Brasília ganha uma nova dimensão em “Mapas”, primeiro longa-metragem de Rafael Lobo. Selecionado para a Mostra Brasília do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o filme transforma a própria capital federal em parte da narrativa ao combinar investigação, memória e horror.
Na história, Júlia (Beta Rangel) e Sérgio (Caique Copque) procuram Rebeca, uma cicloativista desaparecida. A busca leva os dois por diferentes regiões da cidade, incluindo o Lago Paranoá, as Ruínas da UnB e a área onde existiu a Vila Amaury, antigo assentamento de trabalhadores da construção de Brasília posteriormente submerso pelas águas do lago.
É nesse percurso que o filme usa o gênero do horror para revisitar histórias que ficaram escondidas sob a imagem monumental da capital. Em vez de tratar Brasília apenas como cenário, “Mapas” transforma seus espaços e suas memórias em elementos da própria investigação.
Horror encontra a história de Brasília
A investigação conduzida pelos protagonistas também incorpora imagens de arquivo de filmes do cineasta Vladimir Carvalho. Os registros participam da narrativa e, ao mesmo tempo, funcionam como uma homenagem à trajetória do diretor e ao cinema produzido sobre a capital.
A presença desses arquivos reforça uma das propostas do longa: olhar para Brasília além de seus cartões-postais e recuperar histórias associadas à construção e às transformações da cidade.
O resultado é uma narrativa que combina drama, fantasia e horror para explorar memórias soterradas — algumas literalmente — pelo processo de formação da capital.
Produção reúne profissionais do Distrito Federal
Realizado majoritariamente por profissionais ligados ao audiovisual do Distrito Federal, “Mapas” marca a estreia de Rafael Lobo na direção de longas-metragens. O cineasta é graduado em Audiovisual e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e já havia dirigido curtas como Bartleby e Xarpi, além do documentário Luis Humberto: O Olhar Possível, codirigido com Mariana Costa.
Lobo também assina o roteiro de “Mapas” ao lado de Lucas Gehre e divide a montagem com Tainá Menezes.
A equipe mantém parcerias de trabalhos anteriores do diretor. Emília Silberstein, por exemplo, assina a direção de fotografia e venceu o prêmio de Melhor Fotografia no Cine PE pelo longa. Já Olivia Hernández ficou responsável pelo som direto, desenho e edição de som, trabalho que também lhe rendeu uma premiação no festival.
A produção é da Machado Filmes, em coprodução com Tao Luz e Movimento e Levante Filmes.
Filme estreia em circuito de festivais
“Mapas” teve sua estreia nacional no Cine PE, onde recebeu cinco prêmios, incluindo reconhecimentos para fotografia, montagem, edição de som, atuação e Júri Popular. O longa também foi selecionado para o 30º FAM – Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul.
Agora, o filme chega à Mostra Brasília do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, reforçando a presença de uma produção local dentro de um dos principais eventos dedicados ao cinema nacional.
Ficha técnica
Mapas (Brasil, 2026)
Direção: Rafael Lobo
Roteiro: Lucas Gehre e Rafael Lobo
Produção: Alisson Machado
Fotografia: Emília Silberstein
Direção de arte: Lucas Gehre e Nadine Diel
Montagem: Rafael Lobo e Tainá Menezes
Som: Olivia Hernández
Mixagem: Micael Guimarães
Produção: Machado Filmes
Coprodução: Tao Luz e Movimento e Levante Filmes
Gênero: Drama/Horror
Duração: 115 minutos


