A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP) recebeu, na terça-feira (25), a Salva de Prata, uma das principais honrarias da Câmara Municipal de São Paulo. A homenagem reconhece os 30 anos de atuação da organização na defesa dos direitos da população LGBT+ e acontece enquanto um projeto em tramitação na própria Câmara pode afetar manifestações LGBT+ em espaços públicos da cidade.
A cerimônia foi realizada no Salão Nobre da Câmara e teve a presença de representantes do poder público, ativistas e integrantes do movimento LGBT+. A honraria foi recebida por Nelson Matias, presidente da APOLGBT-SP.
O reconhecimento ocorre poucos meses depois de a Câmara aprovar, em primeiro turno, o PL 50/2025, que prevê restrições a manifestações LGBT+ nas ruas, à presença de crianças e adolescentes nesses espaços e ao que o texto classifica como conteúdo impróprio. O projeto ainda não foi aprovado definitivamente.
Homenagem em meio à disputa pelo espaço público
A coincidência entre os dois acontecimentos foi destacada por Nelson Matias durante a cerimônia. Para o presidente da APOLGBT-SP, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória construída justamente a partir da ocupação dos espaços públicos.
“A Parada SP nasceu ocupando o espaço público porque a visibilidade também é cidadania.”
A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo é realizada na Avenida Paulista desde 1997 e completa três décadas de história em 2026. Ao longo desse período, a manifestação se consolidou como uma das principais mobilizações LGBT+ do país.
A APOLGBT-SP, fundada em 1999, é responsável pela organização do evento e também atua em iniciativas relacionadas à defesa dos direitos humanos, combate à LGBTfobia e promoção da cidadania da população LGBT+.
Ativistas históricos também foram homenageados
A cerimônia também reconheceu pessoas que participaram da construção da Parada SP ao longo de sua história. Entre os homenageados estavam Roberto de Jesus, Paulo Giacomini, Regina Facchini e Silvetty Montilla.
Representantes das Paradas do interior de São Paulo também receberam homenagens, em reconhecimento ao trabalho realizado por organizações LGBT+ em diferentes municípios do estado.
A Salva de Prata foi proposta originalmente pela então vereadora Adriana Ramalho. A entrega ocorreu oito anos depois, com apoio do vereador Marcelo Messias, representado na solenidade por Rita de Cassia Fernanda da Silva.
A cerimônia teve ainda a participação de representantes das secretarias municipal e estadual ligadas às políticas de diversidade, além de integrantes da própria APOLGBT-SP e apoiadores históricos da Parada.
30 anos de Parada do Orgulho LGBT+
Criada em 1997, a Parada SP transformou a Avenida Paulista em um dos principais símbolos da mobilização LGBT+ no Brasil. A organização afirma que o movimento cresceu a partir da participação de voluntários e posteriormente deu origem à associação responsável pela realização do evento.
Em 2026, a Parada completa 30 anos, período marcado pela ampliação de sua atuação para além do evento anual e pela realização de outras iniciativas voltadas à população LGBT+.
Agora, a homenagem concedida pela Câmara acontece em paralelo à discussão sobre os limites da presença dessas manifestações no espaço público paulistano, colocando novamente a relação entre direito à cidade, visibilidade LGBT+ e liberdade de expressão no centro do debate.


