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Chieko Aoki defende tecnologia sem perder o lado humano na hotelaria

Presidente da Blue Tree Hotels participou do Encatho & Exprotel e discutiu como inteligência artificial e automação podem transformar a operação sem substituir a hospitalidade

A tecnologia deve ajudar a hotelaria a ganhar eficiência, mas não pode eliminar aquilo que está no centro da experiência: as pessoas. Essa foi uma das principais ideias defendidas por Chieko Aoki, fundadora e presidente da Blue Tree Hotels, durante o painel “Hotelaria do Futuro: Como Crescer Sem Perder a Alma”, realizado em 12 de agosto no 37º Encatho & Exprotel, em Florianópolis.

Ao lado de Beto Caputo, CEO da Atrio Hotéis, e com mediação da hoteleira Danisa Virmond Schürmann, Chieko discutiu o impacto da inteligência artificial, automação e análise de dados no setor e defendeu uma adoção mais estratégica dessas ferramentas.

Para a executiva, a tecnologia pode assumir tarefas repetitivas e simplificar processos, permitindo que as equipes concentrem esforços em características que continuam essencialmente humanas, como criatividade, percepção e capacidade de criar vínculos.

“A tecnologia veio para agregar, democratizar”, destacou Chieko.

Tecnologia precisa gerar valor

A discussão também passou por uma questão prática: nem toda tecnologia necessariamente melhora a experiência do hóspede.

Ferramentas de inteligência artificial, automação e análise de dados já podem ser utilizadas em áreas como comercial, relacionamento e gestão de receitas. O desafio está em identificar onde elas realmente contribuem para o negócio e incorporá-las à estratégia de cada hotel.

Chieko defende especialmente o uso dessas soluções para fortalecer a área comercial e gerar e proteger receitas, mas faz uma ressalva sobre o excesso de automação.

“É preciso evitar uma hotelaria excessivamente mecanizada, especialmente quando a automação começa a substituir justamente os elementos que tornam cada empreendimento único.”

Para Beto Caputo, o avanço da IA também pode beneficiar hotéis menores. Ferramentas mais acessíveis permitem ampliar o uso de tecnologia, desde que sejam alimentadas por dados confiáveis e estejam integradas às diferentes áreas da operação.

O que continua sendo humano

Mesmo com a transformação digital, a essência da hotelaria permanece ligada à relação entre quem recebe e quem é recebido. Para Chieko, essa característica pode ser ainda mais importante em hotéis independentes e empreendimentos de menor porte, nos quais a proximidade com o hóspede pode se transformar em diferencial competitivo.

É nesse contexto que aparece o conceito de “bem cuidar”, defendido pela executiva. A formação dos profissionais não deve se limitar ao conhecimento técnico: comportamento, sensibilidade e capacidade de compreender diferentes perfis também fazem parte da preparação para o setor.

A lógica é simples: se a tecnologia consegue cuidar de parte da operação, os profissionais podem dedicar mais tempo justamente ao relacionamento.

Experiência além da estrutura

Essa combinação entre tecnologia e atendimento também aparece na operação do Blue Tree Premium Florianópolis, citado como exemplo da atuação da rede na capital catarinense.

A experiência do hóspede não depende apenas da estrutura ou dos recursos tecnológicos disponíveis. A forma de receber, a atenção às necessidades individuais e a qualidade das interações também participam da construção da percepção sobre a estadia.

Por isso, os pilares de bem-receber, bem-servir e bem-cuidar continuam presentes mesmo em um cenário cada vez mais digital.

Como resume Chieko, o avanço tecnológico não precisa significar uma hotelaria mais distante:

“O futuro da hotelaria pode ser mais tecnológico, mas não precisa ser menos humano.”

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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