O ponto de partida do filme é simples e perturbador: durante uma ressonância magnética, Rosa recebe a instrução de evocar uma lembrança feliz. Ela não consegue. O que vem depois é uma viagem pelo subconsciente em que ela reconstrói um episódio que nunca viveu, uma travessia ao lado de Dalva, sua mãe irreverente que passou anos presa por matar um homem que estava prestes a cometer feminicídio. A música “Sangue Latino”, na voz de Ney Matogrosso, embala tudo isso como um mantra.
Verônica Cavalcanti e Luciana Souza protagonizam o filme, e a crítica especializada já destacou Souza como um acontecimento à parte. O Cinema com Crítica descreveu o longa como um processo de cura, enquanto o Meio Amargo o definiu como raro dentro do cinema brasileiro contemporâneo: um road movie leve, fluido, que consegue tratar trauma sem peso excessivo.
Da Berlinale para Curitiba
O filme estreou mundialmente na 76ª Berlinale, na seção Forum, onde levou o Tagesspiegel Readers Jury Award, prêmio do júri popular do festival. Agora entra na Competição Brasileira do 15º Olhar de Cinema, em Curitiba, com sessões nos dias 12 de junho às 21h no MON Poty Lazzarotto e 13 de junho às 14h50 no Cine Passeio Ritz.
Para a diretora Janaína Marques, formada em direção pela EICTV em Cuba e com curtas exibidos em Cannes, Clermont-Ferrand e San Sebastián, este é o primeiro longa e a chegada ao público brasileiro tem um peso específico. “Estou muito curiosa para saber como o público brasileiro vai receber a história de Rosa e Dalva”, disse ela.
Quando chega para todo mundo
Depois do circuito de festivais, “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” estreia comercialmente em setembro de 2026 nos cinemas brasileiros, com distribuição da Moçambique Audiovisual.


