O mercado de assinaturas continua avançando no Brasil, mas o modelo de pagamento recorrente já vai muito além dos serviços de entretenimento. Uma pesquisa da Vindi em parceria com a Opinion Box mostra que 51% dos brasileiros esperam aumentar seus gastos com assinaturas nos próximos cinco anos.
O percentual vem crescendo. Em 2025, eram 48% dos entrevistados com essa expectativa, enquanto em 2024 a parcela era de 46%. Para os próximos 12 meses, entretanto, o cenário é mais conservador: 62% acreditam que manterão os gastos estáveis, enquanto 22% esperam gastar mais.
O levantamento também mostra que novas categorias estão entrando nesse mercado. O consumo de serviços relacionados a inteligência artificial aparece para 34% dos entrevistados, enquanto assinaturas de nuvem chegam a 43%. Alimentação representa 42% e serviços para pets, 23%.
Streaming ainda domina, mas assinaturas se espalham pela rotina
O entretenimento continua sendo uma das principais portas de entrada para o modelo. 79% dos consumidores utilizam serviços digitais de vídeo, enquanto 55% possuem assinaturas de música e podcasts e 33% recorrem a cursos online.
Ao mesmo tempo, serviços considerados essenciais já fazem parte da rotina de grande parte dos brasileiros. 87% dos entrevistados possuem algum pagamento recorrente nessa categoria. Internet aparece em 77% dos casos, seguida por energia elétrica (74%), celular pós-pago (64%) e água (62%).
Serviços relacionados a atividade física, como academias, natação, pilates, personal trainer e Gympass, também aparecem entre as assinaturas, com 44% de adesão.
O resultado indica uma mudança no papel das assinaturas: elas deixam de estar associadas principalmente ao acesso a conteúdo e passam a representar também conveniência e serviços utilizados no cotidiano.
Consumidor está mais atento ao preço
O crescimento do mercado não significa que os consumidores estejam menos criteriosos. A pesquisa aponta que preço e qualidade estão entre os principais fatores considerados na decisão de manter ou cancelar uma assinatura.
Nos últimos 12 meses, 47% afirmaram que seus gastos permaneceram estáveis, enquanto 35% disseram ter aumentado o valor destinado a assinaturas. Outros 18% reduziram os gastos.
O orçamento mensal também mostra uma concentração maior em faixas de valor mais elevadas. 29% gastam entre R$ 51 e R$ 100 por mês, enquanto outros 29% desembolsam entre R$ 101 e R$ 200. A faixa de R$ 201 a R$ 500 reúne 17% dos consumidores.
Em contrapartida, caiu a parcela daqueles que gastam entre R$ 11 e R$ 50 mensais: de 27% em 2024 para 19% em 2026.
Cartão continua à frente do Pix
Apesar do avanço de novas formas de pagamento, o cartão de crédito continua sendo o principal meio utilizado nas assinaturas, escolhido por 65% dos consumidores.
O Pix aparece em segundo lugar, com 16%. O índice representa uma alta em relação a 2025, quando era utilizado por 13%, mas ainda mantém uma distância considerável do cartão.
A pesquisa também registra o uso de débito em conta corrente (9%), boleto bancário (5%), carteiras digitais (3%) e cartões de loja (2%).
A expansão do Pix Automático, que permite autorizar previamente cobranças recorrentes, pode alterar esse cenário ao reduzir a necessidade de novas ações do consumidor a cada ciclo de pagamento.
IA e serviços especializados ampliam o mercado
A presença da inteligência artificial entre as categorias de assinatura mostra como o modelo acompanha a incorporação de novas tecnologias ao cotidiano. Ferramentas de IA passam a disputar espaço com serviços que já possuem modelos consolidados de recorrência, especialmente nas áreas de produtividade e trabalho.
O mesmo movimento aparece em categorias como nuvem, alimentação e serviços para pets, indicando que o mercado brasileiro de assinaturas está se tornando mais diversificado.
O Relatório Assinaturas 2026, realizado pela Vindi e pela Opinion Box, ouviu 1.040 pessoas pela internet entre junho e julho de 2026. A pesquisa contemplou todas as regiões do país e possui margem de erro de três pontos percentuais.
Fonte: Vindi/Opinion Box.


