muda o cenário de forma mais direta. A tentativa de recrutar Loki falha, e a resposta vem na forma de controle forçado sobre Elbaf, com o objetivo de transformar os gigantes em um recurso militar do Governo Mundial. A escala do conflito cresce rápido, especialmente quando a ação passa a atingir civis, com o sequestro de crianças como ponto de virada.
Esse movimento reposiciona o arco. O que começa como exploração se transforma em confronto, com os gigantes sendo forçados a reagir e a tripulação inevitavelmente envolvida nesse processo. A estrutura segue o padrão da série, mas com elementos que apontam para consequências maiores dentro do mundo.
O volume 113 tem cerca de 200 páginas, formato tankobon e chega ao Brasil pela Panini Comics, com preço sugerido de R$ 41,90. O lançamento está previsto para maio de 2026, com envio na segunda quinzena.
Ficha técnica
Título: One Piece Vol. 113 Editora: Panini Comics Publicação original: Shueisha Autor: Eiichiro Oda Formato: Tankobon Páginas: 200 Acabamento: Capa cartão Classificação indicativa: 12 anos Preço: R$ 41,90 Lançamento: Maio de 2026 Status:Pré-venda